Funcionário do mês

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TSC . . .

Domingo de manhã, deitado no tapete caramelo da sala.
Se apalpou procurando o isqueiro e sentiu no bolso direito do calção algo com textura de papel amassado. E era.
"Dinheiro! Achei dinheiro no bolso de um short velho!"
Puxou aquele bolinho retorcido, fraco e quase branco de tantas lavagens, desembrulhou com cuidado e reconheceu de pronto um símbolo. Era um recibo de devolução de uma locadora de dvds que costumava frequentar.
As letras impressas estavam firmes ainda, mas a parte preenchida de caneta estava bastante desbotada, ficara no papel apenas lânguidas vogais e consoantes.
Ele apertou a vista até formar dois risquinhos no lugar dos olhos e constatou aquilo que seu coração já havia se precipitado em dizer com um coice, sim, lá estava a letra desbotada da atendente da locadora, a menina morta.
Seu nome, a data, o valor do aluguel, enfim, essas tecnicalidades, numa caligrafia quase translúcida.
Lembrou dela, tão jovem...
...
A vida deve está enchendo um balão gigante com todo o ar quente que anda roubando dos pulmões das pessoas em momentos como esse.
O acaso é como aquele amigo do amigo do seu amigo que aparece sem ser convidado no seu aniversário. Pode ser que ele te traga um presente espetacular, mas normalmente, esse cara termina derrubando o bolo no chão, tropeçando na caixa de som, vomitando o banheiro todo pra você, aniversariante, ir limpar.




Juan barto