Funcionário do mês

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Madrugada do domingo para a segunda. O apartamento está quente, a cidade está quente e ainda estamos em agosto! Até dezembro piora.
Até dezembro fica insuportável!
Na TV, as novelas seguem seu desenrolar lento, chato e previsível. Deveriam se chamar "novelos".
Os dentes dele imperceptivelmente sujos de chocolate branco. A saliva grossa. Sede.
Quanto mais tenta se ocupar, mais se entedia e menos se entendia.
Uma mão na caneta e a outra na caneca.
Ele desenha meninas que lembram meninas que ele lembra.
Vários recipientes de plástico descansam em paz, empilhados sobre a geladeira branco-mudo.
Um deles é especial. É chamado de "O kit".
Logo ele, o azul com branco, o mais inocente.
Um sonso!
Poderia conter açúcar, arroz ou até um misto-quente que criancinha leva para o colégio, mas ele teve outros planos para aquele tuppeware.
Maconha, era o que havia.
Cannabis, um prazer polivalente.
Dichava... Dichava.... Dichava....
Ajeita... Arruma um pouco com a ponta do dedo .... enrola... aperta com o cartão as paredes do papel... lambe pra colar....colou...Pila....Torce aqui na ponta....  soca...soca... Afunila a outra ponta como um origami....Fogo!
O colchão voltou a ser feito de algodão doce.
O polegar direito caramelizado. A marca que prova que ele é um iniciado.
A medida que o sol ganha altura, o dia ganha velocidade.
Banho morno, música quente e café com leite.
Pessoas com sono perambulando pelas ruas.
O dia veio com força e com vento.
O vento é como um carteiro, um bairro de cada vez.




Juan Barto