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Minha alma tem diabete por isso às cicatrizes custam tanto a sarar, quando saram!
Sempre que a vida nos der uma porrada devemos nos levantar o mais rápido que pudermos e sair correndo pra que ela não nos acerte de novo e quando estivermos longe o suficiente ai sim gritamos “Vai bater em alguém do seu tamanho sua filha da puta covarde!”.

Juan Barreto
Quero ficar quieto como ficamos em um fim de tarde num sítio
olhando o nada
ouvindo os grilos

Juan Barreto

Instruções para não se tornar um estruído

Há quem goste do rústico
Há quem goste do lírico
A solução seria uma rosa talhada numa pedra lascada
Ou um coração feito de couro de vaca
Não abdique de certas mesuras
Porém não gaste tantas firúlas
Arrastando asa pra galinha
Porque ela já tem duas.
A casca daquela árvore daria um belo filé ao molho
Para o almoço daquele moço
Ele é quieto, come pouco e não se importa com o insosso.
Lembre-se que grades, sejam elas vermelhas, pretas, rosas ou amarelas.
Ainda assim são grades
E não existe uma calça jeans que caiba no rabo do cometa halley.
O palhaço disfarçado de engraçado
Chorou ao ver que ainda havia um rosto
Por baixo de tanta maquiagem.
Não precisa ser um dos brincos do mundo
Mas sempre que possível morda fundo
Não caia na vala
Não faça como o povo daquela casa
Que qualquer coisa é um "valha!".
Que qualquer coisa é o fim do mundo.
Antes sem assunto
Do que um assustado

Juan Barreto



Era uma menina linda, mas para meu azar eu a conheci numa noite em que ela não queria conhecer ninguém.
Porque conhecer significa aprender, apreender.
E naquela noite ela não queria armazenar nada, ela queria justamente o contrario.
O contrário de ficar.
Ela queria ir
Ela queria se esvaziar
Ela queria se esvair
Se esvair de dançar
Se esvair de beber
Se esvair pra sumir
Se esvair de chorar se fosse o caso.
Naquela noite choveu muito e eu lembro do cheiro dos telhados molhados
Eu lembro de já estar lá com ela, mas não lembro de ter chegado.
E se a gente percebesse que o sol mesmo nublado
Não deixa de queimar, a gente não perdia a esperança assim tão fácil.
E aquela pessoa que está naquele pedacinho de "não sei onde"
Pode estar escondendo muito mais do que a si própria.
Mas sentimentos sabem nadar meu bem!
E um dia obteremos respostas.
A maçã que não é tonta nem nada já se faz de natureza morta que é pra não virar torta
E o que aconteceu com o heroísmo frugal de outrora?



Juan Barreto

Nós chegamos ao fim da linha sem perder a linha.
Chegamos ilesos.
Em certos momentos nós fomos errados
A gangorra algumas vezes pendeu só pra um lado
Que não era o nosso, nós estávamos no outro.
Já sentimos o gosto de soro caseiro saindo do olho
Conseguimos superar algumas expectativas.
Nos livramos de algumas manias
Passamos um ferro naquela roupa sorumbática
Que usávamos pra dormir, pra sair e que não tirávamos mais pra nada.
Passamos a roupa adiante
Passamos a vez adiante
Por mais que eu me adiante não adianta
Sempre tem um quadro torto
Uma cadeira fora do lugar
Uma vista escurecendo
Conseguimos tomar esse sorvete sem nos melar
Mas nesse São João eu fiquei meio sem par.


