Estavam os três no bar como de costume. Já estavam lá tempo suficiente para que nove garrafas secas e dois cinzeiros cheios descansassem sobre a mesa.
Esperavam por Sara já tinha mais de uma hora e meia, até que um vira e diz:
-Telma liga ai de novo pra Sara e pergunta se ela ainda vem.
-Tá chamando... Chamando... Porra, essa vaca num aten... Sara? Cadê tu mulher? Ta bom então. Desligou!
-E ai?
-"Tô chegando cacete!"
-Essa Sara é pirada, qualquer dia desses apanha na cara pra deixar de ser desaforada!
-Já foi!
-O que?
-Já apanhou! Lembra não? No dia do flanelinha?
-Ah!
-Que dia do flanelinha? - Pergunta o terceiro
-Isso tem um ano e meio, mais ou menos. Eu, Sara e a Telma estávamos saindo de uma boate já bem umas quatro da manhã, mega bêbados! Ai na hora que a Sara foi tirar o carro, lá se vem o flanelinha pedir uma moeda.
-A Sara morta de bêbada diz pro cara com voz arrastada: "Olha, moeda eu não tenho nenhuma, maaaaaas pra você não ficar tristinho, faz assim: Põe teu pintinho pra fora que eu faço um boquete em você!"
A mesa se desmorona em gargalhadas
-E o flanela?
-Mudo! Assombrado! Tentando entender se ele tinha ouvido mesmo o que achava que tinha ouvido.
-Dentro do carro aquele silêncio agudo. Ninguém com ação nem pra rir.
-O flanela ainda murmurou alguma coisa, mas ela já bebáça e irritada manda: "Bóra rapá! Vou pagar com o corpo ué! Normal!Você é viado ou o que?"
-PUTA QUE PARIU!!!
- O cara contou até cinco e deu um cruzado de direito na cara dela e saiu correndo, chamando ela de vagabunda!
-Huauauauauau
-Nós ficamos em choque! A lombra da bebida passou instantaneamente, o soco acertou o olho cara!
-Nossa!
-Eu tive que dirigir no lugar dela.
-Enfim, um flanelinha com ética profissional!
-Ela tentou disfarçar o mega inchaço com uns óculos escuros, mas tava tão inchada a metade da cara dela que parecia um melão.
-E os óculos não acentavam, ficavam tortos na diagonal!
-Hahahahhaha
-E o pai dela! Quando viu começou a rir e disse que ela tava parecendo o doidinho deformado dos "Goonies"
-Putz, o Slot!!!
-Esse!
A mesa se desmancha em risadas.
-18,50 R$
-Hã?
SeuGarcia, o garçom velhinho, aliás, velhíssimo e já meio surdo, mas um amor de pessoa, estava parado atrás do Medina com um caderninho.
-Dá 18,50 R$
-Ninguém pediu a conta não seu Garcia, a gente tava só rindo, mas trás mais duas cervejas!
-E aquela historia da Sara com a maconha? - Pergunta Telma já rindo e acendendo mais um cigarro. - Vocês lembram?
-Ah essa eu já ouvi!
-Essa é mais recente.
O garçom volta trazendo "a" cerveja. Apenas uma. Enfim...
Nesse momento até os cascos de cerveja e os cinzeiros se ajeitaram na mesa pra ouvir melhor a segunda história.
-A Sara tinha encomendando vinte e cinco reais de maconha com o Hélio, e tipo... Ela já tinha ido na casa dele umas trinta mil vezes e ele nunca tava, ai na vez que eu fui com ela, ele tava.- Disse Medina servindo o copo dos amigos.-
Eu do outro lado da rua, escorado num poste morrendo de calor, daí lá vai a Sara bater palmas no portão e eis que o Hélio em pessoal é quem vem abrir. Eu me senti aliviado, primeiro porque tava numa puta fissura pra fumar, e segundo que não aguentaria ouvir a Sara resmungando mais uma tarde por causa de mais uma ida sem sucesso.
-É de lascar!
-Bom, lá se vem o Hélio e deposita na palma da mão estendida da Sara três míseros e minúsculos cubinhos de maconha e nada mais.
