Ele havia saído movido pelo ímpeto.
Comprar flores!
Eram 119 rosas vermelhas, uma pra cada dia que se conheciam
Vendeu sua guitarra com o olhar fixo no "comprador", a feição dura, o queixo em riste, parecia que tinha um anzol invisível fisgando-o pra cima. Se olhasse pra baixo e a visse em mãos alheias, nao saberia se conseguiria se conter. É tão difícil dar adeus. Coração pequeno pra ser grande.
Mandou que a entrega das rosas fosse feita na primeira hora da manhã do sábado, em silencio, cobrindo todo o quintal da casa dela até o pé de sua janela, que nem ele havia visto uma vez num filme.
Foi pra casa e quase não dormiu de exitação. Esse negócio de ficar feliz pela felicidade alheia era novo pra ele. E ele estava gostando.
Ficou imaginando as possiveis reações.
E nesse mantra angustiante, adormeceu.
Sonhou com um amor cheirando a rosas, vermelho de felicidade.
No outro dia acordou mais cedo do que Deus e ligou pra casa dela, assim mesmo, as seis da matina. Se esperasse mais três minutos teria um infarto.
Uma voz atendeu arrastada do outro lado.
-Alô?
-Oi, desculpa acordar a Sra, dona Verônica, mas não aguento mais esperar.
-Meu filho, é você. (pausa)
A voz agora era penosa, mas ele estava tão ansioso que nem percebeu, e tornou a falar entre sorrisos. Passava uma corrente elétrica por sua coluna.
-Ela já acordou?
-Não meu querido. Ela não acordou
-Hum, e quanto as rosas?
(Silêncio breve)
-Morreu.
-OQUE? Mas todas?
A voz mais velha estava pouca, estava falhando.
-Não, só a minha!
E depois disso tudo foi um gemido de dor.
Um mais intenso na linha
Outro ainda atônito, se preparando pra doer, mas ainda sem saber por onde começar.
A vida não é vermelha porcaria nenhuma!
As rosas não são vermelhas porcaria nenhuma!
O vermelho não é mais vermelho porcaria nenhuma!
E a partir desse dia, nao existe mais nada vermelho, tudo não passa de apenas um leve avermelhado.
E ele? Ele levou assim mesmo rosas pra sua flor nesse dia e nos dias que se seguiram, e nos dias que lembram esse dia.
Até hoje.
Mas saudade mesmo, ele tem dos dias que lembram os dias que ele ainda tinha sua guitarra, que ainda tinha sua pequena e que não precisava forjar uma alergia como desculpa pra limpar o canto dos olhos marejados, sempre que avistasse uma rosa.
O mundo não é perfeito
O mundo não é vermelho.
Juan
Comprar flores!
Eram 119 rosas vermelhas, uma pra cada dia que se conheciam
Vendeu sua guitarra com o olhar fixo no "comprador", a feição dura, o queixo em riste, parecia que tinha um anzol invisível fisgando-o pra cima. Se olhasse pra baixo e a visse em mãos alheias, nao saberia se conseguiria se conter. É tão difícil dar adeus. Coração pequeno pra ser grande.
Mandou que a entrega das rosas fosse feita na primeira hora da manhã do sábado, em silencio, cobrindo todo o quintal da casa dela até o pé de sua janela, que nem ele havia visto uma vez num filme.
Foi pra casa e quase não dormiu de exitação. Esse negócio de ficar feliz pela felicidade alheia era novo pra ele. E ele estava gostando.
Ficou imaginando as possiveis reações.
E nesse mantra angustiante, adormeceu.
Sonhou com um amor cheirando a rosas, vermelho de felicidade.
No outro dia acordou mais cedo do que Deus e ligou pra casa dela, assim mesmo, as seis da matina. Se esperasse mais três minutos teria um infarto.
Uma voz atendeu arrastada do outro lado.
-Alô?
-Oi, desculpa acordar a Sra, dona Verônica, mas não aguento mais esperar.
-Meu filho, é você. (pausa)
A voz agora era penosa, mas ele estava tão ansioso que nem percebeu, e tornou a falar entre sorrisos. Passava uma corrente elétrica por sua coluna.
-Ela já acordou?
-Não meu querido. Ela não acordou
-Hum, e quanto as rosas?
(Silêncio breve)
-Morreu.
-OQUE? Mas todas?
A voz mais velha estava pouca, estava falhando.
-Não, só a minha!
E depois disso tudo foi um gemido de dor.
Um mais intenso na linha
Outro ainda atônito, se preparando pra doer, mas ainda sem saber por onde começar.
A vida não é vermelha porcaria nenhuma!
As rosas não são vermelhas porcaria nenhuma!
O vermelho não é mais vermelho porcaria nenhuma!
E a partir desse dia, nao existe mais nada vermelho, tudo não passa de apenas um leve avermelhado.
E ele? Ele levou assim mesmo rosas pra sua flor nesse dia e nos dias que se seguiram, e nos dias que lembram esse dia.
Até hoje.
Mas saudade mesmo, ele tem dos dias que lembram os dias que ele ainda tinha sua guitarra, que ainda tinha sua pequena e que não precisava forjar uma alergia como desculpa pra limpar o canto dos olhos marejados, sempre que avistasse uma rosa.
O mundo não é perfeito
O mundo não é vermelho.
Juan
14 de Novembro de 2008 06:27
o mundo não é...
o mundo é...
o que é o mundo?
o que são as rosas vermelhas que a gente vê em cima do muro?
são pontes, são convites, são pessoas ou são só rosas?
pra mim são muito além disso...
são almas
14 de Novembro de 2008 08:07
O mundo não é vermelho. Nem amarelo, rosa, azul, nem preto nem branco. Mas é a gente que o vê assim, ou daquele outro jeito...
14 de Novembro de 2008 11:13
Depois de ler seu texto, tenho certeza que o mundo realmente é cinza. E, por certo, cruel...
Belo texto, my friend...
20 de Novembro de 2008 15:32
breve e ótimo.
adorei o blog ae ;D