Juan Barreto
Eu ando muito porque morro de preguiça de morrer parado
Tão “novinho em folha”Tão “brinquedo na caixa”Tão “roupa nova que ninguém usa por que se não suja!”.
Não é medo de morrer, é pena de não poder viver mais.
Como uma carta que você precisa muito escrever, mas ai o papel acaba.
E você com tanto assunto entalado na garganta da mão.
Deixar os dias pra esse povo que não sabe usar!
Você não rouba um livro, você salva um livro da morte certa, porque sabe que vai cuidar melhor dele.
E ele vai ser mais feliz com você do que com qualquer outro
Tenho carinho por livros.
Livros são meus animais racionais de estimação.
O som mais lindo é a palavra certa dita pela boca certa nas horas em que tudo parece estar errado.
E a cozinha que sabe de todas as conversas e todas as tragédias da casa?!
Presencia todos os fatos, às vezes feliz, às vezes chocada.
Mas sempre discretíssima, nunca fala nada.
E no dia que as fossas se abriram e eu me agarrei nas pernas das mesas, das cadeiras, das pessoas, dos meus óculos, dos sacis e na do pirata da perna de pau?
E quantos vermes não se escondem por trás das mais lindas maçãs?!
E os amores que você gosta sabendo que te faz mau, e eles te fazendo mau, sabendo que estão gostando?
É estranho!Ou talvez não seja não!Estranho é ler Paulo Coelho e dizer que entendeu e gostou.
Estranho é passar mais de vinte anos na escola e ainda não saber o teorema de Pitágoras.
Estranho é comer caranguejo que você tem que espancar á pauladas o coitado já depois de morto.
Bom é quando come e dá alergia e a pessoa fica toda inchada!A vingança fúnebre do caranguejo!Caranguejo... Taí um bicho que eu acho normal. Seguido dos unicórnios e dos dragões, é claro.


Juan Barreto

Morangos
















Quero morangos
Quero um capuchinno com chantilly
Tomo um gole longo pra não mais dormir.
Eu observo com enfado os enfadados
Sou no fim das contas o doce e o amargo
E se assim antipático eu pareço é porque não pereço.
Eu mesmo me faço, eu mesmo me desfaço em milhões de pedaços,eu mesmo me refaço com todo o cuidado.
Um caleidoscópio entrando em combustão expontânea.. um mosáico.
Morrerei se for o caso
Mas não assim... encolhido em um canto de parede.
Todos saberão que o cadáver teve que cair, e não meramente ficar onde já estáva.
Sentado sentindo frio perante ao sol.
Isso não é bom, isso não é normal..
Isso sou eu!


Juan Barreto

De molho Tártaro

Tomar de um góle só! Ou pelo menos "gut-gut"

Foto: Juan Barreto
Eu fico boiando dentro dessa banheira com água quente
Nós dois cheios até a borda
Imerso, apenas com o rosto de fora.
Mas será que eu todo é que não ando por fora?
Eu acho!
Aliás, eu perco.
Eu sempre perco!
Eu me azedo com o que escuto, eu me azedo com o que vejo.
Eu não consigo conseguir!
Eu divago divagar
Sobre ela que continua bonita demais
E isso é perigoso demais
Então porque ela ainda me atrai?
Até onde isso vai?

Juan Barreto

A casa-barco


Foto: Ângela Berlindes

Eu quero morar numa casa-barco
Onde suas luzes lúdicas gritam "SEJA BEM-VINDO!!!!"
Com o calor neón e a beleza hipnótica de um carrossel, mas com o ímpeto atrevido de uma montanha-russa.


Juan Barreto

Miólos à fondue

Hoje de noite estava eu polindo meus óculos pra clarear os pensamentos
E no caldeirão que é a mente humana quando se levanta fervura acaba trazendo um vapor mal-cheiroso que vem das coisas mal-dissolvidas que habitam o fundo da panela como destroços de navios no fundo do mar.
Essas coisas nós já vimos e não as veremos mais, mas sempre sentiremos sua presença, seu fedor fantasmagórico nos lembrando que ainda existem.
Volta e meia ouviremos o arranhar sutil de suas barrigas no casco da panela.
Enquanto elas nadam, eu e que fico engelhado.
As algas marinhas, as ervas-daninhas que se camuflam nas águas turvas de uma tina de carne.
Os peixes que não se come, os monstros que não se sabe.