-Por vinte e cinco reais?
-Calma, escuta.
-A cena, meus amigos, era essa: Eu, a uns cinco metros, morrendo de calor e de fome me abrigando na sombra fina de um poste. Sara plantada em frente à porta do traficante com a mão estendida tal e qual uma mendiga e na palma da mão, três carocinhos raquíticos de maconha. O Hélio já quase fechando o portão, quando a Sara diz numa voz assustadoramente calma:
-"Ô Helio, vem cá! Cadê a pílula?”
-"Que pílula?”
-" Aquelas do chapolim! Pra eu ficar beeem pequenininha e poder me chapar com esses cocozinhos de rato que tu me trouxe! "
-"Ei doida, fala baixo!"
-"EU TO FALANDO BAIXO!"
-"Minha irmã, era o que tinha lá, desculpa aê!"
-"Sua irmã? Pois então já vi que eu sou a maior filha da puta do mundo, seu bosta!"
-HAHAHAHAHAHAHAHA
-Eu a essa altura já tava tão escorado no poste que por mim eu entraria logo no poste de vez, pra não passar aquela vergonha, Hahahaha. O Hélio entrou puto e bateu o portão na cara dela. A gente já ia saindo quando na esquina a Sara vira pra trás e grita indignada:
"SOU EU QUEM PAGA SEU SALÁRIO! TRAFICANTE DE MERDA!"
A mesa explode em gargalhadas outra vez, até os copos tilintam discretamente de tanto acharem graça.
-E vocês fumaram mesmo assim?
-Lógico!
Já são quase quatro da tarde, um feixe de luz solar de fim de tarde pousa sobre as garrafas secas dando realce em seu tom de cobre. Celular do Willy toca. É a lenda, o mito.
-Oi!Vem cá, que putaria é essa? Tu num vem não porra? Como assim? Péra aê! Ei pessoa, a Sara tá na casa da Luisinha e tá chamando a gente pra ir lá que elas tão fazendo chá de cogumelo, bóra?
-SEU GARCIA A CONTA!
-Ei Sara a gente tá indo... Beijo!
Seu Garcia chega com uma garrafa de cerveja reluzente e suadinha tremelicando sobre a bandeja.
-Mais uma geladinha, meus queridissimos!
-Não seu Garcia, dessa vez é a conta!
Casa, segunda-feira a noite.
O apartamento está quente, a cidade está quente e ainda estamos em agosto, até dezembro piora. Até dezembro fica insuportável.
Na tv, a novela segue seu desenrolar lento, chato e previsível tão dum jeito, que deveriam se chamar "novelos".
Dentes sujos de chocolate branco, saliva grossa.
Calor e sede.
Quanto mais tenta se ocupar, mais se entedía e menos se entendia com o mundo lá fora.
Calor, sede e impaciência.
"The strokes on dvd player baby!"
Uma mão na caneta e a outra na caneca
Ele desenha meninas que lembram meninas que ele lembra
Calor,impaciência e preguiça.
Vários depósitos de plástico descansam em paz sobre a geladeira branco-mudo.
Um deles é especial. É chamado de "O kit"
Logo ele, o azul com branco, o mais inocente.
Poderia conter açúcar, arroz ou até um sanduiche de criancinha, mas Deus tinha outros planos para aquele tapaweare.
"Maconhammm" é sem dúvida um prazer polivalente. Tem um ótimo gosto, um ótimo cheiro, tem uma textura bacana e te dá otimas visões.. quanto a ouvir...bom.. não escute tudo o que dizem.
A cantiga druída começava:
"Chava,chava,chava,ajeita, prensa, enrola,aperta, lambe, pila, pila, pila, pila, torce aqui, torce ali, quase um origame.
Agora que o colchão ja era de algodão doce outra vez, resolveu dar mais uma chance a televisão
Olimpíadas, olimpíadas, mulher melão, carla perez nao come margarina, novela, novela, ahá.....Pica-pau!
Quando criança a mae nao gostava que assistisse pica pau, dizia que ele era perverso.
E ele era mesmo
E ainda é.
O pica pau é o verdadeiro peter pan.
Mal, sagaz, cínico e andrógino libertino.
