Persistir numa coisa. Eu sempre achei tão bonito isso.
Eu via nos filmes quando alguém dizia "Eu não vou desistir assim tão fácil!"
Mas persistir é uma coisa burra.
Tentar tapar uma infiltração com durex.
E cansa
fisicamente
psicologicamente
Explodir dá muito trabalho, chama muita atenção, faz muito barulho, tanta sujeira.
Hoje eu vejo que não é bom.
Hoje sou mais de implodir
É se deixar afundar silenciosamente numa piscina. Em cinco segundos a superfície está lisa outra vez. E ninguém precisa saber o que se passa no fundo.
Sutil.
As evidências vem me mostrando isso tão claramente como placas de trânsito e eu insistindo em fingir não ver.
Quando a corda da pipa começa a queimar sua mão, é porque a pipa quer ir embora.
Soltar a corda, acorde!
Tchau pipa(não vá)boa viagem.
Minha mão sentirá falta do seu cordão.
Triste? Sim. E agora, como é que eu vou voar?
Desistir... Desinsistir.
Juan Barreto
Seis e meia da tarde, o dia quente estava abrindo passagem pra uma noite morna.
A cidade ganhava aquele amarelo âmbar das luzes dos postes. As pessoas ganhavam um amarelo parecido, mas por outros motivos.
Bar/Café, um homem entra e nem olha para as mesas repletas de grupos de pessoas, seu objetivo é o balcão do bar.
Ao sentar num dos banquinhos, joga a mochila pesada aos seus pés, desabotoa mais um botão da camisa e quase pode ouvir um 'tssss' de vapor sendo liberado. A cidade quando quer ser quente é fogo!
O dia não foi gentil com ele, mas ele procura ser com a atendente. - "Simpatia gera simpatia!" - Pensou.
-Um café, por favor.
A garçonete nem olha pra ele, joga de qualquer jeito na sua frente um pires e uma xicrinha que um dia, quem sabe, foram brancos, mas agora estão sépios , puxa uma garrafa térmica Deus sabe de onde, abre-a e desliza um líquido preto avermelhado xícara a dentro e lhe dá as costas.
-Depois de um dia de cão desses, não seria melhor uma cervejinha pra reativar?
A voz vinha da esquerda. Uma mulher negra muito bonita, usando esses terninhos de secretária e cabelos cacheados, presos num coque está olhando pra ele e sorrindo um sorriso ultra branco de comercial de listerin.
-Na verdade é um café alemão! Puro a cerveja. Saúde!- Ele juntou o restinho do seu restinho pra fazer essa piada tronxa e erguer a xícara a meia altura em um brinde.
-Que tipo de idiota beberia café num calor desses? - A mulher perguntou zombeteira ainda sorrindo. O "idiota" não era uma ofensa, era uma puxada de papo.
-Um legítimo.
Ela riu olhando pra ele, ele riu olhando pro líquido.
-Me chamo Charles!
-Bonito nome.
-E o seu?
-Então Charles, qual o seu problema com as cervejas?
-Você diz judicialmente falando?
-Hahaha
-Ah, só acho que bebidas quentes me acalmam mais do que as frias. Outro dia pedi um copo de leite morno... Mas num copo bem sujo, porque eu sou macho! - Disse engrossando a voz numa imitação caricata. Os dois riram.
-Característica estranha, mas interessante.
-Tente ser criança e preferir sopa ao invés de sorvete. Meus pais me achavam um anormal
-Pobrezinho! - Disse debochada. Dessa vez ele é quem pergunta:
-E você? Sozinha, não está bebendo nada. Conhece alguém que trabalha aqui? Está esperando alguém?
-Não, não. Só passei por passar, só fiquei por ficar.
-Huum, entendo. Não pega bem uma dama ser vista num bar desacompanhada. - Ele falou num tom ironicamente conservador que a fez sorrir mais uma vez. Seus dentes eram como mini-chicletes addams.
-Aaah, mas aqui também é uma cafeteria, então, acho que tudo bem!- Disse ainda zombeteira.
-Ouvi dizer que aqui também funciona uma boca de fumo, mas ó, shhhhh!
-Hahahahaha, você é muito sagaz rapaz, gosto do seu humor. Pena que tenho que ir agora.
-Ah, tudo bem. Tchau 'mulher-cujo-nome-não-me-foi-dito!' Até um dia, quem sabe.
-Hahahaa, meu nome, honestamente é o que menos importa Charles, o que importa mesmo é que você acredite numa coisa: Vai dar tudo certo.
Ele a encara por alguns segundos. Os olhos dela são amendoados.
-Er.. tudo, tuuudo? Tipo, meu flamengo tem jeito?
-Três coisas importantes 'Charlie' que vou dizer agora e que você não pode esquecer de nenhuma delas, porque elas não significam nada se forem vendidas separadamente - Essa última parte foi bastante enfática.
Ela se levantou, pegou sua bolsa que estava no banco do lado de lá.
Charles franziu a testa debochadamente como quem diz "Assunto estranho e sério de repente, mas vamos ver no que ele vai dar.”
-Pode dizer!