Juan Barreto

A ilhota e o calhorda

Eu leio alguns livros mais de uma vez
Eu me sento á mesa e como com vocês
Eu como um de vocês
Mas eu não sou um de vocês.
Nem tudo que eu digo é uma lei
Ou um conselho, uma sentença uma previsão ou uma maldição.
Eu só queria atenção.
Eu crio uma rosa em uma gaiola
Há o medo
Há o anseio e o receio
Mas o medo está ali, impávido não tem recreio.
E eu só quero ser feliz
Só quero andar contente
E quero ver quem é que diz
Que não aposta mais na gente.
Nem só de angustias vive uma mente criativa
Hoje eu sou o mais feio
Hoje eu sou o mais burro
Hoje eu sou o mais besta
Hoje eu sou mais eu.
Insone involuntário
Paciente passional em estado terminal
Sei que não é a capa que faz o super-homem voar
Muito menos aquele "S" vermelho
E sim a certeza de poder dizer em último caso
"Fodam-se eu não sou daqui mesmo!"
Fiquei com isso na cabeça "É impossível musicar meus textos".
Mentira! Dê-me uma lata e uma colher e mostrarei como se faz um fá.
Lá, lá, lá.
Eu ainda estou aqui, mas sou involuntário esqueceste?
Daqui a cinco minutos eu posso estar dormindo e só acordar na virada da maré
Lembra de nos vermos na virada verme?
Pois eu já estou lá e já escolhi as armas!
Canetas!
Defenda-se na minha frente verme! Já!
Dessa vez não espere eu viajar
Covarde, corra pra sua mãe e apanhe dela de chinelo.
Enfie um taco de sinuca no seu cu e outro no do seu querido cônjuge. Diga-lhe que é meu presente de casamento.
Onde eu estava mesmo?
Ah sim! Num coreto fazendo palavras cruzadas de perninha cruzada e tudo o mais
Tanto faz.
Só digo que ninguém mais bate portão na minha cara
Principalmente você minha cara
Tão mal servida da vida
Um ilhazinha doida que não sabe nem em que raio de oceano está.
Cercada de fraqueza por todos os lados.
Você é uma ilhota
E ele um calhorda
Um casal de idiotas
Vocês rimam! Que bonitinho!
Vocês chorarão
E eu passarei rindo!
Quintana me encanta!



Juan

E o cinza um dia há de desbotar!


Foto: Juan Barreto

Era uma vez um menino que não conseguia dormir
Os maus pensamentos entravam pelos seus ouvidos
Ficavam em sua cabeça
E depois não queriam sair
Não serei eu quem dará o que você merece
Não serei eu quem dirá o que você merece
Direi apenas o que você não merece
Eu.
Mais uma vez eu limpei minha casa
Pra receber o amor que mal chegou e já veio dizendo que não veio pra ficar
"Eu não posso demorar!"
E eu fiquei com cara de "menino que não pode sair pra brincar"
E eu chorei como choram os meninos que não podem sair pra brincar
E o cinza um dia há de desbotar!



Juan Barreto

Azul madrugada

Foto: Juan Barreto

Só se contenta com o pouco quem nem o pouco tem com que contar
De madrugada é como se só eu estivesse acordado no mundo inteiro
Mas madrugada é assim mesmo, você dorme e eu te protejo.

Juan Barreto
Eu queria uma cama na praia
Eu queria uma parede com as flores mais bonitas do mundo.
E no meio delas estaria você
Eu queria você na praia
Eu queria uma parede com as camas mais bonitas do mundo.
E no meio delas estaria uma flor.
Minha vida agora levaria uma trilha com guitarras havaianas
Tlan, tlan, tlan!
Eu calçaria minhas havaianas e levaria minha guitarra pela trilha da minha vida
Até chegar a chegada... E eu chegaria!
Eu quero comprar vestidinhos e bonecas para minha filha
Eu quero me apresentar pra cem mil pessoas
Eu quero ser apresentado a uma só
Eu quero sentir vergonha de olhar direto nos olhos
Coisa que honestamente eu não gosto
Mas se forem nos seus eu olho.
Eu já quis me fundir a uma pessoa, de tal forma que não se saberiam de quem era esse braço ou de quem era essa perna.
Eu já quis me mudar pra casa dela.
Eu vou querer um sorriso embrulhado pra presente
Eu vou querer o meu beijo bem passado.
Eu vou querer o que eu já quis e ainda quero
Eu vou querer o de sempre...
Só que agora o meu é pra viagem!



