Pratos com cores
Cores ‘com pletas’
Gosto disso mais do que parece e olhe que ‘parecer’ já é por si só uma hipérbole.
Pelo menos na língua de quem fofoca.
A mente humana sempre dando megazords para os nossos medos.
O coador não coa a dor.
Pessoas perdidas precisam de luz, assim como as plantas.
Minhas bordas não são de catupiry e a minha escrita é escrota, mas eu dediquei mais tempo pensando em você do que jamais dediquei a matemática, por exemplo.
Juan Barreto
A pequena vinha embalada na corrida, desviando do mar de joelhos adultos que sombreavam seu caminho e raspavam sua testa. Parecia uma floresta de pernas. Vinha eufórica, vinha que vinha e só parou quando avistou o seu objetivo: ‘A boneca Mell Sulivan - Com cabelos de massinha que crescem de verdade’. Alice paquerava, no começo timidamente, mas de umas duas semanas pra cá, descaradamente com essa boneca. Ela era do tamanho de Alice, com olhos castanhos como os de Alice e com cabelos que agora estavam pretos e compridos, mas que com uma rápida tesourada(sem ponta) ficariam laranjas, curtinhos e cacheados como os de Alice. Era perfeita e teria que ser dela, embora soubesse que só no natal. E sabia também que ainda faltavam vinte e três dias para isso. Sabia, pois estava contando os dias com risquinhos na parede, igual os prisioneiros na cadeia.
Lá estava ela no seu ritual semanal de babar em frente a caixa da boneca enquanto sua mãe fazia a feira, quando sentiu uma presença ao lado. Era um... Menino de uns dez anos mais ou menos, parado ao lado dela olhando a (sua) Mell Sulivan.
Não gostou. Pela primeira vez na vida sentiu ciúmes de algo que não era seu, como todos nós fazemos o tempo todo, só que com pessoas de verdade.
O menino percebeu o olhar secante de Alice e perguntou enjoativo:
_Quié?
-Nada.
-Hum.
-Você gosta dela? – Perguntou Alice timidamente.
-Gosto de olhar pra ela, ela é tão linda!
Alice percebeu o brilho nos olhos do menino ao falar isso, meio que se viu ali. Foi uma sensação engraçada, mas um engraçado confuso.
-Você não devia estar na parte dos soldados e carros com dentes e facas e outras coisas tontas que se batem e se matam?
O menino olhou Alice por algum tempo. Até ela quase entrar em ebolição de vergonha, e respondeu/perguntou:
-Por que?
-Bom... porque é onde os meninos vão!
-É. Tô sabendo. – Respondeu o garoto com uma mescla de enfado e desdém.
Passados mais alguns segundo de silêncio, Alice faz a social de novo.
-Eu vou ganhá-la. No natal!
-Eu também!
Agora foi a vez de Alice encará-lo por algum tempo até cuspir um:
-Por que?
-Por que não?
Não soube o que dizer.
A mãe localizara o alvo “filha” e chegou já pegando pelo braço.
-Já pedi pra você não soltar minha mão e sair assim desembestada entrando nos lugares! E se você se perde? E se alguém te leva?
Mesmo sendo conduzida pelo braço, nem estava escutando direito as reclamações e os sermões da mãe. Alice e o garoto ainda se olhavam, ela por cima do ombro, até que percebeu uma coisa tão sutil e tão gritante que a fez fazer uma cara engraçada de espanto e sussurrar admirada movendo os lábios em slow motion:
-Você esta usando brilho na boca!
O menino faz a leitura labial, gargalha, depois sorri fazendo aquela cara de "dããã" e balança a cabeça que sim.
Alice sorri de volta enquanto adentra na seção de laticínios rebocada pela mãe.
Juan Barreto
Que gira e roda e brilha que só.
E também pode ser flor se ele quiser, que não deixa de ser macho.
Um monte de gente do mundo do "antes de ontem" falou um monte.
Um monte de ontem do mundo do antes de "a gente" falou na mente, não minto.
E se não falo nada direito é porque minha língua é canhota e inevitavelmente procura a esquerda. O coração.
Os tontos tentam tanto.
Juan Barreto
Juan Barreto
Possibilidades para o significado dos 3G's da internet da vivo:
1-Gente, que coisa lenta! Oito minutos pra carregar o paint!
2-Ganharam meu dinheiro no mole,tsc!
3-GOT YA!!! HAHAHAHAHAHA...(Tele atendente, quando você liga pra reclamar)
ou
1-Grandesíssima bosta, essa net da vivo!
2-'Guento' mais não! Caiu de novo! E não faz nem três minutos desde a última vez!
3-GERENTE! EU QUERO FALAR COM O GERENTE, PORRA! (Tentando falar com alguém da manuteção, mas até agora só gravações e musiquinhas)
PS- Essa postagem não durou mais que dez minutos pra ser concebida, mas demorou um pouco mais pra ir ao ar, já que a net bosta (da vivo) caiu algumas centenas de vezes durante o processo.
'Acredite ao menos um pouco nos que estão voltando'
Juan Barreto
Ju..Ba..
Juan Barreto
tsc
"Dinheiro! Achei dinheiro no bolso de um short velho, que legal!" - Quando ele puxou, era um papel fino e retorcido, quase branco de tantas lavagens.
Desembrulhou com cuidado e reconheceu de pronto um símbolo. Era um recibo de devolução de uma locadora de dvds que costumava frequentar. As letras impressas estavam firmes ainda, mas a parte preenchida de caneta estava bastante desbotada. Ficara no papel apenas fantasmas de vogais e consoantes. Impressões. Ele apertou a vista até formar dois risquinhos no lugar dos olhos e constatou aquilo que seu coração já havia se precipitado em dizer com um coice no momento em que reconheceu o símbolo da locadora. Sim, lá estava a letra desbotada da menina morta. Seu nome, a data, o valor do aluguel essas coisas, numa caligrafia quase translúcida. E o nome do filme que ele havia alugado nessa ocasião?: 'My blueberry nights'.
A vida deve está enchendo um balão gigante com todo o ar quente que anda roubando dos pulmões das pessoas em momentos como esse.
Coincidências são como aquele amigo do amigo do seu amigo que aparece sem ser convidado no seu aniversário e termina derrubando o bolo no chão, tropeçando na caixa de som e vomitando no vestido da sua avó, ou seja, só servem pra estragar seu dia.
Não... Apenas não.
Juan
-Que cores, meu bem?
-Aquelas da caixinha! As luzinhas! Ó, a verde vem, passa um tempão ai a amarela mal entra e a vermelha já entra e toma a frente dela!
-Hahahaha, ei, ficou vermelho querida, venha, vamos atravessar a rua, me dê a mão!
Juan Barreto
A casa logo cedo ficava perfumada com o cheiro de pré - almoço.
Bom era quando levantava meio sonolento, ia na cozinha ainda esfregando os olhos e era recebido (anuncidado as vezes) pela mãe que dizia: "Olha ele ai! Quer seu leite agora?". Majestade, rapaz! Meus dias de Paris Hilton.
Minha mãe nunca me ensinou a fazer café, mas me ensinou desde cedo a tirar a mesa, afinal, Tem que se começar de baixo!
Meus amiguinhos de prédio eram todos mais novos do que eu e quando eles caiam ou se machucavam a culpa era sempre minha e eu tinha que ouvir desaforo das outras, depois desaforo da minha porque tinha ouvido desaforo das outras.
Então deixe me ver se entendi: Se apanhar na rua apanha em casa pra aprender que brigar é errado (a menos que voce ganhe a briga)(que é errado)
Passei a brincar só. Por preferência e por simplicidade.
Eu lembro das minhas avós.
Outro dia achei uma cassete de um tempo que eu nem fazia volume e que tinha gravado as nossas vozes.
Uma mini caixinha preta, como a dos aviões, guardando nossas vozes do tempo.
Minhas 'avózes' eu guardei em outro tipo de caixa, a craniana e também pra protegê-las do tempo.
Saudades..
Não seria uma completa estupidez interpretar o "talvez" como um possível sim, afinal, não é o que é!?
Juan Barreto
A medida que ele passa, vai nos mostrando várias lentes diferentes, uma após a outra e perguntando "Essa é melhor? E essa? Ou essa? Essa?...
Juan
Enquanto amarra o cadarço do tênis, enquanto a luzinha verde da sanduicheira elétrica não acende, enquanto entra e sai cento e cinquenta vezes no banheiro buscando e deixando coisas, enquanto a tevê passa um jornal quentinho pra gente engolir sem cuspe.
A casa pulsando. Tum-tuom-tum-pam-pam-pam-tum...
Me sinto a Lola descendo as escadas à toda, correndo por berlim com aquela música! Ah, aquela música...
Fora, ai vou eu!
Acreditar que essa segunda-feira é uma fase de video-game. Uma grande rave que a gente passa doçado e adoçado com o que tem a mão, com o que tem em mente.
Agitados, prontos para beber ou sermos bebidos.
Meu coração que não tá cariado nem nada só pensa em reformas e formas.
Ser em alguém a sensação de um bom banho num dia quente.
Amigos de verdade são peões defendendo o rei.
A rainha é a sorte. Embora ela possa andar em todas as casas e em todas as direções, uma distraçãozinha de nada e zás! Comeram-na!
Juan Barreto
-Nina?
Ela se assustou de qualquer forma. Passou rapidamente as mãos pelo rosto para secá-lo.
-O que aconteceu meu bem? Por que você está tão desolada aqui sozinha? Você está chorando?
-Eu não estou chorando vô. - E fez aquele barulho com o nariz que sempre denuncia que a gente estava chorando.
O avô sentou-se ao seu lado. Ficou ali, de mãos postas sobre o colo olhando pra parede da frente igual a ela.
Passado um silêncio, ela sussurra.
-Vô, estão esperando o senhor lá embaixo.
-Mas estão precisando de mim aqui em cima. - Deu uma piscadinha e sorriu.
Ela não reagiu de nenhuma forma.
-Sabe, quando você era pequena eu te dizia que você era meu raiozinho de sol e que se chorasse muito, poderia se apagar sem nem perceber, porque água apaga o fogo. Você ficava com uns zoião arregalados pra mim, mas parava rapidinho. - Nina continuava fungando, agora sob controle, ainda olhando pra parede da frente, mas seus lábios flexionaram num sorriu muito de leve.
-As vezes sinto falta de quando você acreditava nas bobagens que eu contava.
-As vezes também sinto falta de quando você me contava coisas, vô. - E lhe deu uma olhada bastante significativa, dessas de secar pneu de avião.
Dessa vez, foi ele que não disse nada.
O silêncio tomou conta do quarto como o gelo faz com as paredes de um congelador que não é descongelado há cinco meses.
-Quando você ia me contar vô?
-Bom... Quando eu estivesse próximo de não acreditar mais em nada. Porque eu ainda acredito! - Ambos olhavam para o vidro fosco da tela da tv desligada. O choro agora lambia as bochechas de Nina de cima pra baixo. As lágrimas iam pingando e formando manchinhas escuras no tapete cor-de-creme.
O avô começou a falar bem devagar. Parecia mais estar pensando em voz alta, só que de propósito. Não conseguia ainda olhar pra ela.
-Acredito que a gente vai crescendo e vai selecionando as coisas em que acreditar, mas deixar de acreditar completamente, assim, zero total, acho que só quando a gente morre. Até um velho de oitenta anos como eu, quando tem um “negócio”, no fundo no fundo ele murmura um pouco pra si mesmo, um pouco pra Deus: "Agora não! Ainda não".
-Descalça!
-Como?
-Quando a mamãe e o papai... se foram, foi como se levassem um dos meus sapatos e eu fiquei mancando por um tempão. Quando você se for e levar o outro eu ficarei descalça!
Ele sentiu um rasgão no peito. Uma furada de arpão. Uma picada de maribondo nos olhos. Seu corpo por dentro era um colar de pérolas que acabara de ser quebrado e as bolinhas estavam todas doidas, quicando e se espalhando a esmo. Respirou fundo, engoliu o novelo de lã que estava na sua boca e disse:
-E sua vó eim? Sua irmã? Não servem como meias?
-Vô...
-Nina, pés descalços, mas que sabem os passos da dança, meu amor. É isso que importa!
-Não é!
Ela estava ficando vermelha. Ele branco. Começava a querer escorrer também, mas o que fazer? “Ok querida, prometo que não vou morrer!”? Quando você passa dos oitenta, meio que começa a se formar uma expectativa de todos ao seu redor de que você deveria chegar aos cem.
Não é um “deveria” de “Ah, seria bom se..”, é um “deveria” de “Tem que..”.
E paralelo a isso há o bolão dos mais próximos pra saber quando você vai cair duro, ou simplesmente não amanhecer junto com o resto da manada, porque, claro, isso pode acontecer com qualquer um a qualquer hora, mas depois dos oitenta, isso vira quase uma frase de camiseta que você não consegue tirar:"velho e doente". Mas como explicar isso a uma menina de quinze anos que já perdeu o pai e a mãe e já é perfeitamente vacinada contra o “vai passar”?
E ele percebeu em forma de epifania de que o "vai passar" não é pro sentimento, é pro tempo.
Juan Barreto
Juan Barr..
Sem sua pessoa meu coração fica assim, meio nissin. Uma massa branca e um pouco de caldo escorrendo.
Um gosto branco de nada, mas um 'branco-nada' diferente do 'branco-nada' do arroz.
Diferente do branco nada de nós dois.
Juan Barreto.
Juan B.
Fez um pomar só de cores quentes
Agora que é dono das cores fortes, quem quiser verão tem que pedir e pagar com beijo, brilho ou contraste antes.
Juan Barreto
Querida Alisson
Pelo visto, você continua alimentando aqueles pinguins do parque.
Você não é tão importante a ponto de que seja possível acompanhar sua vida pelas revistas e jornais, e nem tão desimportante que me faça simplesmente não me importar com o que você anda fazendo, portanto, fiquei muito feliz em receber notícias suas.
Bom você ter falado sobre sonhos. Por esses dias, sonhei que eu era uma dessas pessoas que ficam na ponta da pista dos aviões com aquelas lanternas em forma de picolés para ajudá-los a pousar, e veja só, você era o avião! Vinha de braços abertos pelo céu, fazendo 'wuuuuuuum' com a boca e com o olhar blasé e impassivel que os aviões costumam ter.
E eu feito uma louca pulava, agitava meus bracinhos e aquelas lanterninhas laranjas como se fossem duas chuvinhas de são joão e dizia "AQUI! AQUI SUA IDIOTA! É POR AQUI! Mas o barulho era enorme e você passou direto. Foi um sonho péssimo.
Tenho certeza que acordaria completamente suada se não fosse essa minha mania triste de quase nunca beber água.
Uma vez vi um homem num bar que parecia muito com o Mark Ruffalo.
Outro dia, voltando pra casa no ônibus, subiu uma moça parecidíssima com a Adriana Calcanhoto. Essa semana eu estava na sala de espera do dentista quando entrou uma moça que lembrava um pouco você. Desses três,foi a que mais me deu vontade de ir falar. Não fui, claro, mas entrei na sala do dentista sem medo, sem anestesia, sem nada. Só com a cara e você. E minha boca escancarada era mais que um "a", era um "e" dos que a gente faz quando sorri.
O que nunca ficou explicado entre nós é que não sou do tipo de pessoa que pendura lençóis no varal ou nas janelas, mas não quer dizer que eu não os tenha.
Já você é diferente. Você faz cabaninha com os seus, se enrola toda dos pés a cabeça como uma panqueca humana e acaba que a gente só vê o lençól, e nada de você.
E quem olhar mais atentamente, percebe que ainda assim, você passa frio.
Também não sou do tipo de pessoa que simpatiza com metáforas. O lençól é o amor.
Não se auto-afirme tanto com tantos corações espalhados por agendas, porta-retratos, ímãs de geladeiras e almofadas. Pra quê cartaz se não tem espetáculo? Mas enfim, o teatro é seu.
Hum..mudei de idéia, adoro metáforas!
Não esperava mesmo que um dia você, de alguma maneira, ainda fosse querer se comunicar comigo. De verdade. Assim como aposto que você não esperava nunca que eu fosse lhe responder. Surpresas 1x1.
Beijos Alisson girl, e me mantenha informada dos seus sonhos...ou não.
Dereza
Juan Barreto
Cara Dereza
Essa semana eu estava no parque como de costume, alimentando pombos enquanto pensava na vida, nas vidas, quando uma criança veio e sentou-se na borda daquela fonte seca. Ela me olhou por um tempo e perguntou: "Esses pombos são seus?".
Eu sorri e disse que não. Ela olhou para o lixo e as folhas secas dentro da fonte por um instante, olhou para os pombos que comiam os farelos pelo chão, olhou pra mim e disse como se tivesse chegado a uma conclusão : "Você é legal."
Eu tinha que perguntar. "Por que?" e ele respondeu sério como são as crianças quando estão falando sério:
"Porque você não está tentando comê-los, e sim alimentá-los. E eles nem são seus!". Disse isso e saiu correndo atrás de uma bola vermelha que passou quicando por nós espantando todos os pombos fazendo aquele barulho assustador de revoada.
Essa noite sonhei que eu era um balão verde flutuando baixinho por uma calçada.
Na virada de uma esquina eu cruzava o caminho de um cara e ele tinha sete anos de felicididade. Uma espécie de gato preto, só que ao contrário.
Sabe quando um relógio quebra, mas por puro costume você continua olhando as horas nele várias e várias vezes durante o dia?
É assim que me sinto em relação a nós.
Embora o relógio esteja parado, mudo, escuro, as horas continuam. Passam por trás dele.
Beijos, Alisson.
Juan Barreto
Por isso tem tanta gente que não ama, nem é amado.
São os que não aguentam levantar a tampa que os protege do incerto e mudar.
Portanto, quem é que não odeia? Não se apaixona? Não odeia o que se apaixona? Não se apaixona pelo que odeia?
Os covardes? Com certeza!
Covardes, entretando, sábios. Porque nada pior do que este amor fraterno entre um homem e uma mulher que antes já viveram loucuras.
Melhor odiar aquele que você amou carnalmente do que torná-lo um irmão.
É por isso que todo relacionamento precisa de baixaria para acabar. Até não sobrar nenhum afeto, muito menos amor.
Porque esse suposto "amor" que fica é um amor morto. Amor molenga, flácido, gelatinoso.
Amor de madrinha. Um horror. "
Fernanda Young
Noite essa, que passou voando do lado de fora da janela do carro.
Dentro do carro todos voavam tb. Encaçapar m,m's com tacadas foi bom!
Dia cor-de-creme.