Pela janela há chuva, mas nada de vento.
O vento é como um carteiro, um bairro de cada vez.
Não mais calor, não mais sede, não mais nada.
Há o bonito em mim.
Vista grogue da linha rósea tímida no canto de olho do horizonte se espremendo e pondo o sol pra fora, tal qual um ovo.
A medida que o sol ganha altura, o dia ganha velocidade
E ele sobreviveu.
A tv já está nos programas de comida de manhã. Ele lembra da mãe, de alguns amigos e de uma canção dos beatles.
O polegar direito amarronzado ( A mancha do saber) o lembra que o homem que não consegue entreter à si póprio, está sangrando em alto mar.
Banho quente, música quente , café com leite.
Pessoas mornas com sono, perambulando pelas ruas.
O dia veio com força.
Dia, dia, dia, dia...
Juan Barreto
O apartamento está quente, a cidade está quente e ainda estamos em agosto, até dezembro piora. Até dezembro fica insuportável.
Na tv, a novela segue seu desenrolar lento, chato e previsível tão dum jeito, que deveriam se chamar "novelos".
Dentes sujos de chocolate branco, saliva grossa.
Calor e sede.
Quanto mais tenta se ocupar, mais se entedía e menos se entendia com o mundo lá fora.
Calor, sede e impaciência.
"The strokes on dvd player baby!"
Uma mão na caneta e a outra na caneca
Ele desenha meninas que lembram meninas que ele lembra
Calor,impaciência e preguiça.
Vários depósitos de plástico descansam em paz sobre a geladeira branco-mudo.
Um deles é especial. É chamado de "O kit"
Logo ele, o azul com branco, o mais inocente.
Poderia conter açúcar, arroz ou até um sanduiche de criancinha, mas Deus tinha outros planos para aquele tapaweare.
"Maconhammm" é sem dúvida um prazer polivalente. Tem um ótimo gosto, um ótimo cheiro, tem uma textura bacana e te dá otimas visões.. quanto a ouvir...bom.. não escute tudo o que dizem.
A cantiga druída começava:
"Chava,chava,chava,ajeita, prensa, enrola,aperta, lambe, pila, pila, pila, pila, torce aqui, torce ali, quase um origame.
Agora que o colchão ja era de algodão doce outra vez, resolveu dar mais uma chance a televisão
Olimpíadas, olimpíadas, mulher melão, carla perez nao come margarina, novela, novela, ahá.....Pica-pau!
Quando criança a mae nao gostava que assistisse pica pau, dizia que ele era perverso.
E ele era mesmo
E ainda é.
O pica pau é o verdadeiro peter pan.
Mal, sagaz, cínico e andrógino libertino.
Pela janela há chuva, mas nada de vento.
O vento é como um carteiro, um bairro de cada vez.
Não mais calor, não mais sede, não mais nada.
Há o bonito em mim.
Vista grogue da linha rósea tímida no canto de olho do horizonte se espremendo e pondo o sol pra fora, tal qual um ovo.
A medida que o sol ganha altura, o dia ganha velocidade
E ele sobreviveu.
A tv já está nos programas de comida de manhã. Ele lembra da mãe, de alguns amigos e de uma canção dos beatles.
O polegar direito amarronzado ( A mancha do saber) o lembra que o homem que não consegue entreter à si póprio, está sangrando em alto mar.
Banho quente, música quente , café com leite.
Pessoas mornas com sono, perambulando pelas ruas.
O dia veio com força.
Dia, dia, dia, dia...
Juan Barreto
Pequena, porém bonita
Pequena por isso bonita
Bonita, porém inteligente
Inteligente, porém simpática
Simpática, porém sarcástica
Sarcástica, porém não muito
Ela que sabe que a felicidade há
E que bom mesmo é dormir de par
Bom mesmo é acordar junto
Juan Barreto
Pequena por isso bonita
Bonita, porém inteligente
Inteligente, porém simpática
Simpática, porém sarcástica
Sarcástica, porém não muito
Ela que sabe que a felicidade há
E que bom mesmo é dormir de par
Bom mesmo é acordar junto
Juan Barreto
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