Funcionário do mês

CRÔNICAS, CONTOS E TEXTOS POÉTICOS, NÃO POESIA.

FORTALEZA - CE

Os frutos da noite, é claro, são os vagabundos.
Me custa acreditar que esse estado fascinante chamado 'madrugada' dura apenas algumas poucas horas.
Lembrando que noite é uma coisa, madrugada é outra.
Adoro quando dizem 'madrogada'.
Beba coca cola, cheire coca ou cola. A natureza lhe deu três opções na mesma cara, o que não vai por uma cavidade, vai pela outra.
Estamos aqui nesse bar, nesse quintal, nessa horta, nesse pomar...
Estamos semeando coisas.
As palavras conversam entre si sobre nós, eu as peguei mais de uma vez cochichando que nós dominaremos o mundo com mãos de ferro de unhas pintadas.
Os ônibus da cidade são os glóbulos brancos, levando e trazendo as desovas, as reprovas do dia a dia.
Nós,  pedestres, somos glóbulos vermelhos, índios peles vermelhas desfilando arrogantes pelas artérias e avenidas. Somos espectros espertos que querem querer.
Embora ordinários, somos embaixadores extraordinários das tardes quentes e das noites loucas do bairro Benfica.
Somos os vaga-lumes no pote seco de maionese.
Somos plantas de marte, nada de cabras da peste, somos a própria peste!
Vê se não (me) esquece!




Juan Barto