Precisava dizer alguma coisa bonita, cuspir algo doce pra cima dessas formigas. Eu não tinha nada a dizer, então apenas sorri. Num é que bastou!
Juan Barreto
* merda's back
Caio Fernando Abreu bem na sua testa
-Não se pode agir assim. Uma pessoa não é um doce que você enjoa, empurra o prato, não quero mais.
-Amor não resiste a tudo, não. Amor é jardim. Amor enche de erva daninha.
-Gosto de pessoas doces, gosto de situações claras - e por tudo isso ando cada vez mais só
Pensei como é paradoxo, num dia se é o carro, no outro se é o gato
E se eu tivesse que mergulhar no mangue mais preto, mais duro desse pantano que é a memoria, eu resgataria o cavalo do filme "Historia sem fim"
não por ele, mas por mim
Ter paz para com os que um dia me necessitaram
Ah, como eu queria ser a fada festeira mais dançarina e mais doceira
Mas as festas são tão longe, de uma casa pra outra
E eu nao tenho asas,nem trenó nem vassoura
Voce é o pedaço de carne morna mais lindo e amável de todo esse pasto que é o mundo
Acho que vou pernoitar em sua vida
Acho que vou acampar no seu quarto
Acho que eu sempre soube onde estava wally
"Estrelaçar" nossos planos
E a boneca feita de pano
costurada com beijos e linha grossa
És minha voodoo carinhosa
Juan Barreto
Você rondando na minha cabeça, arrastando esses seus chinelos, não me deixando assistir televisão.
Eu já pedi muito bis, hoje peço apenas peso pra gente, se não, voa tudo, e ai tem que ir buscar "nós" no quintal da vizinha, enganchados entre os canteiros de girassóis e rodaluas.
O café ferve e o amor verte, pegue sua caneca e escolha com qual desses líquidos você quer enche-la....primeiro.
Juan Barreto
-Er..estava. Por que?
-É particular ou eu também posso ouvir?
Juan Barreto
"Isso pra mim é amor charlie Brown"
Cadeiras a menos na mesa
Livros a menos na estante
Juan Barreto
*Parabens caiozinho
Julho de 2008.Locadora de dvd. Fim de tarde.
Uma moça triste sentada num canto do balcão assiste House numa tv afixada no canto.
Um rapaz chega e pergunta se tem a 9ªtemporada de Friends. Ela vai ate o estoque e volta com a temporada nas mãos. Enquanto ela preenche a ficha ele olha pra ela. Ele, embora não morasse na cidade, sempre que estava de férias, frequentava a locadora pra distrair o tédio. Já conhecia a moça de vista, de visitas. Já a achava bonita, mas tudo só pra ele. Ela entrega os dvds e volta a se sentar melancolicamente.
Assim como em todas as outras visitas a locadora, não trocaram uma palavra. Mas ele atentou pra um fato: Ela nunca perguntou seu nome, mas sabia, pois sempre que ele chegava com os filmes escolhidos, ela puxava o bloquinho e o escrevia com letra desenhada.
Ele saiu com o seguinte pensamento
"Por que ela tem que ser tão profissional?"
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Janeiro de 2009.Locadora de dvds. Noite. Uma moça no balcão lendo uma revista. Seus cabelos ainda molhados pingam na revista e ela enxuga pressionando o papel com a ponta do indicador.
Dois rapazes entram. O primeiro se aproxima e põe um dvd sobre o balcão, o outro fica perambulando pela loja na sessão de ficçao. A moça se levanta em silêncio e faz todo aquele procedimento rotineiro de devolução. Puxa a fichinha de dentro da capinha, rabisca alguma coisa, retira o dvd, olha se tá arranhado, repõe, guarda embaixo do balcão.
-"Dá dezessseis reais, porque voce atrasou alguns dias."
O rapaz põe as mãos nos bolsos da bermuda e as abre sobre o balcão deixando cair com barulho várias, várias, várias moedas de diferentes valores. De dez, vinte e cinco e cinquenta centavos.
A moça olha pra ele admirada. O amigo que estava olhando uns dvds de rock cai na gargalhada. Ele sorri maroto.
-"Você acreditaria se eu dissesse que sou pirata?
A moça ri da cena inusitada. Fica vermelha. Mas não olha pra ele. Ela é tímida.
-"Ok. Na verdade, minha mãe viajou e não me deixou dinheiro. Por isso demorei a entregar. Tive que assaltar os cofrinhos dos meus priminhos indefesos, mas tá tudo ai!"
Ela sorri e balança a cabeça como quem não acredita no que está acontecendo, sempre olhando pro balcão coalhado de moedinhas.
-"Vai levar um tempo pra contar! " - Ela diz sorrindo.
O amigo da prateleira ainda diz:
"Ele assaltou um cego na esquina e dois mendigos no caminho da casa dele pra cá!"
Eles riem.
Ela vai contando em voz baixa e fazendo pequenos montinhos.
-"Eita, tem até moeda de cinco centavos!"
Ele assovia dissimuladamente. Ela sorri e balança a cabeça como quem diz "Sei não viu!"
-"Tá tudo aqui!"
Ele vibra despojadamente e ainda diz "Prometo que não faço mais!"
Eles saem.
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Julho de 2009. Locadora de dvd. Noite. Chuva e calor. O rapaz vai alugar um dvd, mas o computador fudeu com o sistema de cadastros e apagou tudo. A segunda balconista tentando preencher novamente o cadastro pergunta "Nome?", e a mesma moça melancolica que estava perto, mas que aparentemente não estava prestando atenção na conversa diz de pronto: "Pode deixar, eu conheço ele". Ele se assusta, mas um susto bom.
Ele aluga o seu filme e sai de lá se sentindo bem. Se ela ao menos sonhasse que ele adicionou seu perfil do orkut em "listas/paqueras" a mais de ano...
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Setembro de 2009. Duas da tarde de um dia quente e confuso.Joao Pessoa/Paraiba.
Toca o celular.
-"AlÔ!"
-"Ei, sou eu.(voz pesarosa. Mal sinal) Se liga daquela menina da locadora, a loirinha?"
O ser humano consegue detectar coisas ruins apenas na introdução do assunto.Incrível.
-"Sei. Que foi?"
-"Morreu ontem. Acidente de carro...
(...)
O agir gira
Essa lição você tem que aprender."
Portishead - Silence
Que falta não faz aquele sensor aranha do homem-aranha eim!
Quer saber?
A gente nunca sabe quando estará indo pra algum lugar e alguma coisa não nos deixará chegar ou voltar.
E a gente pensa "eu não devia estar aqui", as árvores pensam "ela não devia estár ali"
Hoje eu não vou sair de casa pra me proteger, hoje eu vou sair de casa pra me esconder. E não adianta. Voce já tentou correr dentro dágua? Parecido.
A coisa mais esquisita do mundo todo é voce imaginar uma pessoa que voce conhece, morta. É o momento mais "pegadinha do malandro" do mundo todo.
Eu não me importo com as criancinhas da africa, ou os civis do iraque. São manequins sem rosto pra mim. Tenho pena, pois são vidas inocentes e não mereciam, mas o que frita meu juízo e esmaga minha cabeça que nem massa de pão, é conhecidos que se tornarão esquecidos. Pessoas que não serão avós queridos nas noites de natal.
Pessoas que até ontem de manhã limpavam a terra do chinelo, tão vaidosas, tão bonitas, e hoje recheiam uma porra de um buraco. E tudo é terra.
Uma porção de terra cercada de água por todos os lados é uma ilha.
Uma porção de sonhos cercada de terra por todos os lados é uma pena.
Quando a gente sente um cheiro, a gente lembra da pessoa, não do perfume.
E é assim que tem que ser.
A gente nasce pra virar cheiro
Perfume sem pele é só um liquido.
Juan Barreto
O apartamento é massa, mas preciso urgentemente de cortinas.. muito claro, muitas janelas.
As paredes taao branquinhas.. hei de pinta las muahahaha
(risada satânica)
No mais tudo em paz.
Acabou , chorare.
Eu via nos filmes quando alguém dizia "Eu não vou desistir assim tão fácil!"
Mas persistir é uma coisa burra.
Tentar tapar uma infiltração com durex.
E cansa
fisicamente
psicologicamente
Explodir dá muito trabalho, chama muita atenção, faz muito barulho, tanta sujeira.
Hoje eu vejo que não é bom.
Hoje sou mais de implodir
É se deixar afundar silenciosamente numa piscina. Em cinco segundos a superfície está lisa outra vez. E ninguém precisa saber o que se passa no fundo.
Sutil.
As evidências vem me mostrando isso tão claramente como placas de trânsito e eu insistindo em fingir não ver.
Quando a corda da pipa começa a queimar sua mão, é porque a pipa quer ir embora.
Soltar a corda, acorde!
Tchau pipa(não vá)boa viagem.
Minha mão sentirá falta do seu cordão.
Triste? Sim. E agora, como é que eu vou voar?
Desistir... Desinsistir.
Juan Barreto
A cidade ganhava aquele amarelo âmbar das luzes dos postes. As pessoas ganhavam um amarelo parecido, mas por outros motivos.
Bar/Café, um homem entra e nem olha para as mesas repletas de grupos de pessoas, seu objetivo é o balcão do bar.
Ao sentar num dos banquinhos, joga a mochila pesada aos seus pés, desabotoa mais um botão da camisa e quase pode ouvir um 'tssss' de vapor sendo liberado. A cidade quando quer ser quente é fogo!
O dia não foi gentil com ele, mas ele procura ser com a atendente. - "Simpatia gera simpatia!" - Pensou.
Um café, por favor.
A garçonete nem olha pra ele, joga de qualquer jeito na sua frente um pires e uma xicrinha que um dia, quem sabe, foram brancos, mas agora estão sépios , puxa uma garrafa térmica Deus sabe de onde, abre-a e desliza um líquido preto avermelhado xícara a dentro e lhe dá as costas.
-Depois de um dia de cão desses, não seria melhor uma cervejinha pra reativar?
A voz vinha da esquerda. Uma mulher negra muito bonita, usando esses terninhos de secretária e cabelos cacheados, presos num coque está olhando pra ele e sorrindo um sorriso ultra branco de comercial de listerin.
-Na verdade é um café alemão! Puro a cerveja. Saúde!- Ele juntou o restinho do seu restinho pra fazer essa piada tronxa e erguer a xícara a meia altura em um brinde.
-Que tipo de idiota beberia café num calor desses? - A mulher perguntou zombeteira ainda sorrindo. O "idiota" não era uma ofensa, era uma puxada de papo.
-Um legítimo.
Ela riu olhando pra ele, ele riu olhando pro líquido.
-Me chamo Charles!
-Bonito nome.
-E o seu?
-Então Charles, qual o seu problema com as cervejas?
-Você diz judicialmente falando?
-Hahaha
-Ah, só acho que bebidas quentes me acalmam mais do que as frias. Outro dia pedi um copo de leite morno... Mas num copo bem sujo, porque eu sou macho! - Disse engrossando a voz numa imitação caricata. Os dois riram.
-Característica estranha, mas interessante.
-Tente ser criança e preferir sopa ao invés de sorvete. Meus pais me achavam um anormal
-Pobrezinho! - Disse debochada. Dessa vez ele é quem pergunta:
-E você? Sozinha, não está bebendo nada. Conhece alguém que trabalha aqui? Está esperando alguém?
-Não, não. Só passei por passar, só fiquei por ficar.
-Huum, entendo. Não pega bem uma dama ser vista num bar desacompanhada. - Ele falou num tom ironicamente conservador que a fez sorrir mais uma vez. Seus dentes eram como mini-chicletes addams.
-Aaah, mas aqui também é uma cafeteria, então, acho que tudo bem!- Disse ainda zombeteira.
-Ouvi dizer que aqui também funciona uma boca de fumo, mas ó, shhhhh!
-Hahahahaha, você é muito sagaz rapaz, gosto do seu humor. Pena que tenho que ir agora.
-Ah, tudo bem. Tchau 'mulher-cujo-nome-não-me-foi-dito!' Até um dia, quem sabe.
-Hahahaa, meu nome, honestamente é o que menos importa Charles, o que importa mesmo é que você acredite numa coisa: Vai dar tudo certo.
Ele a encara por alguns segundos. Os olhos dela são amendoados.
-Er.. tudo, tuuudo? Tipo, meu flamengo tem jeito?
-Três coisas importantes 'Charlie' que vou dizer agora e que você não pode esquecer de nenhuma delas, porque elas não significam nada se forem vendidas separadamente - Essa última parte foi bastante enfática.
Ela se levantou, pegou sua bolsa que estava no banco do lado de lá.
Charles franziu a testa debochadamente como quem diz "Assunto estranho e sério de repente, mas vamos ver no que ele vai dar.”
-Pode dizer!
Ela pegou em seus ombros com firmeza e disse olhando em seu rosto:
-Sim, sempre vale a pena. Não, nunca é tarde demais e talvez, talvez dê tudo certo, mas pra isso, você precisa acreditar com força nos dois primeiros. Não apenas saber, acreditar Charles! Você entendeu?Por favor, não se deixe esquecer isso nunca.
Ele ficou olhando pra aquele rosto negro/bonito/Sorriso de listerin/Olhos de amêndoas, estáva sério. Sentiu uma paz atônita que honestamente não combinava com um bar lotado de pessoas suadas e barulhentas, nem com a semana miseravelmente exaustiva e injusta que vinha tendo. Coisas deram errado nos últimos dias e ele já tinha tentado todas as soluções a ele comuns. Banho quente, cama quente, café quente, mas palavras quentes era medicina alternativa que ele nem lembrava que existia.
-Quem é você?
Uma gritaria chama a atenção de todos por alguns segundos. Dois bêbados brigam se ameaçando com tacos de sinuca por conta de algum comentário sobre o futebol na tv, até a galera do "deixa disso" intervir acalmando os ânimos. Quando Charles torna a virar seu rosto pra esquerda, a mulher tinha sumido engolida talvez pelo turbilhão de gente que agora preenchia o bar.
Palavras quentes. Era isso que faltava.
(Nelson Rodrigues)
Concordo.
Esses dias de retiro aqui nas colinas verdejantes do crato, resolvi rever.
Revi "Juno"(que fotografia linda), revi "Encontros e desencontros" (que filme todo lindo) e revi Across the Universe (inteligente).
Claro que o novo as vezes merece uma chance.
"Um beijo roubado (My Blueberry Nights)" como ficou claro dois posts atras, me facinou. Foi uma surpresa boa.
Falando ainda em coisas novas, essa semana que vem está repleta de coisas novas, morar em uma cidade nova, conhecer pessoas novas, me fuder de novas maneiras, me maravilhar de novas maneiras, tudo que está no cardápio e na lista de acessórios.
Não adianta chorar o leite dear amado.
Hoje eu acordei sentindo falta de jhon Lennon e o mundo disse "Bem vindo ao meu mundo!"
Humanos são plantinhas, são plaquinhas, são pracinhas onde os sentimentos se reunem pra tocar violão, alimentar os anjos e tomarem banho de roupa na fonte.
O lilás não sai de moda nunca. Eu não deixo.
Fujam para as planícies, porque o planalto está muito sujo de gente baixa.
Vem vê a nova neve, a nova nave!
O homem é apenas um instante,uma estante que nunca deve ficar arrumada muito tempo. Os livros tem que mudar de posição o tempo todo, que nem as estrelas, que nem o kama sutra.
Driblemos o mofo.
Obrigado faxineiras da minha vida por permitirem que eu me acomode apenas no sentido de comportar, e nunca desistirem de mim.
A paz preenche. Moçada, baldes em mãos!
Um exército armado de batom garoto e pirulitos da língua azul sairá de dentro da gente hoje às vinte e sete horas, dará a volta ao quateirão, dará a volta por cima, dará a volta ao dia em oitenta mundos.
Aliste se já!
O nosso nó(s) é cego pra que nunca, nunca desate.
O nosso nó(s) é cego porque o amor também é, e moramos todos no mesmo prédio.
Yes, we can(dy)
Juan Barreto
Dois anos de blog!!!
Ia preparar um texto todo-cheio-de-não-sei-o-que
mas nao tenho tempo, estou arrumando coisas, malas, sentimentos.
O aniversário é do blog, mas quem ganhou o presente fui eu!
Estou deixando essa cidade ridícula. Desejo que acalento há quase um ano.
Feliz/medo/ancioso
Sentirei falta sim de pouquiiiiiiissimas pessoas. O número, honestamente, não chega a dez.
Não consigo pensar em nada melhor pra descrever esse momento do que uma frase do filme "Carlota Joaquina"
"Desta terra não quero levar nem o pó! (atira os sapatos ao mar)
E pra voces eu deixo o benfica e seus ladrões de celulares, estudantes de francês da ufc e seus óculos grossos, lenços amarrados no pescoço e suas calças xadrez de emo no calor do meio dia. Os bares com suas cervejas de 3,50 $, a praça dos viados que tem arrastão toda sexta, a maconha da marechal (pouca e cara, esse é o lema!), o shopping com sua decoraçao brega, pessoas anazaladas dizendo "arre égua máh"....
Deus, como é bom sair daqui!!
Juan
pelos cômodos e voltei todo sujo de alegria.
Sim meus caros, há a alegria suja e a alegria sujada.
A alegria suja é aquela que a gente traz na pele suada após uma dança improvisada.
Enlameada da rua após o futebol debaixo de chuva na calçada.
Com a boca melada de manga, de beijo de baga.
A sujada é aquela que os homens frustrados por não poderem comer açúcar quando crianças, assoaram seus narizes.
Pregaram etiquetas de "não pode" porque acharam que corrompendo uma coisa que já existe
seriam eles, menos tristes.
juan barretu
Cabe tudo, mas pra arruma-la, tem que tirar o que tem dentro e ir pondo objeto por objeto, um a um, até que fique de uma maneira que voce ache que está bom.
Um dia alguém chega e se oferece pra ajudar a carregar essa bolsa. Pouco tempo depois, essa pessoa resolve arrumar sua bolsa de outra maneira. "Vamos! Mudar é legal! Mudar é preciso!"
E voce deixa
Até que chega um ponto que nao se consegue achar mais nada seu na sua bolsa!
Nada está onde costumava estar e voce se pega horas remexendo e remexendo sem encontrar coisas simples como o celular ou uma caneta. E quando voce levanta a cabeça pra perguntar "escuta, voce nao viu o.." é ai que voce percebe que esta parado no ponto de onibus sozinho segurando uma bolsa estranha.
O fato de ser latino americano, de ser aquariano, de vir de uma família de mulheres, me torna impossível de ser alheio. O 'não sentir', o 'não se envolver', o 'nao se entregar' é algo que não existe em mim.
O amor é uma porta de vidro.