Juan Barreto

Calor âmbar num dia ímpar

Foto: Juan Barreto

Imagine um sol enorme todo feito de retalhos laranjas e amarelos
Transpirando um calor âmbar num dia impar.
Eu rego a cuspe um pequeno cacto que me olha lá de baixo com um olhar de esperança e um sorriso de descrença.
"Estamos todos perdidos!"
"Ora, o que é isso!"
Há também um espantalho de braços abertos como o cristo, imagino ser ele o senhor de tudo isso.
Imagine uma lua branca enorme.
Como uma bola de golfe gigante em um céu anil.
E um chão tão vermelho que às vezes penso que estou me desfazendo sem perceber.
Igual a um lápis que vai ficando cotoco, se acabando de tanto escrever.
Se acabando de baixo pra cima
E se eu ficar sem rima?
E se eu ficar sem rumo?
E se eu ficar sem remo?
E eu que nunca fui a Roma!
Eu me espremo
Até sair a última gotinha de azeite que sempre fica.
Eu sou saudosista.
O mundo todo é o meu quintal
Com ela eu andaria de mãos dadas
A ela eu confiaria minhas páginas amarelas
Por ela eu aprenderia um instrumento, eu arrumaria argumentos.
Eu me repartiria
Com ela eu partiria
Com ela eu teria
Por ela eu apararia minhas arestas.
Eu daria festas e mais festas
Eu a aninharia pra sempre num abraço
Não daria nem mais um passo
Conseguiria abarcar o mundo com a perna
Estaria ao lado dela.






Juan Barreto

A camisa xadrez

Eu sou uma camisa xadrez solta num mundo completamente listrado
Vendo o que combina e o que é combinado
Vendo que a vida é um cortinado
De bordados e penduricalhos
E nem tudo que não é retalho necessariamente precisa ser rebotalho
Nada mais gostoso do que um emaranhado
De panos remexidos e desarrumados.
Vamos fazer um ninho
Que o demais fica pequenininho.
E eu pensando cá com meus botões
Que ásperos mesmo são os lençóis da insônia
Que por ventura abafam choros de madrugada
Enxugam lágrimas que ardem nos olhos, queimam no peito feito amônia.


Juan Barreto

O que não pode ser diluído

Agora que toda a água suja já escoou pra dentro do esgoto
Lá vou eu buscar o que restou de mim preso ao bueiro
O que não pode ser diluído
E é com a alegria de um garimpeiro
Que eu me deparo não com um “eu” esfacelado, quase morto.
E sim com um “eu” melhor que antes.
Completamente inteiro!

Juan Barreto

Domingo Deus não folga

Foto:Juan Barreto




Deus tem um humor negro e sem graça
Deus tem um humor amargo
O sábado de chuva transbordou a calçada.
E o domingo já chegou alagado
Era tanta água caindo
E a lama que escorreu

sujou tudo... até eu!

O domingo me pegou dormindo.
A moça do piano me fez chorar
E quem não fez?
A moça do piano já sofreu?
Talvez
A moça do piano me deu uma olhada segura
E mesmo através do vidro pude sentir sua ternura.
E eu que criei o amor no curral junto com os burros?
Porque os burros amam!
Pobres burros “burros”.
Não somos os mocinhos
Muito menos anjinhos
Você cansou de mim e eu descobri o vinho.
Angústia aguda de domingo
Angustia fininha
Angústia que eu me pergunto "será só minha?"

