Um mentiroso qualquer que arrisca aquilo que mais ama em troca do prazer de mentir.
Eu mintosobre tudo
Minha casa não é onde eu disse que era, embora você tenha estado lá
Meu nome não é o que eu disse, embora minha mãe me chame por ele.
Na verdade não estou em outra cidade, estou no México onde tenho três amantes e um filho
ou seriam três filhos e uma amante?
Minto sobre sorvetes e apartamentos.
Não entendeu?...
nem eu!
Mas eu posso estar mentindo.

Juan
A meia luz Lilás e amarela bem fraquinha
Ainda há escuro e é ai onde eu entro!
Eu ando pelas linhas finas dos banjos e os anjos pedem pelo amor de Deus pra que eu volte e eu prefiro pegar antes um solzinho sozinho
Sozinho a gente só fica mesmo na hora do aperto por que na hora da morte vem todo mundo pra ver e é bonito
É um nascimento onde a gente se vê nascendo
E tão bonito porque tem uma manta verde claro onde a gente se vê deitado
Envolto numa leveza fina como água da fonte
Mas me conte... Ha quanto tempo você não penteia seus cabelos?
Há quanto tempo você não sente uma vergonha que te faz olhar para os joelhos?


Juan
De vez em quando o mundo faz sentido
De vez em quando é comigo
As vezes o louco pára e pensa que a recompensa compensa.
Eu sonhei uma noite inteira em película de filmes dos anos setenta.
E o ar cheirava a morango
O que pedimos é o que diz quem nós somos
Pensar em voce me faz bem
Mas voce longe é como uma vela numa noite fria
É pouco mas é o que tem.
Inverno é estação pra se viajar sentado
É bonito estar vivo
É muito bonito
Estalactites nas pontas do corpo
E se tivesse que dar um último grito
Seria
"OUTONO!!!!!"

Juan
Que a escada do futuro nao caia pra baixo , não quebre no meio nem saia pra fora
Pra frente!
Atrás de gente que esteja atrás de andar com a gente.

Juan Barreto
Que o amanha nao venha pintado de preto
pois o preto me sufoca.
Que aquela senhora vestida de preto no meio do terreiro nao me faça mais medo e nao bata na porta.
Que eu possa
Que eu sempre possa
Que eu me recupere a tempo de engolir a seco esse orgulho idiota
Na porta numero um e a porta do que ja se foi
e pendurada nela uma foto de nós dois
A porta numero dois e o que ainda corre
É o que ainda passa
Nao quero que o passado vire impasse
nao admito trapaça
A número tres é o que há de vir
Mas descobri que nao há nada a vir
Existe é um "eu" a ir
Mas melhor que um "já " ou um "já -já" é um "agora-agora-agora"
O tempo vigora mas chega uma hora que ele simplesmente se esgota
Entao.....
Demora não!

Juan
Descompor e pôr aqui
Por aqui
E há de vir de lá de Deus
Prometeu, cumpriu e deu.
Eu que quis
Te procurar num sonho bom
Te tatuar numa "love song"
Te contar pro meu jardim
Entao
Pra aproveitar que esse verão eu estou são
Eu fiz os três pra garantir.
Porque ninguém me diz
O que há de ver, o que há de vir.
O que virá?
Será que a próxima música eu sei dançar?
Que dois pra lá - dois pra cá, não virará "Dois pra lá - dois mais pra lá"?
Que eu me durma
Que tu me sonhes
Que eles não chateiem.
Pois se eu tiver muita sorte
O neto do doutor Freud inventa o teletransporte antes de mim!
E eu que me sentia um pouco opaco
Esfumaçado como um desenho feito a giz
Estou mais pra passarim no mato
Arrupiado, espivitado mas feliz.

Juan Barreto