A gente nunca tem certeza absoluta se ela esta mesmo lá, até que voce bate bem com a testa de um jeito foda. E dói. E voce passa a evitar portas de vidro.
Eu me deixo levar por palavras.
Ai depois nao sei voltar
Seria de se esperar que depois de se perder tantas vezes, a gente decorasse o caminho, nem que fosse como Joao e Maria, marcando o trajeto com farelos de pão.
mas quando se vai voando nao se presta atençao no chao
Amar é isso!
A ida é sempre de avião e a volta é sempre a pé.
Juan Barreto
Ele pensa o que escreve enquanto escreve.
Ele escreve o que ele pensa enquanto pensa.
São tantas “Alanis, Amarantes, Lennons”, dizendo o que ele deve ou não fazer.
Agora Beethoven - Vem.
A vida é uma pilha. O gosto depende de que lado você chupa.
Teve um sonho. Estava parado nos trilhos. O trem vinha em alta velocidade.
Cena de faroeste. Frente a frente. O trem se espatifava em seu corpo em cheio no meio. No momento da colisão, saíam fogos de artifício de todas as cores.Vermelhos e verdes berrantes, gritantes, serpenteando e explodindo pelo céu frio em espirais, com cascatas prateadas de faíscas e assovios. Aquele barulho de estouro de pipoca, de chuva em teto de zinco. Os fogos saíram de dentro do peito dele.
O trem seguiu. Tudo que sobrou foram algumas bolhas de sabão flutuando lacônicas pelas moitas, pelos trilhos.
“Serei como o trem, que nunca para. Só pára quando chega. E quando chega, volta.
Eu sempre chego.Eu sempre volto."
Ser simples é sofisticado demais pra algumas pessoas.
Para alguns, sentar e se deixar ficar é mais complicado do que parece, porque as pessoas já gravaram em suas secretárias eletrônicas que não estão.
Todas eufóricas como filhotes
“O que nós faremos agora? E agora? E agora? E agora?...”.
E eu me pergunto é o que o agora fará com nós.
Quando voce vai sair do meu porta-retratos
e vir pro meu porta-jóias?
Aperto a turbina do “Top Gear”. Ultrapasso os carros cinza e o verde numa manobra só.
Curtindo a paisagem ouvindo radiohead.
Olho pro banco ao lado vazio.
Aumento o radio in my head.
Juan Barreto
Eram quatro e meia da manhã e o céu passava discretamente do preto pra um azul escuro. Grandes mudanças nem sempre fazem alarde.
Solomon tinha pena de quem morava em apartamento e não tinha telhado. Tinha laje. Laje! Até o nome é frio.
Solomon sentado fumando um beck se sente quente por dentro. Preenchido.
Como aquelas sopas de pacote, que a princípio é apenas um pó, ai põe-se água quente e tarám! Temos uma refeição.
Solomon sem dúvida é uma pessoa singular. Uma vez cruzou a sala com sua vara de pescar onde no anzol estava amarrada uma rosa já meio amarrotada.
A irmã que via tv no sofá:
“-Onde você vai com isso ai?”
“-Pescar o amor da minha vida.”
A irmã que queria implicar:
“-Essa rosa está murcha e escura! Você não vai conseguir nada com ela.”
Ele a olhou e disse no mesmo tom do olhar:
“Isso aqui é pra pescar pessoas diferentes. Essa pessoa virá, não pelo frescor da rosa, como a maioria, e sim por saber que se trata de uma rosa.”.
A irmã que não sabia o que dizer:
“Pois é!”
Solomon virou e não conteve um risinho zombeteiro ao pensar:
“Peixão paixão!”
Cinco da manhã. O dia ia ficando azul amarelo. Em pouco tempo ficaria cinza leitoso.
A vantajem de se esperar pelo sol é a certeza de não levar bolo.
Solomon ia lembrando de pessoas e de passeios, de momentos seus em lugares de outros.
O vento frio da manhã apagou seu cigarro, como se o dia dissesse "Chega, por enquanto!"
Vontade é um bicho que dá mais cria que rato.
Vontade dá dor de barriga e dor de cabeça.
Vontade dá queda de cabelo, arritmia, anemia e câncer nos sonhos.
Conversa entre Solomon e Rachel (vizinha)
“-Você deu uma saidinha, certo?”
“-Hã?”
“-Você, está sentado nessa caixa d’água calado tem uns 10 minutos. Olhar desfocado. Pensei que tivesse saido pra fazer um lanchinho em outra dimensão.”
Ele desce da caixa d’água, se senta nas telhas perto dela.
“-Você é esperta.”
“-Você é quieto!”
“Eu me mexo bastante por dentro”
“-O que o preocupa, menino Solomon?”
“(Pausa)-Sinto que me acabarei numa sexta feira qualquer. Que nem uma novela. E na segunda feira, terá outra novela nova e ninguém lembrará mais da velha.”
“-Isso é ridículo! Você não é uma novela...”
“-Eu sei, é que...”.
“- Você é um livro!"
(Silêncio)
"Capa dura, coração mole!”
Eles riem.
“-Agente podia fazer um piquenique nesse telhado!”
“-A gente podia fazer uma sessão de cinema aqui! Projetar os filmes na caixa d’água!”
“Você é esperto!”
“Você é bonita!”
Juan Barreto
Podem ser os cobradores ou pode ser a sorte
Nessa minha vida interurbana eu sigo a trilha de m'ms multicoloridos até chegar a sentimentos multifacetados, a lugares multidões.
Há pessoas multilindas.
Onde há fogo há fumantes.
O segredo é sempre pôr mais carvão na caldeira.
Mais carvão! Mais carvão!
Bota esse trem pra voar, que eu quero ver essa tripa de ferro que nem rabiola de pipa no ar.
Meu amor pediu algodão doce fresco das nuvens e quero aproveitar essa carona pra pegar queijo na lua e umas cifras com uns caras que conheço e que moram no céu.
Tem pessoas tão especiais que destoam da paisagem. São como joaninhas passeando nas costas de uma zebra.
Lábios resecados?
Falta dágua ou falta de amor?
Falta pouco.
Danço pólca na borda da taça
Na sua barriga quente eu vejo filmes e possibilidades com olhos diferentes, mas com os mesmos óculos.
Meus óculos raiban 3D.
Juan Barreto
...
bêbados!
Violetas para todos nós!
foto:Juan
O dia é um tubo de nanquim derramado numa bacia de água limpa.
Ela vai lentamente escurecendo... escurecendo... escurecendo... até a água ficar completamente preta.
Parada e preta.
Noite.
Que nem um bicho grande que engole outro em silêncio.
Que nem uma cobra engolindo um sapo.
Ai vem os gigantes brincar com bola perto da bacia.
Ai treme tudo nessa merda.
Parada, preta e turva.
Você é uma dama de espadas. Coração preto e invertido.
Eu sou o rei de copas, de copos, barbudo, vermelho. Eu sou vermelho!
Taí uma pessoa vermelha... EU!
Adoro esse nome "vermelho", é como "mergulho". Não tem como não dizê-las sem ter a sensação de tomar um gole d’água.
Palavras afogam!
Palavras embebedam!
Bebam-nas sem moderação
Saiam pra beber livros
Dirijam bêbados de volta pra casa.
Doce(s) e travessuras
Valentine’s Day
Valentina’s day
Valium’s Day
Juan Barreto
e minha espada e parti determinado a salvar minha amada, a rainha, das mãos daquele terrível rei que a mantinha presa na torre.
Num lance fulminante, numa batalha sangrenta o venci.
Sem mais demora, fomos atrás de um bispo
que pudesse, enfim, selar nossa união.
Mas no caminho fomos cercados por peões que me levaram e me condenaram a apodrecer no xadrez.
Só escapei de viver o resto da minha vida em preto e branco, porque pagaram minha fiança com um cheque(mate).
Juan Barreto
Ele com sua barba de dois dias que pinica quem a acaricía. São os espinhos do rosa.
O homem é uma laranja de carne e a carne laranja das pessoas bronzeadas demais é feia, me incomoda.
Eu tenho ouvido mais minha mãe e menos Beatles.
Caminhar me desacelera por dentro. Meus sentimentos ruins descem pelas pernas como um suor sujo e ficam pregados nas areias da praia feito pocinhas de piche.
O impossível é o futuro-mais-que-imperfeito do impulsivo.
Amor deve ser como um cafuné. Quem recebe ganha a massagem e quem faz ganha o perfume nos dedos
Eu gosto de comer cheiros
Te abro e te lambo como uma bolacha de morango.
Mas cheiro é uma coisa pra se sentir de perto
Cheiro de longe sempre corre o risco de ser confundido com uma impressão
E de impressão, já me basta essa que eu tenho de que gosto de ti.
Juan Barreto
Você não tem jeito
Eu nao tenho você (ainda!)
e isso não tem graça.
Juan, o Barreto
Seja gay pois é mais moda, seja hétero pois é mais fácil.
Escute músicas merdas pois é mais moda
Seja um merda de pessoa pois é mais fácil.
Seja um fácil de pessoa pois é mais moda, mas não reclame se depois se sentir um merda.
Use moda, seja vegetariano provavelmente gay e fácil, todos vão te amar, afinal de contas, mais "in", mais "cult" , mais "lovely"só se você for dono de um brechó.
Eu sei, é uma merda.
Ser inteligente não é saber tudo sobre tudo, é saber muito sobre muito.
Ser esperto é saber bastante sobre o que é preciso saber.
Ser burro é fácil
é moda
e é uma merda
Sobretudo pra nós que temos que conviver.
Juan Barreto
Casar virgem é como ir ao show de um artista que você não conhece e não sabe cantar nenhuma música.Por mais que seja divertido, você não curte nem um terço do que curte a galera do fã clube!
Juan Barreto
A cada quatro nipes, um bobo comanda os outros.
Receita para uma sopa de ser humano: Dois braços, duas pernas, uma cabeça e sal (dade).
O braço do violão é um livro em braile
São raias de uma pista de corrida.
Escrever é um exercício que deve ser feito todo dia porque se não, o cérebro fica flácido e com estria.
E de frouxo, minha gente, já basta os cadarços da vida.
A caridade nem é tão cara assim.
Um lado do portão é seu, o outro é da rua.
Um lado da lua é de Deus o outro lado é meu
Você que prometeu!
Juan Barreto
Todo dia que começa é um novato tendo apenas algumas horas pra mostrar que é bom.
E o dia que sai, antes de bater o ponto, de bater a porta, deixa um bilhetinho na mesa do recém contratado:
"Seja melhor do que eu!"
Juan Barreto
Ninguém conhece você tão bem como a mobília da sua casa.
Juan
Achar o corpo de um amigo é inacreditável.
Beijinhos de aniversário são doces
Aniversário de beijinhos é doce.
O herói sem sua heroina seria só
O 'boy' sem sua heroina, cheira pó.
Sonhar é como passear com cachorro grande
Ou se anda lado a lado ou ele dispara na frente e te arrasta até derrubar.
Juan Barreto
Agora sou o oitavo de uma fila de oito. Numa mão um prato, na outra o cartão de crédito, na cabeça frases feias e ofensivas direcionadas ao caixa lento, na camiseta frases de Mário Quintana. Eu sou um cínico nato.
“-Ótimo! Churrasco frio num dia quente!” - Penso irritado.
Me acomodo numa mesa simpática. Sua superfície é amarela com pintinhas pretas. Parece um maracujá, parece uma banana, enfim. Lugares com uma grande circulação de pessoas como lanchonetes e rodoviárias, são uma ótima oportunidade de exercitar sua audição seletiva.
Mesa da frente. Duas garotinhas. Uma deve ter uns seis anos, a outra uns quatro.
Estão comendo sushi como quem come uma bolacha, A pequena peça de arroz parece um disco de hóquei em suas mãozinhas. A mais velha molha o sushi no molho shoio. A mais nova ao perceber isso, faz uma cara de assombro e alarde.
4 anos – Vivííííi... Você molhou seu bolinho ai?! Isso é sangue de peixe morto!
6 anos ( Que tinha acabado de enfiar um sushi inteiro na boca, para de mastigar e responde com a voz embargada) - É não!
4 anos (Olhos arregalados e fazendo voz de mistério) - É claro que é!
6 anos (engolindo levemente desconfiada) - Não é! (termina de engolir com ar de desafio) - Não é sangue de peixe morto!
4 anos apenas encara com repulssa.
Uns 10 segundos de encarada
6 anos (num muxoxo de choro) - Pare!
4 anos (Dando a risada mais gostosa que eu já ouvi) –Há, há, há. É nãão! Mas você pensou que era!
Que coisinha fofinha e malígna.
6 anos (Chegando mais perto da outra e diminuindo o tom de voz) - Vamos colocar isso no copo da Bia pra ela pensar que é coca cola??
Que coisinha mais fofinha e mais malígna.
4 anos (extasiada) – Vaaamo, vai, bota, antes que elas venham!
Elas enchem um copo descartável ate a borda de shoio e voltam a comer seus sushis com a naturalidade dissimulada de um espião russo. Em poucos minutos a mãe, que estava na fila pagando a conta, volta à mesa com seu pratinho e a filha mais nova, de uns três anos.
A mais nova percebe o copo de “coca”. Minha comida, claro já estava gelada como um cadáver há muito tempo, mas quem se importa? Eu quero é ver o fim disso.
Uma sensação incrível se apodera de mim. A de saber que a merda vai acontecer, saber que tenho o poder de evitá-la, mas simplesmente prefirir esperar e observar pra ver o que vai acontecer, porque é tão mais divertido!
Nossa, deve ser assim que Deus se sente!
3 anos – Co-ca!
Três pares de olhinhos brilhosos pousam ávidos e ansiosos em cima da de três anos como se fossem miras a laser. Os das duas irmãs e os meus, a uns dois metros atrás. Eu a essas alturas já sou cúmplice total.
Momento de suspense. Parece pênalti para o Brasil. É agora! Duas mãozinhas rosa-gordinhas erguem o copo da mesa...
Mãe - Onde vocês conseguiram essa coca? Eu não comprei refrigerante!
A mãe enquanto fala, toma o copo da mão da pequena que já ia a meio caminho da boquinha e o cheira. Farsa desmascarada. Enquanto escutam o sermão, a de 4 e a de 6 se olham com aquele olhar ardido furioso de “quase “.
Se olhassem pra trás veriam a mim também frustrado dando um soquinho discreto no tampo da mesa igual a um técnico depois de uma derrota de seu time.
Aproveito pra mudar de canal, afinal, um homem adulto encarando menininhas de seis anos é muito, muito suspeito. Na mesa a minha esquerda tem um gordo com cabelo moicano e camiseta do “Sistem of Down”, mas de seus fones altíssimos eu posso ouvir um sucesso antigo da Celine Dion. Me deu vontade de chamar a mãe da mesa da frente e dizer “Desmascare aquela farsa ali também Sherlock!”. A minha direita há uma velha senhora de cabelo curto e um semi-topete acajú que me lembra bastante o pica-pau. Ela fala alto no celular, visivelmente irritada: “Quando eu chegar em casa quero minha piscina limpa Ramon, não me importa como!”
Atrás de mim escuto um “pim” de microondas, que é o que de fato estou precisando agora. Levanto-me e peço pra moça de redinha no cabelo que, por favor, esquente meu prato. Ao voltar pra mesa, por via das dúvidas, ponho meu óculos escuros.
Juan Barreto
Todos dormem.
Um “Let it be” começa baixinho, vai crescendo, encorpando ate ecoar pelo quarto acordando a moça que dormia a pouco mais de um metro. Atordoada como ficam todos que são acordados, estica o braço e atende antes que Paul Mcartney acorde a casa toda.
“Let it beeee, let it beeee...”
-Oi, alô? Quem é?
Do outro lado alguém hesita, toma fôlego e fala.
-Desculpa ta te ligando.
Aquela voz, ela lembra de algum lugar, mas essa voz não deveria estar no seu celular.
Não mais.
Olha o visor. Estranho, estranhíssimo por sinal, mas o dono confere.
-O que você quer?
-Desculpa te ligar, ainda mais uma hora dessas. É que acabei de sonhar com você. Um sonho ruim e queria saber se está tudo bem.
-Sei, sei. Olha eu tava dormindo, amanhã eu tenho aula cedo. Desculpa, mas eu vou desligar. Eu estou bem. Tchau.
Ele não responde. Ela desliga e volta a se deitar ainda entre a raiva e a surpresa.
"Estranho, estranho e estranho. Depois de meses, ligar assim de madrugada, com esse papo furado, que idiota! A voz dele continua linda. - Ela pensa. – Péra ai... Madrugada?!"
Ela estica o braço e apalpa o montinho mais escuro no meio do escuro. Uma luz azulada meio arquivo x a cega, quando a retina se adapta a claridade ela vê o “1:21 a:m” no canto direito superior da tela. Sem pensar muito no que está fazendo, seu polegar aperta o botão verde. Coração bate forte.
A chuva chicoteia a janela. A tv mostra “Os Simpsons”, mas ele está na cozinha esquentando um leite com nescau. A voz do Marcelo Camelo avisa que alguém o chama. Ele com cinco passadas largas chega ao quarto, olha no visor. – É ela!
Coração bate forte.
Infantilmente ajeita os cabelos com os dedos e respira fundo antes de atender.
-Oi?
-Você não estáva dormindo. Você não dorme a 1:21 da manhã. O que você queria?
-Eu já lhe disse.
-Disse, mas eu não acredito.
-Ah, Não posso fazer nada quanto a isso.
-É? Pois diz ai como é que foi esse sonho. - Seu tom era irônico.
-Estávamos na sua casa, na janela. Eu ia colocar uma rosa no seu cabelo, mas o vento a levava, quando você se inclinou para tentar pegá-la, se desequilibrou e caiu.
-Hum.
-Pois é
(Silêncio)
-Sei não. Ta muito mentiroso esse sonho.
-Você precisava ver o que eu tive ontem onde eu era o baterista da Ivete Sangalo.
Ela ri. Ele sorri.
(Silêncio)
Ele quem fala primeiro.
- Mas tá tudo bem mesmo né?
-Tá sim.
-Certo.
-Então vou indo. Boa noite pra ti.
-Boa.
Desligam.
Ele está se sentindo mais imbecil do que nunca em toda a sua existência. Eufórico, mas imbecil.
Queria mexer nas suas configurações e desabilitar o ítem “impulsividade”, mas agora já era tarde demais pra isso e cedo demais pro seu dormir. Foi pro computador ver se se distraia pelo menos o suficiente pro seu sangue voltar a circular pelo resto do corpo, porque parece que ele estava todo concentrado na cabeça durante os últimos cinco minutos. A voz dela ainda estava grudada nas paredes do quarto, nas paredes dos seus tímpanos. Mas essa voz há de sair, assim como seu cheiro saiu de seus lençóis e de seus dedos. Talvez não hoje. Certamente não hoje.