Juan

Tamarindo

Eu hoje estou amargo
Eu hoje estou travoso.
Eu hoje sou tamarindo
E quero ficar assim
Imaginando que as coisas são ruins
Eu hoje não quero ninguém rindo
Ainda mais perto de mim.
O pessimismo e a sensação de que há um culpado a pagar por tudo, me acalma.
Reclamar me faz bem.
Cheguei a uma conclusão e é com enorme tristeza que digo que ninguém vale a pena.
Ninguém!
Ao que me parece, elas... Aquelas... Essas! Esqueceram de tudo.
O meu nome e aonde me encontrar
Só lembram do que precisam lembrar
Porque só eu que me lembro de tudo?
Os gostos, os gestos, os cheiros e os olhares,
Os toques, as roupas, os beijos e os lugares,
Os dias, as luzes, as luas e os luares,
As datas, as palavras, as entonações e os jantares.
Os nomes, os codinomes, as imagens e as mensagens.
As músicas, as ruas e os abraços que mesmo tendo sido milhares
Hoje eu procuro ao menos um, caído atrás do sofá e não acho e não há quem ache.
Eu tenho por escrito tudo aquilo que vocês deixaram pra trás.
Eu saí catando o que vocês não queriam mais.
Minha vida é um quarto bagunçado
O novo às vezes me irrita
Sim, porque os idiotas encaram o novo como algo necessariamente bom, e não é!
Há o novo que realmente vem pra passar uma vassoura nas teias de aranha dos cantos de parede, mas há também o novo nocivo!
O novo 'ladrão de doces' que as crianças tanto temem.
O novo 'velho do saco' que leva as pessoas embora nas costas.
Tudo estava tranqüilo até o novo chegar com suas escavadeiras.
O novo é a onda inconveniente que destrói o castelo de areia que demorou uma tarde inteira pra ser feito.
Eu nunca aprendo nada por completo, nada direito.
Estou sempre estagnado num ponto entre o começo e o meio
Odeio a palavra medíocre.
A sensação de ser medíocre.
A mediocridade alheia também é algo que me incomoda e que me sufoca como um gás venenoso.
Nada funciona! Nada dá tempo! Nada é pra agora! Nada é pra sempre“Porque pra sempre demora!”
Nada é do meu jeito! Nada fica em pé direito!
Mestrinho mandou... ficar inconformado!


Juan Barreto
Pronto
Acalme-se, respire-se, responda-se...
Deus finca morada ou o carteiro tem que persegui-lo aonde quer que ele vá?
Há um endereço na caixa de correio?
Há uma caixa de correio? Há uma caixa preta? Nem que seja lá na caixa prega?
Piro-ilusionismo, puro iluminismo, empirismo, primos de primeiro grau, queimaduras de primeiro grau.
Praticidade pra que?Precisa programar ou prever a pratica do prazer?
Um biltre, um crápula pragmático de sorriso cítrico e de olhar crítico.
Praguejando impropérios em sua cripta.
Quebrando pratos como os gregos, pelo prazer primitivo de destruir.
Craseando todos os “Ais” de sofrimento.
Um troncho.
Brandindo, brigando e dizendo obrigado!
E os outros gritando: ”Bruto! Grosseiro! Depravado!”.
Cruel e drástico eu dramatizo ainda mais o trágico.
É triste.
Cretinice é travestir um crime cravejando-o de cristais constrangendo os demais.
Eu crio, eu transformo, eu prezo o que me apraz.
Eu preciso transpor esse braseiro que me atrasa.
Deixar o fogo transcender e virar apenas brasa.
Que se apaga que se apaga que se apaga.
Que se acaba que se acaba que se acaba.
Juan Barreto
Cinco da manhã não é hora de escrever.
Afinal, cinco horas da manhã é hora de que?
De dormir? Que coisa mais clichê.
De comer vendo tevê?
De se lembrar de um bem–me-quer
Ou se esquecer um mal-querer?
A vida anda tão mentolada.Os centímetros entre uma boca e a outra são exatamente o que são... Centímetros!
E o medo de unir uma na outra é exatamente o que é...
Medo!
E a vontade, nunca (NUNCA!) é só vontade!
O que te pôs no meu caminho, mulher?
Quem me pôs no teu?Quem tramou tudo isso?
E nesses desencontros malditos se eu não for e você não vier?
Ficamos assim? Perdidos?
Apenas pensando como seria se tivesse sido?
Ninguém bebe mais a água da ponte?
Uma fonte dos desejos sem pedidos?
Que desperdício.
Juan Barreto

"Abre essa janela, primavera quer entrar."
Marcelo Camelo