Funcionário do mês

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Ela bateu a porta do carro com a maior força que conseguiu reunir num só braço.
Caminhou  rápido, porém sem correr, pois correr depois de uma discussão era coisa de criança, e ela já tinha dezessete anos!
À passos apressados e profundos, chegou até a porta da frente da sua casa.  Punhos cerrados de raiva.
Ele, de dentro do carro, assistia a esse espetáculo de sons, gestos e vibrações que é o chilique de uma mulher, e olhava orgulhoso para sua própria mão direita.
Seu dedo indicador e o do lado, o maior (e mais audacioso) de todos, ainda frescos, grudentos.
Mais tarde, ainda na mesma noite, ela em seu habitual banho quente antes de dormir, sorriu, e riu do seu acesso, riu como foi boba, pois apesar de ter resistido as insistentes tentativas masturbatórias do namorado, ao ceder, viu que aquilo era bom
'Nossa, como era bom!'
Apenas ficou com vergonha quando se percebeu gosmenta e se defendeu atacando, mas pra ser sincera, mal podia esperar pra ver ate onde eles iriam no dia seguinte.
Ele, naquele mesmo momento, via tevê, mas sem prestar atenção.
'Nossa, como era bom!'
Mal podia esperar pra ver ate onde eles iriam no dia seguinte.




Juan Barto