Sentia se patético como um alcoólatra que comemora dois meses sem beber tomando um porre. De repente um som característico e uma plaquinha no canto direito inferior da tela.
Ele olha mais por instinto do que por interesse e quando vê o nome sorri com os olhos, boca e coração. Seres humanos e seus kit multi-mídias orgânicos.
Quase que simultâneo, uma barrinha laranja que há muito não dava as caras, pulsa:
"Fiquei sem sono :C
Tá no msn??"
O resto é Belle and Sebastian nas alturas. Tão bom não ter vizinhos nas horas de felicidade inesperada.
Juan Barreto
Dente de tubarão
A gente vai até onde dá, vive como pode, ama como deixam
A gente só controla o que tem botões ou fios
O resto é loteria
Envelhecer é perceber que só quem perde é livre pra experimentar uma nova entrada teatral, uma nova frase de efeito, um novo perfume.
É perceber que pode se criar constantemente novos costumes
Quem ganha vive engessado e acaba indo morar dentro do troféu
E teme que o tomem
Quem vence só enxerga a vitória, enquanto quem perde observa como ganhar.
Sua última página de vida foi em casa, a luz era âmbar e ele tocava músicas para a mobília.
Era madrugada e meia e tudo cheirava a conforto
Seu violão até o fim... Um nos braços do outro.
Um homem tem que ecoar pra sempre
Preencher mentes e ambientes
como um "lá" bem dado.
Juan Barreto
Já que nossos demônios escapam o tempo todo, seja pela boca, seja pelos dedos, não tem jeito.
Voce acredita no acaso?
Ou tudo é apenas ligar pontos e formar uma figura maior?
E insistir em existir?
É confiar no vão
e nao deixar cair
Não deixo não.
-É não deixar cair!
-Não deixo não!
Juan Barreto
Nem tudo o que se tem é temido
Nem tudo que se está sem é sentido
Nem tudo que está com é contido
Nem tudo que está é estalido
Nem tudo o que se fala é falido
Nem todo amor é amido
Juan B.
Ou o tempero desse seu chá
Não sei qual o aroma do seu narguilé
Ou que nuance tem esse seu "Lá"
O seu sorriso é o melhor da cidade
E as caretas alheias são a cara da má vontade
Eu ando no ritmo dos oceanos
Voce pode me encontrar em qualquer fuso-horário de qualquer meridiano
Eu sou do tempo em que sonhos serviam como massinhas de modelar
Eu sou da época em que nem toda novela das seis era de época
Se o meus papéis eram tão importantes pra voce a ponto de voce os furtar...
Então fique
Pra voce ver como eu mudei,
Em outros tempos eu mandaria voce enfiar!
O tempo que o mofo leva pra maturar é o tempo que eu me recupero cada vez mais rápido
Se era pra engolir esse sapo
Eu só posso ser a cobra
E eu sou mesmo
Da pior laia que existe
E como diz o ditado que eu mesmo inventei
Malandro que rouba palácio de rei
Que cai em pé e corre deitado
Um dia esquece o portão do barraco encostado
E quando menos se espera,tá lendo revista é no pé do ouvido do djabo.
Juan Barreto
Beijos molhados
Olhares dados sem pedir nada em troca
Abraços.
Há braços
e pernas pra que te quero!
Olho azul, dedo amarelo.
Cheiro verde na comida, cheiro vermelho no quarto.
Tudo é cor e eu posso provar.
Incenso intenso
invadindo pessoas à dentro.
Manhã magenta de sábado
Mãe, primos, tias.
Conversas de cozinha.
Xícaras
Na janela um quadro vivo do dia
chamado: “Uma chuva enxerida.”
Milhares de calorias
circulando dentro de pessoas frias.
Escrever errado é direito... meu.
Substitua o "muito obrigado" por "agradecido"
e deixe o efeito agir.
O agir gira.
Voar ao som de Yann Tiersen
Mastigar essas vibrações
e cuspir pra cima.
Respirar é uma dança moderna desenvolvida para envolver.
Pouco se sabe sobre o sorriso
Mas especula-se que foi algo inventado sem querer.
Juan Barreto
eu sou autor.
e voce é musa.
portanto, é voce quem vai mudar
você foi minha maconha, mas acho que ja passou a sua lombra.
Aproveite e vá passando você também.
Assim como na macúmba, o segredo é sair sem olhar pra trás
porque se não olhar pra frente, você tropeça e cai.
Juan Barreto.
Adoro viajar, mas detesto a parte da viagem.
Espero dormir.
Paulo veio aqui, pegou umas coisas e foi pra casa, quase sem dar tchau. Estendeu a mao, eu apertei e ele disse "Pensei q tu fosse dar a chave!"
Saudades do pequeno caio gabriel. muitas.
Mas é como dar um grito numa bolha, niguem escuta!
Meu onibus..ainda tenho que conseguir um taxi.
Juan B.
Essa impaciência.
Tudo quieto, todo mundo meio deitado, meio dormindo
Me dá uma vontade de pôr meus óculos escuros e simplesmente ir.
Ir andando.
E ir...e ir.. e ir..
e ir.
juan barreto
Que ruflem os tambores, pode ser a qualquer momento...
Abriu os olhos, a luz da matéria está acesa! Tem gente na casa!
Piscou, mordeu o ar, roçou sua língua na própria língua.
Espremeu as mãos estalando os "dedos- bambús"com força fazendo barulho de batata rufles sendo quebrada.
Ergueu o corpo da cama como uma mão que suspende um marionete, um pulso que comanda um boneco de vodoo, um fantoche.
Viu sua cara no espelho:
"Então esse é o grande sonho almejado pelas almas? Ter sua própria casca?! Grande bosta!"
E riu-se de deboche.
Hoje não estou pra modéstias, não estou pra moléstias, não estou pra aprender, nem pra compreender.
Nem pra pedir, nem pra emprestar.
Não estou na esquina, não estou na cozinha e não estou na sala de estar.
Hoje você não pode me encontrar facilmente numa locadora perto de você.
Hoje eu não tenho paciência e nem boa vontade.
Nem dó nem piedade.
Eu não sou relaxante, não sou methiolate de joelhos e corações esfolados, nem rico em vitamina C.
Eu sou só um bicho só
Um caramujo meio crú, meio cozido.
Agora chega disso
Que hoje eu também não tô pra falar e nem pra escrever.
Juan Barreto
Eu não!
Eu sou água fria num balde, doida pra me esparramar por inteira no seu chão.
Lá tenho paciência de ficar retida em cano, sendo tomada à copo, sendo botada no feijão?!
Me beba!
ME BEBA AGORA!
Me refresque mais uma vez com sua boca
Me aqueça mais uma vez com sua mão.
juan barreto
Acordou, tomou um gole de azul escuro, preferiu ir comer na feira.
Tomou chuva, tomou ônibus, tomou coragem nem que não queira!
Pensou nas suas certezas e nas suas vontades, tentou adivinhar qual grau de parentesco existe entre elas.
Qual o nível de afinidade.
Existem pensamentos que são que nem moscas, a gente espanta e eles voltam a pousar no mesmo lugar.
Ele estava assim fazia uns dias.
Coberto de moscas e de alegria
Essas alegrias medrosas são como correr em chão molhado.. medo de cair a qualquer momento.
Mas a maresia da serra sopra no ouvido dele, diz que não será disso que ele irá morrer, que ele pode apostar suas fichas nessa rodada.
Não todas, porque precisa ao menos de uma pra ligar pra casa no fim da tarde
Falar com sua mãe, dizer que está tudo bem, passar seus beijos pelas ondas, contar as novidades
Dizer que se sente feliz, que sabe amar, que é uma pessoa de verdade.
Juan Barreto
glitter no cu dos outros é refresco.
Chegou a época da putaria por cima dos panos
Ao menos uma vez no ano
Exceto na bahia
Que é putaria todo dia.
Carnaval lembra carne
Festival de carnes...Carnaval.
Minha "air guitar" já está afinada em sí béu márques.
Carnaval é como o efeito de um gol de falta, na vida do brasileiro
Meu medo do carnaval acabar é de Ivete virar santa.
Ai já emenda a festa de fevereiro até a semana santa!
Mas uma hora o réco réco para.
Uma hora a baiana para de rodar
Após a explosão e o esplendor de brilhos e cores, de charmes e encantos, tudo termina nas cinzas da quarta, e foi aii, SÓ AÍÍ, que Deus disse o "ufa" e descançou!
E tudo, claro, com comentários de lecí Brandão e Maurício Kubruksdce%¨¨#@%%&...
"Luis Caldas" forever!!
Juan Barreto
E hoje ele levantou não cebola, não azedo, não azul de fome.
Acordou dando bom dia pra cozinha vazia
Chamou as cadeiras e as xícaras pelos seus nomes
Escovou seus dentes e cabelos, teve uma noção de sí através do espelho
e pôs se a pensar enquanto ia para o trabalho, nos grandes que nunca cresceram, nos pequenos que só encolheram.
Nos que não lhe escolheram, nos que lhe esqueceram, nos que lhe acolheram.
Lembrou que era sábado e não estava atrasado.
Girou feito um compasso, voltou pra casa e fez uma bananada
Vendo tevê, pensou na pataquáda desorganizada que é essa agência de cupidos
Todos estupidos, entupídos
Não falam nossa língua, não são telepátas
Quase não servem mais pra nada
O miado grosso de uma zebra vindo de algum quintal vizinho o trouxe de volta a realidade.
Pegou um pensamento que tinha a moça bonita e o pôs embaixo da sua camisa
abraçando os seus joelhos e sua barriga
Pensou:
"Te aquecendo mais ainda, mais ainda, mais ainda!"
E no chiado da chaleira, ele dormiu dessa maneira
Parecendo uma torneira
Aquecendo seu carinho como um ovo
Mas ela também pensava nele por aqueles dias
E ela sorria enquanto comia
Tudo era tão novo
Que não havia o que saber se havia.
Ele tocava uma valsinha do fá sustenido pro sí menor
Enquanto ela girava em seu próprio eixo
Ela é como a terra, só que de vestido vermelho
Pára pra lhe dár um beijo
E pôe se a assobiar.
Juan Barreto
O balde encheu, o leite ferveu, já matou o que tinha que matar
E o que não dá mais é porque já deu.
Se o sapato já não cabe mais é porque o pé cresceu.
Nessa novela viva, o final não tem sexta feira certa.
Tudo está começando a cheirar a café da manhã
Tudo finalmente está começando a cheirar doce.
Alíce é um belo nome
Alíce é uma bela menina
Alíce é uma bela história
Senta alíce! O coelho correu e você nem morreu!
Um rosto como o seu eu não esqueceria.
Não um rosto como o seu
Até esqueceria..
Só pra me surpreender toda vez, toda vida, todo dia.
Juan Barreto
- Sumiram não! Tu que não tá mais sentindo! - Responde alguém do meio dos matos
- Não é que é mesmo!"
Tirou os sapatos querendo chorar
E foi se sentar na calçada, esperar o dia clarear.
Pra ir pra casa cansado
Exausto de não dançar.
Com a garganta fechada, a cabeça cheia e o coração apertado, ainda pensou antes de adormecer no ônibus lotado:
"Não lembro da música ter nem ao menos tocado!"
Que diferença isso faz?
Deus já não lhe deve mais.
Juan Barreto
Mas eu de fato não sei ler você
E você não sabe se escrever pra mim
De um lado falta habilidade
Do outro, interesse.
Juan Barreto
Com todas as felicidades, subidas e descidas no escorrega.
Com todos os sorrisos, os sorvetes de casquinha as casquinhas de ferida em nossas pernas
Os joelhos esfolados das brigas e do futebol.
Há quem só brinque, há quem brinque só
Há quem só olhe, mas não há quem olhe só
Porque sempre tem quem olhe pra nós.
Um olho morno olha por nós
Eu posso sentir.
A morte são nossas mães e babás nos chamando pra casa pra ir tomar banho e jantar, que já tá tarde.
E a gente esperneia, faz birra, pede mais um tempinho, mas sabe que quando escurece a gente tem que ir!
Juan Barreto
O menor pensamento torto, o menor sorriso fosco e seu balão pode estourar.
Pendurado como uma vírgula
Nem firme e nem forte
Nem "Oh!" e nem " Ah!"
Mas ainda assim ele está lá.
Sabe a sensação de que a lua está nos acompanhando? De que parece que ela está se movendo?
É o menino e seu balão, sendo carregados pelo vento.
Comendo estrelas como se fossem "corn flakes", como se fossem açúcar.
Comendo o queijo da lua
Bebendo água da chuva
Pendurado como um pêndulo
Eu ouvi uma música no piano, uma cantiga de ninar
Entra noite mãe
Entra dia pai
E nada da gente acordar
Não, ele não é a cegonha
Não, não é vergonha ter medo de cair
Já é dígno o bastante resistir as tentações, as estações, a gravidade, as tempestades.
A vontade de chorar, de rir
De se coçar, de dormir, de soltar.
Diz meu neto que o neto dele disse pra ele
Que apesar do pesar
Nem grande e nem coisa
Nem fede e nem cheira
Mais pra lá do que pra cá
Mas ainda assim ele está lá
Juan Barreto
O coração fala por código Morse
Eu sou que nem leite fervendo..Eu cresço do nada
Eu tenho meus medos mudos de que esse seu raio de sol seja apenas impressão
Daquelas que voce pensa que é um disco voador e no fim das contas era só um avião.
Tá dificil.
Mas difícil em "fícil" eu logo te alcanço e digo "Toma, voce deixou cair isso!"
Meu rosto semi arborizado, seu rosto semi ruborizado.
Será que agora vai?
Oh mine..
Juan Barreto
E o que resta da nossa festa é apenas fumaça de vela e guaraná quente.
Eu nunca sei o que fazer no meio de muita gente.
Se fico a mostrar meus dentes
ou se abro meus presentes na presença dos presentes.
Eu sei de um lugar onde podemos brincar em paz
Lá só se chega de balão e só se entra com senha que geralmente é um poeminha
Ordens do rei e da rainha.
Lá desenho casas, escuto casos
Escrevo coisas
E as coisas me escrevem de volta
Me mandam cartões no natal e rosas o ano inteiro
Endereçadas ao Sr e Sra Barreto
Numa época em que sorrir é artigo de luxo, ítem de colecionador, onde a alegria anda tão racionada, ai me vem você e me trás caixas e mais caixas!
Juan Barreto
não apague quando sair
deixa a conta vir alta
que é por uma boa causa.
juan barreto
Bruno Medina- tecladista dos los hermanos
meu corpo viaja pra um lugar, minha mente pra outro.
Quem segura sua mão dizendo"Não fica assim não nêgo!"?
Sem amigos, sem maezinha pra chorar
Ninguém pra perguntar se doeu
Caramba.. Deus é mais sozinho do que eu!
Mas mesmo assim..
Eu vou sair daqui
Aqui tem luz demais
O acaso e seus casais
sempre sentando na mesa ao lado pra me provocar
Parece que o dia nao me pos na lista dos que riem
Os barrados que se virem
Vire-se de frente pra mim
Entrelace seus cílios nos meus
Isso já é motivo pra sorrir.
E isso já me faz mais sortudo do que Deus
Juan Barreto
Vários subgrupos das mais variadas pessoas, conversando alto, bebendo muito, rindo forte. Um desses subgrupos era inteiramente composto por rapazes que falavam gesticulando exageradamente. Não eram mudos, eram jovens. Um enorme paredão de caixas de som tocava alguma coisa como "tum, tum tum, tchíííí , tum, tum, tum, tchííí..."
Um rapaz sai dos arbustos, andando reto, a passos firmes e rápidos. Quando se deram conta que ele vinha, ele já estava.
Um taco de sinuca se ergueu no ar como um arpão e desceu num “zííííp”, como uma espada cortando o ar, acertando o garoto mais alto na horizontal em cheio na orelha esquerda. Uma roda imediatamente se abriu.
"Pá!" "OOhhh!" "AAAAAhhh!!!"
Um dos amigos do atingido fez menção de reagir, mas o taco de sinuca estava em riste novamente, a parte do cabo voltada pra frente ameaçadora.Quem já pegou num taco desses sabe que pesa.
-Fique na sua! Eu nem sei quem é você, então não se meta!
A voz do agressor, apesar de ofegante era taxativa, ele não estava blefando.
O amigo ainda parou e ponderou o mais rápido que a situação permitia, e optou por recuar. Havia agora um círculo enorme e as caixas de som e os amplificadores estavam mudos, todos aos poucos iam emudecendo.
O agressor voltava a falar, agora pra todos.
-Só um segundo e logo explico.
"PÁ!"- Uma nova pancada com o cabo do taco acertando agora os joelhos do rapaz que se contorceu de dor no chão em posição fetal, uma mão apertava os joelhos (provavelmente quebrados) e a outra trêmula, apertava a orelha visivelmente estourada de onde escorria muito sangue , agora empoçando um contorno de sua cabeça no asfalto preto do estacionamento.
A palestra, o comício, a explicação agora nem precisava ser gritada. As atenções estavam voltadas de um jeito tão unânime para ele, que este, apenas falando se fez ouvir e impressionar.
-Esse... Lixo atropelou minha prima de oito anos. Passou com sua caminhonete cara por cima de sua bicicleta como quem pisa numa folha seca.
Ele não parou pra ajudá-la.
E como todo bom rico, esse rapaz não foi preso.Alegaram falha motora do carro. Que ele tentou freiar, mas o carro nao freiou, o que é obviamente uma mentira!
Após um breve momento de recomposição, o agressor tornava a falar como um professor explicando um teorema. Andava em circulos, o taco como uma bengala.
- Eu só vim aqui pra me certificar que ele não tenha mais o pé tão pesado.Ah, Seu martini senhor!
Ele puxa de dentro do paletó uma garrafa pela metade de martini bianco pela metade e a despeja sobre o corpo ainda encolhido no chão que agora grunhe baixinho como um cachorro novo. Após esvaziar a garrafa ele a põe delicadamente de lado, saca um isqueiro do bolso da calça e o atira aceso em direção ao morrinho encharcado de alcool que se debate como uma salsicha em óleo fervente. Grita, um grito perfurante e angustiante de dor.
As pessoas gritam e o clima de pânico é geral. Todos correm a esmo e gritam, uns por socorro, outros pela policia, outros por uma ambulância. Mas uma voz grita apenas por dentro, enquanto volta aos arbustos. Um grito subcutâneo de alívio.
“HILDA, A RUA É SEGURA OUTRA VEZ PRA ANDAR DE BICICLETA!”
Juan Barreto
com meus beijos, com meus cisos
mas o que tem dentro de voce é meu, e eu quero.
O que tem dentro de mim é seu, e eu te empresto
Juan Barreto
Os livros de capa grossa não passam frio.
A moldura perfeita pra voce seria o retangulo vertical da minha porta
Voce parada embaixo.
Seu vestido claro
Meu humor magro, hoje jantaria duas vezes.
Piscina de balas
Piscina de belas
Piscina de bilas
Piscina de bolas
Piscina de bulas
Piscina de bolhas, bulhufas.
Juan Bar...
J. Barr
Ela anda só, sem pensar em nada
Ela conhece atalhos que não estão no mapa
Sem se atêr a ninguém, ela só anda
Ela se cansa
não de sair pra ver o mundo, mas do mundo nunca estar em casa quando ela lhe visita.
Ela não acredita em fantasmas, mas reza pra Deus
No fantasma-mór ela acredita
Ela não dorme de luz apagada
mas quando fecha os olhos, arco irís se formam nas paredes de carne dos seus olhos
E ela viaja a se perder de vista
Ela pensa que sonhar é um filme que não se paga
Um filme!
E viver é um sonho que não se assiste
Tem que participar!
Pois quando é o caso de se acordar
Some se daqui e se aparece em outro lugar
Juan Barreto
Ah, eu tenho o seu carinho e voce tem o meu
Nessa historia toda voce ainda tem mais que eu
juan barreto
Deslizando pela garganta do mundo, eu penso:
"Você está em algum lugar ai fora"
E quando o mundo me cospe de volta
todos os dias na mesma hora e eu tenho que voltar ao meu apartamento, antes de dormir, sempre me lembro:
“Você está em algum lugar aqui dentro”.
Juan Barreto
Meus textos me expõem muito, e eu já me expus o suficiente por uma vida.
até um dia
Juan Barreto de Brito
Rua dos bobos n°0
Comprar flores!
Eram 119 rosas vermelhas, uma pra cada dia que se conheciam
Vendeu sua guitarra com o olhar fixo no "comprador", a feição dura, o queixo em riste, parecia que tinha um anzol invisível fisgando-o pra cima. Se olhasse pra baixo e a visse em mãos alheias, nao saberia se conseguiria se conter. É tão difícil dar adeus. Coração pequeno pra ser grande.
Mandou que a entrega das rosas fosse feita na primeira hora da manhã do sábado, em silencio, cobrindo todo o quintal da casa dela até o pé de sua janela, que nem ele havia visto uma vez num filme.
Foi pra casa e quase não dormiu de exitação. Esse negócio de ficar feliz pela felicidade alheia era novo pra ele. E ele estava gostando.
Ficou imaginando as possiveis reações.
E nesse mantra angustiante, adormeceu.
Sonhou com um amor cheirando a rosas, vermelho de felicidade.
No outro dia acordou mais cedo do que Deus e ligou pra casa dela, assim mesmo, as seis da matina. Se esperasse mais três minutos teria um infarto.
Uma voz atendeu arrastada do outro lado.
-Alô?
-Oi, desculpa acordar a Sra, dona Verônica, mas não aguento mais esperar.
-Meu filho, é você. (pausa)
A voz agora era penosa, mas ele estava tão ansioso que nem percebeu, e tornou a falar entre sorrisos. Passava uma corrente elétrica por sua coluna.
-Ela já acordou?
-Não meu querido. Ela não acordou
-Hum, e quanto as rosas?
(Silêncio breve)
-Morreu.
-OQUE? Mas todas?
A voz mais velha estava pouca, estava falhando.
-Não, só a minha!
E depois disso tudo foi um gemido de dor.
Um mais intenso na linha
Outro ainda atônito, se preparando pra doer, mas ainda sem saber por onde começar.
A vida não é vermelha porcaria nenhuma!
As rosas não são vermelhas porcaria nenhuma!
O vermelho não é mais vermelho porcaria nenhuma!
E a partir desse dia, nao existe mais nada vermelho, tudo não passa de apenas um leve avermelhado.
E ele? Ele levou assim mesmo rosas pra sua flor nesse dia e nos dias que se seguiram, e nos dias que lembram esse dia.
Até hoje.
Mas saudade mesmo, ele tem dos dias que lembram os dias que ele ainda tinha sua guitarra, que ainda tinha sua pequena e que não precisava forjar uma alergia como desculpa pra limpar o canto dos olhos marejados, sempre que avistasse uma rosa.
O mundo não é perfeito
O mundo não é vermelho.
Juan
I don't see what anyone can see, in anyone else but you
Eu converso comigo mesmo, eu ando a esmo.
Eu canto
No dia que eu achar o zíper dessa fantasia que eu uso, eu desuso.
No dia que eu achar meu lugar no mundo, eu me mudo
Pra lá.
Morar
Eu sei que esse texto é uma ferida aberta que pode infeccionar
Mas já perdi tanto
Que o que os outros acharem, tanto faz.
Eu só queria parar de achar que vai dar certo, antes que não dê.
Porque na procura do "tu", achar um "ele" é gramática má
É sofrer
É perder outra vez, mais uma vez
Querer é verbo que acaba com o sujeito
E pelo jeito...
Juan Barreto
Pelas ruas principais
Passando por todos os becos
Chegando e explodindo no meio
Em milhões de carnavais
.Juan Barreto
Autor:Juan Barreto
Era um daqueles feriadões que o povo já começa a se preparar com cinco, seis meses de antecedência.
Aqueles que caem na segunda feira, mas que a gente já começa a fazer corpo mole desde à tarde da quinta, passando pela sexta, já emendando no sábado e domingo e ainda comemora o último dia de farra da maneira mais anárquica que uma boa segunda-feira-feriado merece... Não fazendo absolutamente nada.
A família havia subido para o chalé na serra depois do almoço da sexta. Já era cinco horas da tarde, aquele horário que tudo vai ficando azulado e quem acorda da soneca de depois do almoço, nunca sabe ao certo se está anoitecendo ou amanhecendo.
Malcom tem oito anos e pra ele tudo além de azulado, está chato. Primeiro porque fazia parte daquelas famílias hipócritas que não se suportam, mas querem sempre tentar. Todos os seus tios, tias e primos da parte de mãe estavam reunidos na mesma casa, e como Malcom morou por um tempo na casa da avó, sabia muito bem que o chalé, nem mesmo a serra eram grandes o bastante para o caso de um parente pisar no calo do outro.
Segundo, porque estava com caxumba, portanto, não podia correr, pular, falar, rir, se abaixar, pegar em coisa pesada ou comer sem sentir uma fisgada nas bochechas e um sermão de um tio que estivesse por perto
-"Ó pra num descer essa caxumba viu!?"
-"Viu!"
...
Uma vez longe da cidade, os urbanóides acham que improvisar é de fato necessário. Deve ser algo que mexe com o imaginário e dá a sensação de que talvez estejam acampando nas savanas africanas, na ilha de lost ou em algum programa do discovery chanel. Robinson Crusoé, o santo protetor dos farofeiros de serra. O chalé apesar de pouco usado tem fogão a gás, forno, geladeira e tudo o mais, mas para o jantar de sexta... Salsicha frita na fogueira!
-Devíamos fazer uma cabana e acamparmos todos no terreiro da frente! - Diz o tio gordo do olho baixo que só bebe cachaça desde a hora que chegou.
"Claro, devíamos caçar ursos ao amanhecer!" - Pensa Malcom brincando na mesa rústica da cozinha com seu "power ranger verde”.
A noite seguia fria e com barulhos estranhos e estalos agudos vindo dos matos. A fauna local veio dar boas vindas.
Malcom nu, apenas de chinelinhas havaianas em cima de uma enorme pedra, as mãos em concha escondendo/defendendo sua “frente” e sua mãe lhe dando banho (improvisado, claro) com uma mangueira.
-P-P-Por que não posso tomar banho lá dentro?- tremia de frio Malcom
-Porque os canos dessa casa são muito velhos e pode ter sujeira dentro, ou até um bicho morto!
-E porque n-n-não posso dormir sem tomar banho só essa vez? É feriado!
-Até parece, meu filho, que vou deixar você dormir sem tomar banho!
Malcom não tirava os olhos da porta da cozinha que estava fechada.
E se uma das primas o visse ali?! Pelado!
Mas agora ele estava preocupado com outra coisa. Acabara de ver o que era pra ser uma pedra, se mexendo!Uma pedra cinza feíssima, com olhos redondos e negros se arrastando devagar. Era a primeira vez que via um sapo cururu assim de perto (perto demais!).
Custou a dormir, com dor nas bochechas, com fome e com o som do carro alto tocando sertanejo, as vozes altas das tias e os gritos dos tios já bêbados de tanta cerveja.
No sábado de manhã acordou com o silêncio da casa. Como chovera no comecinho da manhã, estava muito frio. Malcom se sentou no degrau único da varanda e pôs a explorar o terreno com os olhos. Pensou nos desenhos animados que estava perdendo naquele momento. Quis ir embora pra sua casa.
Letícia, sua prima mais nova havia acordado e vinha lá de dentro a passos macios e curtos, puxando sua boneca por um braço e seu paninho de dormir por uma ponta. A chupeta ficava enorme no rostinho pequeno.
-Tô com fome malcom! – Disse uma voz fininha e tímida embargada por uma chupeta.
-Eu também.
Letícia parecia um desenhinho japonês. Muito branquinha e com olhos vivos, mas lacrimosos e seu cabelinho curtinho chanel castanho e liso. Uma bonequinha. Era até quieta como uma.
Ela sentou ao lado do primo e deitou sua cabeça em seu ombro. E assim ficaram por um tempo. Calados, no frio da manhã, no frio da serra, no frio da infância. Esperando que algum adulto egoísta acordasse de seus sonhos bêbados e lhes fizessem comida e companhia, afinal, nenhuma das crianças pediu pra subir a serra no feriadão.
O que eu quero ser quando crescer:

A moça do baile e a moça do balé
A espuma no balde e a fumaça no chalé
Não fume! Dont fool me!
E essa chuva que não vem?
E Deus que me deve uma chuva
Deus é o papai noel dos adultos.
Que eu sempre calce o mesmo número daqueles que admiro e que amo em alguma instância, a qualquer distância.
Sob algum colorido
Alguma lente ou vidro
Côncavo ou convexo
Nossos ósculos e ampléxos.
Minhas crônicas agudas
Seu sorriso aberto e complexo.
É de mim ou é pra mim?
"É kalínin ou Kalinín?"
juanbarreto
Que daria pra modelar a silhueta de um boneco de neve.
Daria pra laçar um elefante
A gravata de uma montanha
O cadarço de um gigante
Sua vida é tão inérte
Sua vinda é tão infame
Que não há barco a motor ou gás de refrigerante
Que te jogue pela estrada a fora
Que te lance para o alto e avante.
Sabe os pouquissimos instantes que veem exatamente antes de voce gozar?
Quando a glória ainda não deu as caras , mas voce sabe que já está la?
Essas cosquinhas são os seus vinte e poucos anos rapaz
Tudo depois serão meros rompantes.
O líquido separado do bruto
Quando minha espediçao retornar da lua
Quando o que eu sou, nao for mais da minha conta
E sim da sua.
Seremos assim, imortais como duas esculturas
Voce de sal e eu de açúcar
Juan Barreto
Quem é capaz de chorar jamais morrerá de sede
Deixamos as trilhas para os Joaozinhos e as Mariazinhas.
Um violão sem cordas é apenas lenha
Uma lâmpada sem luz é apenas vidro fosco
Entenda, tudo era alguma coisa até deixar de ser
Há coisas que nascem podres, mas nada nasce ôco.
Juan Barreto
Não entendo a finalidade de outras.
Não coloco pedras sobre as histórias, e sim uma tampa de isopor, apenas pra evitar que se estrague ,que atraia insetos rastejantes ou alados ou mesmo o olhar de curiosos.
Isopor mantém o que é frio, frio e o que é quente, quente.
Aprendi que o que não presta também anda em duas patas.
Se voce convida o lixo pra entrar, ele é que vai te por pra fora no fim do jantar.
Não escrevo pra endereços, não tenho musas, nem lavo mais minha roupa suja com papel nem com tinta de caneta.
Deixo que os agentes sanitários, os lactobacilos vivos, Deus ou algum outro santo do zodíaco façam isso.
Eu sim, sou uma ilha. Uma ilha de edição.
E digo rindo do alto de mim mesmo,não espere pra ver, eu não tenho final.
Juan Barreto
Dito isso, ela bateu a porta do carro com a maior força que conseguiu reunir depois de..bom depois de tudo.
Caminhou (por que correr e coisa de criança, e ela já tinha dezessete anos) a passos apressados e profundos até a porta da frente da casa, os punhos cerrados de raiva. Ele dentro do carro assistia muito tranquilo, muito"relax" esse espetáculo de sons, gestos e vibrações que é o chilique de uma mulher, e olhava orgulhoso para sua própria mão direita.
Seu dedo indicador (que nome apropriado!) e o maior (e mais audacioso) de todos, ainda frescos, grudentos com o cheiro do novo.
Ela furiosa, antes de entrar ainda lançou um olhar maligno ao carro, ele em retribuição, mandou um irônico "V" da vitória acompanhado de um sorrisinho cafajeste nos lábios.
"Paz e amor é o caralho!"- Pensou ela.
Ela entrou rápido, ele sai macio.
Mais tarde, ainda na mesma noite, ela em seu habitual banho quente antes de dormir, sorri, e ri do seu acesso, ri como é boba, e ri como...é bom!
Nossa como é bom!
Poderia ter sido melhor, mas ela fez o que tinha que fazer.
Mal podia esperar pra ver ate onde ele iria no dia seguinte.
Ele vê tevê, mas não presta atenção na televisão.
Nossa como foi bom, como é bom!
Mas será que não tinha ido longe demais...pra ela?
Bom, mas fez o que tinha que fazer.
Mal podia esperar pra ver ate onde ela permitiria que ele progredisse no dia seguinte.
Juan Barreto
Não me obrigue a ser malvado.
Quanto a voce, pedaço de pedaço, meu neto ainda vai dar uma surra no seu e eu estarei por perto.
Entao nos olharemos de velho pra velho.
E voce vai ver que o que criou-se só, é mais forte do que o que voce arou...dê ó dó!
Que caia então tudo pra cima esmagando os anjos contra os astros!
Não ha sentido em reprimir um pé que clama por dançar.
Nem jogando uma mão de cal no passado.
Haverá cimento da cor do que eu sinto??
Certamente nunca haverá nem azul marinho tão fundo que nos separe, nem azul celeste suficiente acima das nossas cabeças para que nós inalemos como dois drogados.
Tragam-me mais!
TRAGAM-ME MAIS!
Colares e blusas a mais, pra aguentar os dias frios, frígidos e fingídos.
Não tem ameaça pairando porra nenhuma! Pare de cobiçar as minhas verdades, pare de reproduzir as minhas mentiras.
Pare de espiar por cima de meu ombro, voce vai engordurar minha nuca e manchar minha camisa.
Rochedos e penhascos dão uma ideia errada sobre si mesmo.
Eles só são sós, eles só são altos.
Potassio!
Esses discos de viníl estão precisando é de potássio.
E esse violão banguela, triste como um cachorro de três pernas.
Se hoje eu me tremo
É porque são muitas vidas acumuladas nesse corpo tão pequeno.
Juan Barreto.
Continuem dançando moçada, mesmo quando nossos quadris caquéticos e nossos frágeis joelhos
Não mais os impressionem pela agilidade do rebolado e sim pela beleza do samba-enredo.
Juan Barreto
ps. Feriado de Nsa Senhora Aparecida, mas que caiu num domingo morno...murph son of a b***
ps2. ( não, não é o video game) Pequeno (hoje) Caio Gabriel, voce manda! Façam tudo o que ele disser!
Que força é essa que não me deixa conhecer quem eu nao conheço e não me ajuda a conhecer quem eu já conheço?
A vida seria uma imensa loja de inconveniencias?
Claro..porque me convém...E era o que eu queria
Mas era o que eu temia
marcar de me encontrar e não aparecer
Voce vai ver..combinarei de te fazer feliz e não irei.
Pior que acordar no sonho é acordar do sonho
Meu humor merece um banho
Ele anda tão tristonho
É o incomodo de esperar o que eu terei.
Juan Barreto
Eu vejo que o meu peixinho já não faz mais tantas bolhas
Eu vejo que o rock in roll foi encaixotado em depósitos da tupperware e só pode se comunicar através de fones.
Onde mais eu poderia achar voce, que não fosse no vermelho discreto das minhas bochechas a te olhar?
No preto e branco da minha tv? no preto e branco do meu all star?
Sem o amargo, o doce não seria doce, seria comum.
As formigas escalam uma parede enorme e eu penso que de certa forma somos nós "subindo" na vida rumo ao que não se vê e sabendo apenas que nao se pode cair.
Eu vejo que minha árvore não tem mais tantas folhas
Eu vejo que meu plástico não tem mais tantas bolhas
Eu vejo que amor é primo legítimo de humor
Eu vejo que minha paciencia foi encaixotada em latas de toddy
Vê se pode!
Onde mais eu poderia achar voce se não fosse no seu sorriso colgate?
No meu momento Kodak?
Mãe, eu quero a minha caloi pra ir ver meu futuro de perto e saber se ele morde.
Vê se pode!
Juan Barreto
Ele podia sentir o sangue correndo mais grosso pela sua testa e bochechas.
Ele que sempre soube do aniversário dela, que sempre soube do que ela gostaria de ganhar, de como gostaria de ganhar, cor favorita, livro favorito. Ele que sabia de tudo a respeito dela, o que ele não sabia era dela.
Não sabia, por exemplo, que a vida ia colocar a perna na frente dele pra ele tropeçar.
Até a quatro segundos atras quando ainda não havia dobrado a esquina e não a tinha visto no portão, digamos... não sozinha.
Até a quatro segundos atrás ele era uma pessoa boa, a partir de agora, não podia garantir mais nada.
E ele petrificado numa via pública, olhou de esguelha para o poste mais a frente e sentiu semelhança, compreensão e até mesmo solidariedade vinda do concreto para o pré-concreto.
O que não daria agora por uma bombinha ninja, pra sair dali numa baforada de fumaça o mais rápido possível.
Com um buquê de Jasmins pra rimar com Yasmin (era sem dúvida um plano perfeito) bambo em uma das mãos não lhe restou mais nada a não ser girar nos calcanhares.O homem que tornou a cruzar a esquina e agora ia, não era, nem de longe, nem no cheiro, nem fodendo, o mesmo que vinha.
Ela..bom talvez ela fosse a de sempre, vai saber, e talvez continuasse assim sendo, mas ele e os jasmins não ficariam ali pra ver.
Ambos precisavam urgente de um copo de água pra ajudar a descer.
Juan Barreto
Não deixa meu ônibus passar direto me levando pelo espaço
Porque se ele passar do ponto, eu é que asso.
Deixa eu te contar um negócio:
O céu é azul porque Deus toda semana bota cloro.
O mar é salgado porque se não a muito tempo já o teriam bebido.
"Saudade" tem hiato pra na hora do divórcio o "u" não ficar tão sozinho.
Eu ouvi essas coisas da boca de uma ostra... e não de um passarinho.
E eu não estou mentindo!
Uma concha jogou sua lábia ao pé do meu ouvido.
Se ela saiu do sal ou nasceu do sol eu não confirmo e nem duvido!
Sobre aquilo que não é meu, eu sinto um ciúme monstro.
Não é ser cínico
Mas adoro a desobrigação de ser bonito
Bonito é estar vivo!
A gente morre reto, porque por aqui é tudo muito, muito torto.
Talvez eu seja o que chamam de melindroso.
Talvez eu seja a tampa no fim das contas e nao o poço.
Juan Barreto
que seu rancor ecoa mais que um tambor.
Não somos a prova de balas, de facas, de farpas.
Mas eu tenho o bip desgraça, veio de graça de fábrica
Eu quase sempre sei o que vai acontecer de errado e eu quase sempre estou certo
E eu me pergunto: "Como pode eu, sendo espirito velho
Ser sábio, porém crédulo?"
Ontem tirei a tarde pra nostalgiar.
Tudo sempre vai pra algum lugar
Nada fica suspenso.
Viajei anos luz na velocidade da luz, peguei o metrô retrô.
E sim.. eu ainda penso!
Somos pontinhos rosa cor de carne.
Somos todos da mesma vagem
Nao estamos é na mesma margem
Mas ainda estenderemos nossas toalhas pelo chão, hastearemos a nossa bandeira
Aplaudiremos em silencio o nascer do sol
Quer Deus queira ou não queira.
Juan B.
Após o viver tem que haver o sonhar
Até o pior mal-dizer virou açúcar ao saber "Nasceu o bem-te-vi!" Voce!
Voce é meu chalé úmido com cheirinho de chocolate quente
Eu sinto que voce sabe, eu sei que voce sente.
Voce é meu dia feliz começando as cinco da tarde
Eu sei que voce sente, eu sinto que voce sabe
Voce é minha casa de praia chuvosa como eu gosto
Voce é meu violão acústico e meu chuveiro elétrico
Haveremos de nos ver sim!
E nada de só no fim porque isso e besteira Isso é bobagem
Vira-se a ampulheta assim mesmo, na malandragem
Voltamos sabidos ao 'comecim"
Nada de saudade feia, nada de saudade.
Ju... Ba...
Riqueza e miséria são antonimos que reagem da mesma forma
Dominam e fulminam da maneira mais porca
Boa medida não resseca e nem sufoca
Boa pedida não vem crua e nem com crosta
Boas idéias contam com a sorte
Boas intenções contam com a desatenção do azar
Nas riscas dos azulejos, nas fendas das janelas e nas teias dos ralos
É nas juntas que se acumulam as impurezas
Por isso estalo os dedos a cada meia hora pra dispersar energia saturada
E me livrar da pele morta
Eu entranho na vida de voces como um cheiro de café fumegante
Eu adentro ambientes inteiros e tão interessantes
É estranho como tenho coragem de ter tais rompantes
Que o céu era verde eu sempre desconfiei, eu nao sabia era qual seria a tonalidade
Se seria o "verde - "olívia" agudo ou o grave
Quando ela cair em "si"e descobrir que o passar do tempo inocentou-"mi"não vai ter "ré" que a traga de volta.
E sem "dó", nem mágoa não estarei mais aqui, estarei pra "lá" do "sol".
Não tenho fé, eu tenho é "fá"
Juan Barreto
Sou o hidrante vermelho berrante
Coca-cola espumante e todo o resto das baixarias que eu também sei
Tem pessoas que a gente gostaria de ser como elas
Tem pessoas que a gente gostaria que fossem como nós.
Viver do passado é se esconder embaixo de um cobertor que não existe, com medo de monstros que também não existem.
Eu sou mau, eu sou bárbaro, sou tártaro, sou viking.
Eu sou a urtiga promíscua que queima seu juízo entupido de algodão.
Eu sou a vozinha na sua cabeça que sussura entre cada refeição:"Ligue pra ele!Porque não?!"
Eu tomo sorvete com garfo e tomo sopa com a mão.
Escrever é uma manifestação altruísta ou é a mais pura prepotencia disfarçada de ficçao?
Eu já acho que é meramente um ralo. O ralo dos réles.
Eu sou o trapezista maneta do triangulo das bermudas
Eu minto pra mim mesmo na cara dura, afinal, nós somos o pseudônimo de Deus.
Eu não sou interessante
O convencional é conveniente mas nao é emocionante.
Voce gosta de ser o urso de pelúcia encalhado na máquina com tantos outros ursos, a espera da garra que virá dos céus pra te tirar dessa.
Pois escute essa...
DEUS NÃO TEM MAIS MOEDAS!
Juan Barreto
Não somos iguais, nem em cor, nem aroma ou textura.
Nem por jeito, nem por força nem altura.
Mas quando te construo, de costuro com amor e linha grossa.
Seus humores verticais me fazem interpretar os sinais.
Seus olhos verdes dizem "AGORA!", mas o vermelho da sua boca diz "JAMAIS".
Não é a boca que diz. É o vermelho
E o meu amarelo não é de "Espere"
É de anseio.
Juan Barreto
Anderson estava saindo de casa, morava uma rua acima da pracinha do Jambo.
O tempo que ele levaria pra chegar lá, era o tempo que levaria pra que desse a hora combinada.
Anderson fechou a porta de casa e quando estava cruzando o jardinzinho da entrada, quase chegando ao portão de ferro ele sentiu o sangue descer.
O bom de fazer “negócios” com o Anderson, era a pontualidade. Bom, nesse tipo de negócio, isso é um pré - requisito básico, mas Anderson era um fanático.
Marisa se endireitou, ajeitou o cabelo, mudou de ombros a alça da bolsa cor de rosa bebê (que Marisa já estava chamando de “Afasta namorados”, mas, que se danem, ela adorava a bolsa). Pôs as mãos nos bolsos de trás das calças. Essa época do ano a cidade estava bastante fria, mas ela adorava o frio.
Anderson limpou a mão suja de sangue na parede da casa vizinha (lógico).
Sempre que ele ficava nervoso, seu nariz sangrava. Era assim desde pequeno
e essa noite ele estava nervoso, mas um nervoso bom, ancioso. Continuou andando até o fim da rua com a cabeça semi-levantada, pro sangue não descer.
Da esquina já dava pra ver a praça e a banca de jornais que ficava quase na ponta. Naquele horário só havia duas velhas gordas e arfantes sentadas num banco conversando sobre a novela. Elas usavam roupas que sugeriam um Cooper, mas muito provavelmente não passaram da terceira volta).
Mais ao fundo da praça, dois taxistas encostados em seus respectivos carros cochilava sob os capos de seus respectivos carros. Marisa ao lado da banca de revistas fechada brincava no celular.
Anderson chegou já sorrindo:
-Marisa!
-Anderson!
-E ai lindinha, te fiz vir nesse frio eim?
-"No worry baby!!” Amo o frio e além do que, trabalho é trabalho!
-Quanda responsabilidade.
Marisa sorri acanhada e pergunta indo direto ao assunto.
-Aqui?
-Se quiser ir ao meu apartamento, é logo aqui atrás, a gente pede uma pizza, ou comida chinesa...
-Aqui!
-Okey, discretamente então.
-O discreto chama mais atenção do que você imagina meu querido.
-Tem razão.
-Você fuma?
-Não, por que?
-Hoje você fuma.
- Marisa deu uma piscadinha marota e sorriu vasculhando a bolsa.
Gloss, dois chicletes, as chaves de casa, um isqueiro, as chaves do carro e uma carteira de cigarros “Lacrada”. Apalpou a carteira e entregou naturalmente para Anderson, que pegou desconfiado e trêmulo. Seu coração batia forte. Já havia comprado várias vezes coisas variadas a Marisa, tanto pó quanto LSD, tudo feito por ela mesma, doutoranda em química farmacêutica e que fazia esses pequenos serviços "extra-éticos" pra ajudar no seu orçamento. Mas essa era a primeira vez que comprava café - A substancia ezilada!
A sociedade sempre deu seu jeito de tornar feio, ilícito e mal-falado, aquilo que ela mesma não entendia ou não concordava. E as drogas por sua vez, sempre deram o seu jeitinho de ficar no varejo informal.
Mas o mesmo não acontecia com o café. Com o café era diferente! Erradicado do país a mais de cinquenta anos e punido com violência para os "transgressores".
Quanta excitação, pegar aquela carteira de cigarros cheia de café!
Café esse, que um dia foi comercializado simplesmente em toda e qualquer mercearia e consumido de crianças à velhos.
Anderson podia sentir o cheiro forte através da caixinha de plástico.
Não se conteve e perguntou a meia voz:
-Ei vem cá, eu nunca usei isso como eu faço?
-Ou tu tritura ele com um pilão e cheira, tipo pó mesmo, o que eu não recomendo por que assim não é muito eficaz. Ou tu ferve uma água, faz como se fosse um chá e bebe!
-E ai?
-E ai que dá a lombra! Você fica ligadão! Elétrico total!
-Uau , minha avó servia isso pras visitas e agora é proibido!
-Que nem nossos ancestrais índios faziam com a maconha rapaz, e que também ficou proibido!
Anderson põe a carteira dentro do bolso da frente da calça jeans.
Silêncio de quatro segundos.
-Doces ou travessuras, Anderson? - Perguntou Marisa zombeteira. Era a senha pro pagamento.
"Doces" era pra depósito em conta, "Travessuras" para cheque (é uma puta travessura, você ainda ter que ir descontar cheque)e dinheiro vivo jamais. Muita bandeira.
-Doces! Cairão na sua caixinha amanhã por volta das dez horas da manhã meu bem.
-Certeza?
-Tanto quanto tenho de que amanhece.
-Beijos então. Vou voltar ao meu humilde lar.
-Divirta-se!
-Você também!
-Com quatro dígitos na minha conta? Eu ficarei baby!
-Psssiu! - Marisa aproxima e Anderson sussurra:
-Cinco! Cinco dígitos! Um agrado, pelos incômodos nas noites frias.
Anderson era mesmo um achado! Rico, bonito, gente fina e ainda por cima generoso.
-Você é um amor! - Marisa beija-o no rosto e sente a barba mal-feita dele lhe arranhar a bochecha e a boca.
-Você também!Eles sorriem um para o outro e se despedem.
Ela entra no carro com a sensação de vazio já conhecida. Ela chama esse vazio de "vazio hélio" porque a vontade que dá é de sair sobrevoando lentamente pela cidade e suas luzinhas pensando na vida.
Procura no porta-luvas um cd, uma coletânea que ela fez pra ouvir enquanto dirige: Iggy, Ozzy, Moby, Beck e outros nomes esquisitinhos, mas legais.
Ele passa na lanchonete quase fechando e compra umas esfirras de carne e um refrigerante. Enquanto a mocinha vai buscar o pedido, Anderson pensa na loucura que deve ser na cabeça dos mais antigos, uma coisa que crianças e velhos consumiam aberta e inocentemente e que da noite pro dia, alguém decide que faz mal e simplesmente não se planta, não se fala, não se bebe mais. Pessoas morreram nas mãos da polícia por tomarem seus costumeiros cafezinhos. Ainda argumentaram em vão "Mas é com leite!!!" Plantações inteiras foram queimadas e o governo tomou várias terras em nome da definitiva reforma agrária. Que cínicos.
A garçonete voltou com o pedido, e Anderson agora voltando pra casa, repara como está frio.
Instintivamente põe as mãos nos bolsos da calça e sente a carteira de "cigarro" comprimida entre sua mão e sua coxa. Imagina agora num futuro hipotético, longe ou não, a cena de uma Marisa fabricando clandestinamente coca cola no porão de casa em vários barris e panelas de líquido borbulhante e depois os traficando em tubos de shampoo.
E ele comprando, claro!
Juan Barreto
A vida balança pra derrubar Chico

Chico passa despercebido
Chico não dorme, Chico não come, Chico não fala comigo
A valsa macabra, o bolero-lero azedo cantado em roda é muito macabro, é sinistro
"Capture com os olhos o que as mãos apenas salivam!” Mas Chico nao ouve o que eu digo
Se Chico não dorme, se Chico não come, um dia Chico vira palito
Chico não sabe se está vivendo meio morto ou agindo como um morto vivo
“Chico" não combina com o Chico
Chico esquisito, Chico é meu único amigo.
Chico não ri, Chico não canta, Chico não mais se maravilha
Chico nao consegue dormir tem dez dias, tem dez dias que chico não sente alegria.
Juan Barreto
Esperavam por Sara já tinha mais de uma hora e meia, até que um vira e diz:
-Telma liga ai de novo pra Sara e pergunta se ela ainda vem.
-Tá chamando... Chamando... Porra, essa vaca num aten... Sara? Cadê tu mulher? Ta bom então. Desligou!
-E ai?
-"Tô chegando cacete!"
-Essa Sara é pirada, qualquer dia desses apanha na cara pra deixar de ser desaforada!
-Já foi!
-O que?
-Já apanhou! Lembra não? No dia do flanelinha?
-Ah!
-Que dia do flanelinha? - Pergunta o terceiro
-Isso tem um ano e meio, mais ou menos. Eu, Sara e a Telma estávamos saindo de uma boate já bem umas quatro da manhã, mega bêbados! Ai na hora que a Sara foi tirar o carro, lá se vem o flanelinha pedir uma moeda.
-A Sara morta de bêbada diz pro cara com voz arrastada: "Olha, moeda eu não tenho nenhuma, maaaaaas pra você não ficar tristinho, faz assim: Põe teu pintinho pra fora que eu faço um boquete em você!"
A mesa se desmorona em gargalhadas
-E o flanela?
-Mudo! Assombrado! Tentando entender se ele tinha ouvido mesmo o que achava que tinha ouvido.
-Dentro do carro aquele silêncio agudo. Ninguém com ação nem pra rir.
-O flanela ainda murmurou alguma coisa, mas ela já bebáça e irritada manda: "Bóra rapá! Vou pagar com o corpo ué! Normal!Você é viado ou o que?"
-PUTA QUE PARIU!!!
- O cara contou até cinco e deu um cruzado de direito na cara dela e saiu correndo, chamando ela de vagabunda!
-Huauauauauau
-Nós ficamos em choque! A lombra da bebida passou instantaneamente, o soco acertou o olho cara!
-Nossa!
-Eu tive que dirigir no lugar dela.
-Enfim, um flanelinha com ética profissional!
-Ela tentou disfarçar o mega inchaço com uns óculos escuros, mas tava tão inchada a metade da cara dela que parecia um melão.
-E os óculos não acentavam, ficavam tortos na diagonal!
-Hahahahhaha
-E o pai dela! Quando viu começou a rir e disse que ela tava parecendo o doidinho deformado dos "Goonies"
-Putz, o Slot!!!
-Esse!
A mesa se desmancha em risadas.
-18,50 R$
-Hã?
SeuGarcia, o garçom velhinho, aliás, velhíssimo e já meio surdo, mas um amor de pessoa, estava parado atrás do Medina com um caderninho.
-Dá 18,50 R$
-Ninguém pediu a conta não seu Garcia, a gente tava só rindo, mas trás mais duas cervejas!
-E aquela historia da Sara com a maconha? - Pergunta Telma já rindo e acendendo mais um cigarro. - Vocês lembram?
-Ah essa eu já ouvi!
-Essa é mais recente.
O garçom volta trazendo "a" cerveja. Apenas uma. Enfim...
Nesse momento até os cascos de cerveja e os cinzeiros se ajeitaram na mesa pra ouvir melhor a segunda história.
-A Sara tinha encomendando vinte e cinco reais de maconha com o Hélio, e tipo... Ela já tinha ido na casa dele umas trinta mil vezes e ele nunca tava, ai na vez que eu fui com ela, ele tava.- Disse Medina servindo o copo dos amigos.-
Eu do outro lado da rua, escorado num poste morrendo de calor, daí lá vai a Sara bater palmas no portão e eis que o Hélio em pessoal é quem vem abrir. Eu me senti aliviado, primeiro porque tava numa puta fissura pra fumar, e segundo que não aguentaria ouvir a Sara resmungando mais uma tarde por causa de mais uma ida sem sucesso.
-É de lascar!
-Bom, lá se vem o Hélio e deposita na palma da mão estendida da Sara três míseros e minúsculos cubinhos de maconha e nada mais.
-Por vinte e cinco reais?
-Calma, escuta.
-A cena, meus amigos, era essa: Eu, a uns cinco metros, morrendo de calor e de fome me abrigando na sombra fina de um poste. Sara plantada em frente à porta do traficante com a mão estendida tal e qual uma mendiga e na palma da mão, três carocinhos raquíticos de maconha. O Hélio já quase fechando o portão, quando a Sara diz numa voz assustadoramente calma:
-"Ô Helio, vem cá! Cadê a pílula?”
-"Que pílula?”
-" Aquelas do chapolim! Pra eu ficar beeem pequenininha e poder me chapar com esses cocozinhos de rato que tu me trouxe! "
-"Ei doida, fala baixo!"
-"EU TO FALANDO BAIXO!"
-"Minha irmã, era o que tinha lá, desculpa aê!"
-"Sua irmã? Pois então já vi que eu sou a maior filha da puta do mundo, seu bosta!"
-HAHAHAHAHAHAHAHA
-Eu a essa altura já tava tão escorado no poste que por mim eu entraria logo no poste de vez, pra não passar aquela vergonha, Hahahaha. O Hélio entrou puto e bateu o portão na cara dela. A gente já ia saindo quando na esquina a Sara vira pra trás e grita indignada:
"SOU EU QUEM PAGA SEU SALÁRIO! TRAFICANTE DE MERDA!"
A mesa explode em gargalhadas outra vez, até os copos tilintam discretamente de tanto acharem graça.
-E vocês fumaram mesmo assim?
-Lógico!
Já são quase quatro da tarde, um feixe de luz solar de fim de tarde pousa sobre as garrafas secas dando realce em seu tom de cobre. Celular do Willy toca. É a lenda, o mito.
-Oi!Vem cá, que putaria é essa? Tu num vem não porra? Como assim? Péra aê! Ei pessoa, a Sara tá na casa da Luisinha e tá chamando a gente pra ir lá que elas tão fazendo chá de cogumelo, bóra?
-SEU GARCIA A CONTA!
-Ei Sara a gente tá indo... Beijo!
Seu Garcia chega com uma garrafa de cerveja reluzente e suadinha tremelicando sobre a bandeja.
-Mais uma geladinha, meus queridissimos!
-Não seu Garcia, dessa vez é a conta!
O apartamento está quente, a cidade está quente e ainda estamos em agosto, até dezembro piora. Até dezembro fica insuportável.
Na tv, a novela segue seu desenrolar lento, chato e previsível tão dum jeito, que deveriam se chamar "novelos".
Dentes sujos de chocolate branco, saliva grossa.
Calor e sede.
Quanto mais tenta se ocupar, mais se entedía e menos se entendia com o mundo lá fora.
Calor, sede e impaciência.
"The strokes on dvd player baby!"
Uma mão na caneta e a outra na caneca
Ele desenha meninas que lembram meninas que ele lembra
Calor,impaciência e preguiça.
Vários depósitos de plástico descansam em paz sobre a geladeira branco-mudo.
Um deles é especial. É chamado de "O kit"
Logo ele, o azul com branco, o mais inocente.
Poderia conter açúcar, arroz ou até um sanduiche de criancinha, mas Deus tinha outros planos para aquele tapaweare.
"Maconhammm" é sem dúvida um prazer polivalente. Tem um ótimo gosto, um ótimo cheiro, tem uma textura bacana e te dá otimas visões.. quanto a ouvir...bom.. não escute tudo o que dizem.
A cantiga druída começava:
"Chava,chava,chava,ajeita, prensa, enrola,aperta, lambe, pila, pila, pila, pila, torce aqui, torce ali, quase um origame.
Agora que o colchão ja era de algodão doce outra vez, resolveu dar mais uma chance a televisão
Olimpíadas, olimpíadas, mulher melão, carla perez nao come margarina, novela, novela, ahá.....Pica-pau!
Quando criança a mae nao gostava que assistisse pica pau, dizia que ele era perverso.
E ele era mesmo
E ainda é.
O pica pau é o verdadeiro peter pan.
Mal, sagaz, cínico e andrógino libertino.
Pela janela há chuva, mas nada de vento.
O vento é como um carteiro, um bairro de cada vez.
Não mais calor, não mais sede, não mais nada.
Há o bonito em mim.
Vista grogue da linha rósea tímida no canto de olho do horizonte se espremendo e pondo o sol pra fora, tal qual um ovo.
A medida que o sol ganha altura, o dia ganha velocidade
E ele sobreviveu.
A tv já está nos programas de comida de manhã. Ele lembra da mãe, de alguns amigos e de uma canção dos beatles.
O polegar direito amarronzado ( A mancha do saber) o lembra que o homem que não consegue entreter à si póprio, está sangrando em alto mar.
Banho quente, música quente , café com leite.
Pessoas mornas com sono, perambulando pelas ruas.
O dia veio com força.
Dia, dia, dia, dia...
Juan Barreto
Pequena por isso bonita
Bonita, porém inteligente
Inteligente, porém simpática
Simpática, porém sarcástica
Sarcástica, porém não muito
Ela que sabe que a felicidade há
E que bom mesmo é dormir de par
Bom mesmo é acordar junto
Juan Barreto
O mundo de alguma forma melhora
E eu te gosto, eu te gosto muito
Eu me sinto junto
Eu te quero muito junto
Como se o mar fosse invadir nosso país
E gente nem ai, e fosse se aprontar prai pra praia brincar de implicar com os sirís.
O que me diz?
Juan Barreto
Num só baralho as cartas se repetem, se revezam
Mas cada uma tem uma importancia diferente no mesmo jogo.
No baralho as cartas levam a sério o "diga-me com quem andas e eu te direi quem éis"
Se eu pudesse ir aonde me convém, não sairia do teu convés
Sua cama ficaria pequena pra nos três
Eu, voce e toda essa vontade de te ver
O que eu nao digo aqui grita como um mudo histérico
(...........)
Mas um dia eu digo o que aqui não digo
Um dia seu ouvido vai estar a um passo
Tudo vai estar a um passo
A um passo de um suspiro
Juan Barreto
Já teriam morrido de saudade ou de tédio, certeza!
Se minha alma anda andando onde eu acho que ela esteja
Talvez um dia desses a gente estranhamente "se veja"
Juan
Dói, mas sai!
Pedir desculpas é meu parto cesária
Tem que me cortar e arrancar lá de dentro.
Eu já fui a cartola do mágico, já abriguei coisas fantásticas
Eu hoje sou o saco do velho do saco, carrego apenas coisas básicas
Quando nao isso, apenas vento.
Orgulho é um conselheiro forte, porém burro, porém forte
Nos toma pelas mãos, entorta nossos braços pra trás e viramos seus fantoches
Os previsíveis morrem pela boca, os presunçosos de fome
Mas ontem só fui dormir depois que aprendi a tocar aquela música que tanto tu toca.
Que tanto te toca
As metáforas sinalizam ao longe como semáforos, como fósforos
Ruminando coisas caóticas e cáusticas.
>Juan Barreto
Tem nem vontade de cozinhar pois nao tem ninguem pra me ajudar a comer
A porta que costumava ficar sempre fechada, fechada, fechada
Era só fachada, fachada, fachada
Ah vai, diz que voce sempre sacou qual era a minha
Que tudo isso fazia parte do seu plano
Que eu sou o idiota que caiu na minha, na sua, na nossa pegadinha
E eu caio todo ano, todo ano, todo ano.
Eu nao sou o menino mais legal pra brincar ou ser amigo
Eu sempre acabo deixando os outros de castigo
Nao sirvo pra amar, só sirvo pra amargo
Voce sozinha se basta, eu sozinho me basto
Juan B.
Achar as pessoas boas é fácil, basta seguir as pessoas ruins e esperar que algumas boas caiam de seus bolsos.
Não deixe a maré chegar até o seu pescoço
O que é bonito também mata!
O que tem piedade também mata!
O que quer o seu bem também mata!
Tire essa areia dos olhos, ela nao lhe fará falta
Reze com as mãos em concha
Lá vem a onda!
Que os anos nao surtam efeito sobre nós
Que nós mesmos nao surtemos
Que o nosso "nós" esteja sempre na ponta da lingua, na ponta dos dedos.
Nossa embarcaçao ja deixou a muito tempo a certeza firme da foz
Que o nosso pós seja cheio de prós.
Que essa viagem nunca se acabe
E não me acorde
Me deixe dormir até tarde
Que eu to sonhando com a sorte.
Juan Barreto
Juan Barreto
Parte desse meu todo era apenas chato camulflado de calmo
Se fosse pra ir eu iria, eu viria, meio dia lá estaria eu
E eu fui de mala e cuia e de vento em poupa
Ela e a casa do botão dessa minha roupa
que nao seca nunca
Porque se secar eu molho com agua da bica ou agua da chuva
Ou a gente se muda!
Prum lugar sem tanta gente
Prum cantinho de parede
Onde o varal seja desnecessario, pois a nossa felicidade a gente pendura é na porta da frente.
Juan Barreto
Desenho:Juan Barreto
Pior foi dez minutos antes, quando o suor ardia em sua testa, seu cabelo longo contra o vento seco e quente das duas e meia da tarde batia nos olhos e entrava na boca causando afliçao e impaciencia. Ela sentada em um banco de praça, Trêmula de raiva, tão sem graça, tão sem chance contra as outras.E não foi fada-madrinha nem revista capricho quem a aconselhou.Tão pouco as irmãs mais velhas que ela não tinha.Ela mesma se pagou um sorvete e se acalmou mais. "Querem o sumo dos meus olhos?Pois não te molho! Não te molho!" Seu braço estava cortado na altura do cotovelo. "Droga, vai demorar pra cicatrizar , por causa do abre -e-fecha!" Pensou ela.Prática como sempre. Suas mãos sujas e vermelhas ainda ardiam da queda. Da cor do chão. Foi uma idéia estúpida, mas o que seriam dos humanos sem as idéias estúpidas..bom, seriam qualquer coisa menos humanos.Nunca fora boa mesmo em esportes, pra que essa agora? Nunca mais inventaria de se mover graciosamente ou acertar uma bola onde quer que fosse, nem em latinhas no parque pra ganhar ursinhos.. nao mesmo.
Caramujo,carcamano, carioca, caranguejo
Caricáta, carrapata,catarata, cacarejo
Clarice, claquete, claridade e clarinete
Esdrúxulo, esculaxo, ensopado de sabonete
Madre-pérola, esfirra folheada a ouro, cerveja de cereja e jaquetas de couro
Tão bonita de botina
Voce diria "eu te gosto"
E eu diria "Quem diria!"
Saindo da idade -média, entrando na "idade-mídia".
Quácio Barréto
-Mentira
-Que parte?
-Toda..sua historia e ridicula de tão absurda
-Voce que não tem imaginaçao
-Sua mente nao esta refrigerada..tome isso
-Eu nao preciso de nada pra ter imaginaçao
-Nao e por voce sua egocentrica sao eles...os pensamentos tem que ser atraidos cada lance de inspiraçao é uma tocaia que deu certo
-Eu queria voar
-Pra onde?
-Sei la, voar ouvindo enya
-Pode crer
-Voar ouvindo enya de noite
-Caralho agora eu quero
-Eu queria ter um cavalo agora..
-Eu queria saber cavalgar
-Se tem o cavalo o resto e afeiçao..hahahaha serio, nao importa nem tanto a musica o que da o mel e a cara do cantor
-É nao..o que da o mel e o jeito de indiferente que o rei trata a morte dos outros, a dele e celebrada a nossa e escondida
-Tem razao , mas eu tava falando de música
-E eu de vida!
-Pode crer!
....
-Da sua vida ou da minha?
-Da minha!
-seu egocentrico!
-Sou como lsd..eu sou dose única e individual
-eu sou como a maconha, na mao de todos, so sendo enrrolada
-hahahah gostei
-Eu estou falando da minha vida!
-E eu de drogas.
Juan B.
Juan Barreto
Pra mim custa acreditar que esse estado fascinante dura só seis horas
Queria ter um bar na lapa
Beba coca cola, cheire coca ou cola
O que não vai por uma cavidade, vai por outra
A natureza lhe deu tres opçoes na mesma cara
O inferno deve ser todo reto
E as putas e os viados dominarão o mundo com mão de ferro
Estamos aqui nesse quintal, nessa horta, nesse pomar
Estamos cemeando coisas
Conversamos
E as palavras conversam sobre nós
Eu as peguei mais de uma vez conversando
Os ônibus da cidade são os glóbulos brancos
Levando e trazendo as desóvas, as reprovas do dia a dia
Nós, pedestres, somos glóbulos vermelhos, índios peles vermelhas
desfilando arrogantes pelas arterias e avenidas
Somos expectros espertos da boa e da má vontade
Embaixadores, misses e misters do querer querer
Somos governadores órdinarios e extraordinários
das tardes frias do benfica
Somos os vaga-lumes do pote seco de maionese
Somos pedras de marte
E acreditem em quem viu de perto e de óculos escuros
A vida boemia de vênus é mais escrota do que a daqui ou a de mercúrio
Mas lá a cerveja é mais barata.
Juan Barreto
Vou por meu carro-pipa pra voar
Vou molhar o mundo todo
E meu alvo são os que não querem se molhar
Ha,ha,ha
Eu sou o chato
Um Gulliver eternamente inadequado
Eterno incomodado e insatisfeito
Sou preguiçoso demais pra ser perfeito
Mas tenho potencial
O foda é optar entre ser o teu e ser o tal
Não tenho paciencia pra ser festeiro
pois todo festeiro é acima de tudo um carente desesperado
Fizeram um trambique, uma maracutaia, um"gato"
no fio de alta-"atenção" do pobre coitado
É, o condenaram a ser um mendigo de folia,de gente,de barulho e de barato.
Não é a meia noite que ele vira fera e sim as cinco da matina
quando ate as latinhas secas de cervejas se recolhem aos seus sacos
E ele vai resmungar entediado sentado em alguma esquina.
Juan Barreto
"Baixaria"
e aparecer tres dias depois com uma pele otima e um sorriso no canto da cara
Eu preciso que alguem lave minhas camisas comigo dentro pra ver se eu pego uma corzinha
Meu lençol irrigece quando eu não me dou
Minha casa apodrece quando eu não estou
É por isso que eu não gosto de me ausentar, porque meu violão chora e depois vão dizer por ai que ele é viola.
E nós que dominamos o fogo com a boca, isso sim é que é bruxaria da grossa
Eu tamborilo meus dedos no tampo da mesa
É bom ver em mim mesmo a mesma
Juan o Barreto
cansei de te cansar com meus cansaços
Mas antes de ser um trapo voce já era fulêra
Não me venha agora com sua cara de cera
dizer que fui eu que não soube aproveitar a brincadeira
Porque eu sou a pedra que bloqueia a vista
e atrapalha a pista de quem passeia
A pedra que impede a vida
Atrasa a ida de quem anseia
Meu troféu é minha paz
E aqui jáz quem não mais bombeia
Quem nao bombeia mais
Juan Barreto
Eu mintosobre tudo
Minha casa não é onde eu disse que era, embora você tenha estado lá
Meu nome não é o que eu disse, embora minha mãe me chame por ele.
Na verdade não estou em outra cidade, estou no México onde tenho três amantes e um filho
ou seriam três filhos e uma amante?
Minto sobre sorvetes e apartamentos.
Não entendeu?...
nem eu!
Mas eu posso estar mentindo.
Juan
Ainda há escuro e é ai onde eu entro!
Eu ando pelas linhas finas dos banjos e os anjos pedem pelo amor de Deus pra que eu volte e eu prefiro pegar antes um solzinho sozinho
Sozinho a gente só fica mesmo na hora do aperto por que na hora da morte vem todo mundo pra ver e é bonito
É um nascimento onde a gente se vê nascendo
E tão bonito porque tem uma manta verde claro onde a gente se vê deitado
Envolto numa leveza fina como água da fonte
Mas me conte... Ha quanto tempo você não penteia seus cabelos?
Há quanto tempo você não sente uma vergonha que te faz olhar para os joelhos?
Juan
De vez em quando é comigo
As vezes o louco pára e pensa que a recompensa compensa.
Eu sonhei uma noite inteira em película de filmes dos anos setenta.
E o ar cheirava a morango
O que pedimos é o que diz quem nós somos
Pensar em voce me faz bem
Mas voce longe é como uma vela numa noite fria
É pouco mas é o que tem.
Inverno é estação pra se viajar sentado
É bonito estar vivo
É muito bonito
Estalactites nas pontas do corpo
E se tivesse que dar um último grito
Seria
"OUTONO!!!!!"
Juan
Pra frente!
Atrás de gente que esteja atrás de andar com a gente.
Juan Barreto
pois o preto me sufoca.
Que aquela senhora vestida de preto no meio do terreiro nao me faça mais medo e nao bata na porta.
Que eu possa
Que eu sempre possa
Que eu me recupere a tempo de engolir a seco esse orgulho idiota
Na porta numero um e a porta do que ja se foi
e pendurada nela uma foto de nós dois
A porta numero dois e o que ainda corre
É o que ainda passa
Nao quero que o passado vire impasse
nao admito trapaça
A número tres é o que há de vir
Mas descobri que nao há nada a vir
Existe é um "eu" a ir
Mas melhor que um "já " ou um "já -já" é um "agora-agora-agora"
O tempo vigora mas chega uma hora que ele simplesmente se esgota
Entao.....
Demora não!
Juan
Por aqui
E há de vir de lá de Deus
Prometeu, cumpriu e deu.
Eu que quis
Te procurar num sonho bom
Te tatuar numa "love song"
Te contar pro meu jardim
Entao
Pra aproveitar que esse verão eu estou são
Eu fiz os três pra garantir.
Porque ninguém me diz
O que há de ver, o que há de vir.
O que virá?
Será que a próxima música eu sei dançar?
Que dois pra lá - dois pra cá, não virará "Dois pra lá - dois mais pra lá"?
Que eu me durma
Que tu me sonhes
Que eles não chateiem.
Pois se eu tiver muita sorte
O neto do doutor Freud inventa o teletransporte antes de mim!
E eu que me sentia um pouco opaco
Esfumaçado como um desenho feito a giz
Estou mais pra passarim no mato
Arrupiado, espivitado mas feliz.
Juan Barreto
Eu que não
simplesmente por nao querer?
Pois a inveja nao é tao ruim quanto parece,nao é tão feia quanto soa.
Mas nao sou só eu, é voce também que nao merece
porque inveja...só de coisa boa.
Juan
As coisas e suas coisas
Ela é um ralo. Ela é um ralo.
Ela incomoda com silêncio, igual a um sapato apertado
Hummm... Sapato apertado, pronto, é só fumar!
Hoje eu acordei com uma vontade de dançar!
De revezar os verbos terminados em AR
E ao meio-dia, o sol â pino e eu sem um pino, mas um pensamento me faz sombra.
Tudo é turvo, mas não há tromba que não se desfaça com uma lombra.
Lembra?
Não tenho planos, não tenho plantas.
Um palhaço rei com um céu de lona.
Toda mulher guarda dentro de si uma monga.
Monga a mulher gorila!
A moda é foda, mas a coca-cola é mais ainda.
Na sua cabeça tem algo a mais que gomalina?
Pingue nos olhos uma gotinha de anelina.
É a vida finalmente colorida.
Eu mexo e vejo o que encontro em seus bolsos
Tudo aquilo que não for dinheiro é o que importa
É o que me conta quem eu tenho pela frente
Faz o seu que eu faço o meu, depois a gente troca entre a gente.
Lindo é um asfalto de pedra molhada
E quando eu virar uma foto amarelada?
Meio sépia, meio sério?
E se eu ficar quietinho ou to dormindo
ou to velhinho.
Juan Barreto
Fadado a continuar
Há uma interferência na minha cabeça
Você nada nua numa cachoeira
Onde a água é rosa de amores “passado-presentes”
Onde nesse clube eu não sou sócio, entende?
Hoje eu poderia jurar que senti um vento com seu cheiro, mas jurar assim é triste, é lamento.
Porque eu sei que isso não passou de uma viagem num trem – bala, florido em plena luz do dia.
Onde é possível ficar bêbado com água da pia.
E já chegar chorando-rindo no páis da nostalgia.
Minha mão é alucinógena, de uma magreza macia.
Minha porta é de camurça
Eu tenho um urso polar chamado “calorento”
O problema não são os ursos, são as ursas.
A poeira dos móveis é a caspa do tempo.
E tudo é uma oscilação entre uma esperança e uma suposição
Tudo é uma especulação
Ma isso é coisa minha, só minha, então não me intrometo.
São poucos os que engolem alfinetes e cospem a roupa já feita
São poucos os felinos que penteiam seus cabelos
São poucos os elogios que se aceita
Não se esqueça!
Juan Barreto
Conseguimos
Chegamos ilesos.
Em certos momentos nós fomos errados
A gangorra algumas vezes pendeu só pra um lado
Que não era o nosso, nós estávamos no outro.
Já sentimos o gosto de soro caseiro saindo do olho
Conseguimos superar algumas expectativas.
Nos livramos de algumas manias
Passamos um ferro naquela roupa sorumbática
Que usávamos pra dormir, pra sair e que não tirávamos mais pra nada.
Passamos a roupa adiante
Passamos a vez adiante
Por mais que eu me adiante não adianta
Sempre tem um quadro torto
Uma cadeira fora do lugar
Uma vista escurecendo
Conseguimos tomar esse sorvete sem nos melar
Mas nesse São João eu fiquei meio sem par.
Juan. Barreto
Pequeno como uma noz
Tá faltando fôlego, tá faltando voz.
Só a revolta de uma revolta sem sentido
E um choro que a principio não sai, mas vai.
É outra vez outra vez
Pensei que você fosse alguém que eu conhecia
Pensei que você fosse alguém.
Pensei que com você fosse dar certo
Impossível, com essa sua pessoa errada
Não percebi a tempo
Ih , só lamento
Isolamento
Queria de verdade ser aquele que vai te inspirar a mudar
E sairia nos jornais em letras garrafais:“DESABROCHOU!!!”
Você é a borboleta me escapando pela janela que eu mesmo deixei aberta.
E eu sou a mariposa contornando o poste
Você é o poste
Tudo de repente parece ser tão inalcançável que me sinto um hipócrita em desejar a alguém um “boa sorte!”
Juan Barreto
........_.........--........
Sempre que a vida nos der uma porrada devemos nos levantar o mais rápido que pudermos e sair correndo pra que ela não nos acerte de novo e quando estivermos longe o suficiente ai sim gritamos “Vai bater em alguém do seu tamanho sua filha da puta covarde!”.
Juan Barreto
olhando o nada
ouvindo os grilos
Juan Barreto
Instruções para não se tornar um estruído
Há quem goste do lírico
A solução seria uma rosa talhada numa pedra lascada
Ou um coração feito de couro de vaca
Não abdique de certas mesuras
Porém não gaste tantas firúlas
Arrastando asa pra galinha
Porque ela já tem duas.
A casca daquela árvore daria um belo filé ao molho
Para o almoço daquele moço
Ele é quieto, come pouco e não se importa com o insosso.
Lembre-se que grades, sejam elas vermelhas, pretas, rosas ou amarelas.
Ainda assim são grades
E não existe uma calça jeans que caiba no rabo do cometa halley.
O palhaço disfarçado de engraçado
Chorou ao ver que ainda havia um rosto
Por baixo de tanta maquiagem.
Não precisa ser um dos brincos do mundo
Mas sempre que possível morda fundo
Não caia na vala
Não faça como o povo daquela casa
Que qualquer coisa é um "valha!".
Que qualquer coisa é o fim do mundo.
Antes sem assunto
Do que um assustado
Juan Barreto
Era uma menina linda, mas para meu azar eu a conheci numa noite em que ela não queria conhecer ninguém.
Porque conhecer significa aprender, apreender.
E naquela noite ela não queria armazenar nada, ela queria justamente o contrario.
O contrário de ficar.
Ela queria ir
Ela queria se esvaziar
Ela queria se esvair
Se esvair de dançar
Se esvair de beber
Se esvair pra sumir
Se esvair de chorar se fosse o caso.
Naquela noite choveu muito e eu lembro do cheiro dos telhados molhados
Eu lembro de já estar lá com ela, mas não lembro de ter chegado.
E se a gente percebesse que o sol mesmo nublado
Não deixa de queimar, a gente não perdia a esperança assim tão fácil.
E aquela pessoa que está naquele pedacinho de "não sei onde"
Pode estar escondendo muito mais do que a si própria.
Mas sentimentos sabem nadar meu bem!
E um dia obteremos respostas.
A maçã que não é tonta nem nada já se faz de natureza morta que é pra não virar torta
E o que aconteceu com o heroísmo frugal de outrora?
Chegamos ilesos.
Em certos momentos nós fomos errados
A gangorra algumas vezes pendeu só pra um lado
Que não era o nosso, nós estávamos no outro.
Já sentimos o gosto de soro caseiro saindo do olho
Conseguimos superar algumas expectativas.
Nos livramos de algumas manias
Passamos um ferro naquela roupa sorumbática
Que usávamos pra dormir, pra sair e que não tirávamos mais pra nada.
Passamos a roupa adiante
Passamos a vez adiante
Por mais que eu me adiante não adianta
Sempre tem um quadro torto
Uma cadeira fora do lugar
Uma vista escurecendo
Conseguimos tomar esse sorvete sem nos melar
Mas nesse São João eu fiquei meio sem par.
Juan Barreto
Tão “novinho em folha”Tão “brinquedo na caixa”Tão “roupa nova que ninguém usa por que se não suja!”.
Não é medo de morrer, é pena de não poder viver mais.
Como uma carta que você precisa muito escrever, mas ai o papel acaba.
E você com tanto assunto entalado na garganta da mão.
Deixar os dias pra esse povo que não sabe usar!
Você não rouba um livro, você salva um livro da morte certa, porque sabe que vai cuidar melhor dele.
E ele vai ser mais feliz com você do que com qualquer outro
Tenho carinho por livros.
Livros são meus animais racionais de estimação.
O som mais lindo é a palavra certa dita pela boca certa nas horas em que tudo parece estar errado.
E a cozinha que sabe de todas as conversas e todas as tragédias da casa?!
Presencia todos os fatos, às vezes feliz, às vezes chocada.
Mas sempre discretíssima, nunca fala nada.
E no dia que as fossas se abriram e eu me agarrei nas pernas das mesas, das cadeiras, das pessoas, dos meus óculos, dos sacis e na do pirata da perna de pau?
E quantos vermes não se escondem por trás das mais lindas maçãs?!
E os amores que você gosta sabendo que te faz mau, e eles te fazendo mau, sabendo que estão gostando?
É estranho!Ou talvez não seja não!Estranho é ler Paulo Coelho e dizer que entendeu e gostou.
Estranho é passar mais de vinte anos na escola e ainda não saber o teorema de Pitágoras.
Estranho é comer caranguejo que você tem que espancar á pauladas o coitado já depois de morto.
Bom é quando come e dá alergia e a pessoa fica toda inchada!A vingança fúnebre do caranguejo!Caranguejo... Taí um bicho que eu acho normal. Seguido dos unicórnios e dos dragões, é claro.
Juan Barreto
Morangos

Quero morangos
Quero um capuchinno com chantilly
Tomo um gole longo pra não mais dormir.
Eu observo com enfado os enfadados
Sou no fim das contas o doce e o amargo
E se assim antipático eu pareço é porque não pereço.
Eu mesmo me faço, eu mesmo me desfaço em milhões de pedaços,eu mesmo me refaço com todo o cuidado.
Um caleidoscópio entrando em combustão expontânea.. um mosáico.
Morrerei se for o caso
Mas não assim... encolhido em um canto de parede.
Todos saberão que o cadáver teve que cair, e não meramente ficar onde já estáva.
Sentado sentindo frio perante ao sol.
Isso não é bom, isso não é normal..
Isso sou eu!
Juan Barreto
De molho Tártaro
Tomar de um góle só! Ou pelo menos "gut-gut" 
Nós dois cheios até a borda
Imerso, apenas com o rosto de fora.
Mas será que eu todo é que não ando por fora?
Eu acho!
Aliás, eu perco.
Eu sempre perco!
Eu me azedo com o que escuto, eu me azedo com o que vejo.
Eu não consigo conseguir!
Eu divago divagar
Sobre ela que continua bonita demais
E isso é perigoso demais
Então porque ela ainda me atrai?
Até onde isso vai?
Juan Barreto
A casa-barco
Miólos à fondue
E no caldeirão que é a mente humana quando se levanta fervura acaba trazendo um vapor mal-cheiroso que vem das coisas mal-dissolvidas que habitam o fundo da panela como destroços de navios no fundo do mar.
Essas coisas nós já vimos e não as veremos mais, mas sempre sentiremos sua presença, seu fedor fantasmagórico nos lembrando que ainda existem.
Volta e meia ouviremos o arranhar sutil de suas barrigas no casco da panela.
Enquanto elas nadam, eu e que fico engelhado.
As algas marinhas, as ervas-daninhas que se camuflam nas águas turvas de uma tina de carne.
Os peixes que não se come, os monstros que não se sabe.
Juan Barreto
A ilhota e o calhorda
Eu me sento á mesa e como com vocês
Eu como um de vocês
Mas eu não sou um de vocês.
Nem tudo que eu digo é uma lei
Ou um conselho, uma sentença uma previsão ou uma maldição.
Eu só queria atenção.
Eu crio uma rosa em uma gaiola
Há o medo
Há o anseio e o receio
Mas o medo está ali, impávido não tem recreio.
E eu só quero ser feliz
Só quero andar contente
E quero ver quem é que diz
Que não aposta mais na gente.
Nem só de angustias vive uma mente criativa
Hoje eu sou o mais feio
Hoje eu sou o mais burro
Hoje eu sou o mais besta
Hoje eu sou mais eu.
Insone involuntário
Paciente passional em estado terminal
Sei que não é a capa que faz o super-homem voar
Muito menos aquele "S" vermelho
E sim a certeza de poder dizer em último caso
"Fodam-se eu não sou daqui mesmo!"
Fiquei com isso na cabeça "É impossível musicar meus textos".
Mentira! Dê-me uma lata e uma colher e mostrarei como se faz um fá.
Lá, lá, lá.
Eu ainda estou aqui, mas sou involuntário esqueceste?
Daqui a cinco minutos eu posso estar dormindo e só acordar na virada da maré
Lembra de nos vermos na virada verme?
Pois eu já estou lá e já escolhi as armas!
Canetas!
Defenda-se na minha frente verme! Já!
Dessa vez não espere eu viajar
Covarde, corra pra sua mãe e apanhe dela de chinelo.
Enfie um taco de sinuca no seu cu e outro no do seu querido cônjuge. Diga-lhe que é meu presente de casamento.
Onde eu estava mesmo?
Ah sim! Num coreto fazendo palavras cruzadas de perninha cruzada e tudo o mais
Tanto faz.
Só digo que ninguém mais bate portão na minha cara
Principalmente você minha cara
Tão mal servida da vida
Um ilhazinha doida que não sabe nem em que raio de oceano está.
Cercada de fraqueza por todos os lados.
Você é uma ilhota
E ele um calhorda
Um casal de idiotas
Vocês rimam! Que bonitinho!
Vocês chorarão
E eu passarei rindo!
Quintana me encanta!
Juan
E o cinza um dia há de desbotar!

Foto: Juan Barreto
Era uma vez um menino que não conseguia dormir
Os maus pensamentos entravam pelos seus ouvidos
Ficavam em sua cabeça
E depois não queriam sair
Não serei eu quem dará o que você merece
Não serei eu quem dirá o que você merece
Direi apenas o que você não merece
Eu.
Mais uma vez eu limpei minha casa
Pra receber o amor que mal chegou e já veio dizendo que não veio pra ficar
"Eu não posso demorar!"
E eu fiquei com cara de "menino que não pode sair pra brincar"
E eu chorei como choram os meninos que não podem sair pra brincar
E o cinza um dia há de desbotar!
Juan Barreto
Azul madrugada
De madrugada é como se só eu estivesse acordado no mundo inteiro
Mas madrugada é assim mesmo, você dorme e eu te protejo.
Eu queria uma parede com as flores mais bonitas do mundo.
E no meio delas estaria você
Eu queria você na praia
Eu queria uma parede com as camas mais bonitas do mundo.
E no meio delas estaria uma flor.
Minha vida agora levaria uma trilha com guitarras havaianas
Tlan, tlan, tlan!
Eu calçaria minhas havaianas e levaria minha guitarra pela trilha da minha vida
Até chegar a chegada... E eu chegaria!
Eu quero comprar vestidinhos e bonecas para minha filha
Eu quero me apresentar pra cem mil pessoas
Eu quero ser apresentado a uma só
Eu quero sentir vergonha de olhar direto nos olhos
Coisa que honestamente eu não gosto
Mas se forem nos seus eu olho.
Eu já quis me fundir a uma pessoa, de tal forma que não se saberiam de quem era esse braço ou de quem era essa perna.
Eu já quis me mudar pra casa dela.
Eu vou querer um sorriso embrulhado pra presente
Eu vou querer o meu beijo bem passado.
Eu vou querer o que eu já quis e ainda quero
Eu vou querer o de sempre...
Só que agora o meu é pra viagem!
Juan Barreto
Calor âmbar num dia ímpar
Imagine um sol enorme todo feito de retalhos laranjas e amarelos
Transpirando um calor âmbar num dia impar.
Eu rego a cuspe um pequeno cacto que me olha lá de baixo com um olhar de esperança e um sorriso de descrença.
"Estamos todos perdidos!"
"Ora, o que é isso!"
Há também um espantalho de braços abertos como o cristo, imagino ser ele o senhor de tudo isso.
Imagine uma lua branca enorme.
Como uma bola de golfe gigante em um céu anil.
E um chão tão vermelho que às vezes penso que estou me desfazendo sem perceber.
Igual a um lápis que vai ficando cotoco, se acabando de tanto escrever.
Se acabando de baixo pra cima
E se eu ficar sem rima?
E se eu ficar sem rumo?
E se eu ficar sem remo?
E eu que nunca fui a Roma!
Eu me espremo
Até sair a última gotinha de azeite que sempre fica.
Eu sou saudosista.
O mundo todo é o meu quintal
Com ela eu andaria de mãos dadas
A ela eu confiaria minhas páginas amarelas
Por ela eu aprenderia um instrumento, eu arrumaria argumentos.
Eu me repartiria
Com ela eu partiria
Com ela eu teria
Por ela eu apararia minhas arestas.
Eu daria festas e mais festas
Eu a aninharia pra sempre num abraço
Não daria nem mais um passo
Conseguiria abarcar o mundo com a perna
Estaria ao lado dela.
Juan Barreto
A camisa xadrez
Vendo o que combina e o que é combinado
Vendo que a vida é um cortinado
De bordados e penduricalhos
E nem tudo que não é retalho necessariamente precisa ser rebotalho
Nada mais gostoso do que um emaranhado
De panos remexidos e desarrumados.
Vamos fazer um ninho
Que o demais fica pequenininho.
E eu pensando cá com meus botões
Que ásperos mesmo são os lençóis da insônia
Que por ventura abafam choros de madrugada
Enxugam lágrimas que ardem nos olhos, queimam no peito feito amônia.
Juan Barreto
O que não pode ser diluído
Lá vou eu buscar o que restou de mim preso ao bueiro
O que não pode ser diluído
E é com a alegria de um garimpeiro
Que eu me deparo não com um “eu” esfacelado, quase morto.
E sim com um “eu” melhor que antes.
Completamente inteiro!
Juan Barreto
Domingo Deus não folga
Deus tem um humor negro e sem graça
Deus tem um humor amargo
O sábado de chuva transbordou a calçada.
E o domingo já chegou alagado
Era tanta água caindo
E a lama que escorreu
sujou tudo... até eu!
O domingo me pegou dormindo.
A moça do piano me fez chorar
E quem não fez?
A moça do piano já sofreu?
Talvez
A moça do piano me deu uma olhada segura
E mesmo através do vidro pude sentir sua ternura.
E eu que criei o amor no curral junto com os burros?
Porque os burros amam!
Pobres burros “burros”.
Não somos os mocinhos
Muito menos anjinhos
Você cansou de mim e eu descobri o vinho.
Angústia aguda de domingo
Angustia fininha
Angústia que eu me pergunto "será só minha?"
Juan
Eu hoje estou amargo
Eu hoje estou travoso.
Eu hoje sou tamarindo
E quero ficar assim
Imaginando que as coisas são ruins
Eu hoje não quero ninguém rindo
Ainda mais perto de mim.
O pessimismo e a sensação de que há um culpado a pagar por tudo, me acalma.
Reclamar me faz bem.
Cheguei a uma conclusão e é com enorme tristeza que digo que ninguém vale a pena.
Ninguém!
Ao que me parece, elas... Aquelas... Essas! Esqueceram de tudo.
O meu nome e aonde me encontrar
Só lembram do que precisam lembrar
Porque só eu que me lembro de tudo?
Os gostos, os gestos, os cheiros e os olhares,
Os toques, as roupas, os beijos e os lugares,
Os dias, as luzes, as luas e os luares,
As datas, as palavras, as entonações e os jantares.
Os nomes, os codinomes, as imagens e as mensagens.
As músicas, as ruas e os abraços que mesmo tendo sido milhares
Hoje eu procuro ao menos um, caído atrás do sofá e não acho e não há quem ache.
Eu tenho por escrito tudo aquilo que vocês deixaram pra trás.
Eu saí catando o que vocês não queriam mais.
Minha vida é um quarto bagunçado
O novo às vezes me irrita
Sim, porque os idiotas encaram o novo como algo necessariamente bom, e não é!
Há o novo que realmente vem pra passar uma vassoura nas teias de aranha dos cantos de parede, mas há também o novo nocivo!
O novo 'ladrão de doces' que as crianças tanto temem.
O novo 'velho do saco' que leva as pessoas embora nas costas.
Tudo estava tranqüilo até o novo chegar com suas escavadeiras.
O novo é a onda inconveniente que destrói o castelo de areia que demorou uma tarde inteira pra ser feito.
Eu nunca aprendo nada por completo, nada direito.
Estou sempre estagnado num ponto entre o começo e o meio
Odeio a palavra medíocre.
A sensação de ser medíocre.
A mediocridade alheia também é algo que me incomoda e que me sufoca como um gás venenoso.
Nada funciona! Nada dá tempo! Nada é pra agora! Nada é pra sempre“Porque pra sempre demora!”
Nada é do meu jeito! Nada fica em pé direito!
Mestrinho mandou... ficar inconformado!
Juan Barreto




