Ela pegou em seus ombros com firmeza e disse olhando em seu rosto:
-Sim, sempre vale a pena. Não, nunca é tarde demais e talvez, talvez dê tudo certo, mas pra isso, você precisa acreditar com força nos dois primeiros. Não apenas saber, acreditar Charles! Você entendeu?Por favor, não se deixe esquecer isso nunca.
Ele ficou olhando pra aquele rosto negro/bonito/Sorriso de listerin/Olhos de amêndoas, estáva sério. Sentiu uma paz atônita que honestamente não combinava com um bar lotado de pessoas suadas e barulhentas, nem com a semana miseravelmente exaustiva e injusta que vinha tendo. Coisas deram errado nos últimos dias e ele já tinha tentado todas as soluções a ele comuns. Banho quente, cama quente, café quente, mas palavras quentes era medicina alternativa que ele nem lembrava que existia.
-Quem é você?
Uma gritaria chama a atenção de todos por alguns segundos. Dois bêbados brigam se ameaçando com tacos de sinuca por conta de algum comentário sobre o futebol na tv, até a galera do "deixa disso" intervir acalmando os ânimos. Quando Charles torna a virar seu rosto pra esquerda, a mulher tinha sumido engolida talvez pelo turbilhão de gente que agora preenchia o bar.
Palavras quentes. Era isso que faltava.
A cidade ganhava aquele amarelo âmbar das luzes dos postes. As pessoas ganhavam um amarelo parecido, mas por outros motivos.
Bar/Café, um homem entra e nem olha para as mesas repletas de grupos de pessoas, seu objetivo é o balcão do bar.
Ao sentar num dos banquinhos, joga a mochila pesada aos seus pés, desabotoa mais um botão da camisa e quase pode ouvir um 'tssss' de vapor sendo liberado. A cidade quando quer ser quente é fogo!
O dia não foi gentil com ele, mas ele procura ser com a atendente. - "Simpatia gera simpatia!" - Pensou.
-Um café, por favor.
A garçonete nem olha pra ele, joga de qualquer jeito na sua frente um pires e uma xicrinha que um dia, quem sabe, foram brancos, mas agora estão sépios , puxa uma garrafa térmica Deus sabe de onde, abre-a e desliza um líquido preto avermelhado xícara a dentro e lhe dá as costas.
-Depois de um dia de cão desses, não seria melhor uma cervejinha pra reativar?
A voz vinha da esquerda. Uma mulher negra muito bonita, usando esses terninhos de secretária e cabelos cacheados, presos num coque está olhando pra ele e sorrindo um sorriso ultra branco de comercial de listerin.
-Na verdade é um café alemão! Puro a cerveja. Saúde!- Ele juntou o restinho do seu restinho pra fazer essa piada tronxa e erguer a xícara a meia altura em um brinde.
-Que tipo de idiota beberia café num calor desses? - A mulher perguntou zombeteira ainda sorrindo. O "idiota" não era uma ofensa, era uma puxada de papo.
-Um legítimo.
Ela riu olhando pra ele, ele riu olhando pro líquido.
-Me chamo Charles!
-Bonito nome.
-E o seu?
-Então Charles, qual o seu problema com as cervejas?
-Você diz judicialmente falando?
-Hahaha
-Ah, só acho que bebidas quentes me acalmam mais do que as frias. Outro dia pedi um copo de leite morno... Mas num copo bem sujo, porque eu sou macho! - Disse engrossando a voz numa imitação caricata. Os dois riram.
-Característica estranha, mas interessante.
-Tente ser criança e preferir sopa ao invés de sorvete. Meus pais me achavam um anormal
-Pobrezinho! - Disse debochada. Dessa vez ele é quem pergunta:
-E você? Sozinha, não está bebendo nada. Conhece alguém que trabalha aqui? Está esperando alguém?
-Não, não. Só passei por passar, só fiquei por ficar.
-Huum, entendo. Não pega bem uma dama ser vista num bar desacompanhada. - Ele falou num tom ironicamente conservador que a fez sorrir mais uma vez. Seus dentes eram como mini-chicletes addams.
-Aaah, mas aqui também é uma cafeteria, então, acho que tudo bem!- Disse ainda zombeteira.
-Ouvi dizer que aqui também funciona uma boca de fumo, mas ó, shhhhh!
-Hahahahaha, você é muito sagaz rapaz, gosto do seu humor. Pena que tenho que ir agora.
-Ah, tudo bem. Tchau 'mulher-cujo-nome-não-me-foi-dito!' Até um dia, quem sabe.
-Hahahaa, meu nome, honestamente é o que menos importa Charles, o que importa mesmo é que você acredite numa coisa: Vai dar tudo certo.
Ele a encara por alguns segundos. Os olhos dela são amendoados.
-Er.. tudo, tuuudo? Tipo, meu flamengo tem jeito?
-Três coisas importantes 'Charlie' que vou dizer agora e que você não pode esquecer de nenhuma delas, porque elas não significam nada se forem vendidas separadamente - Essa última parte foi bastante enfática.
Ela se levantou, pegou sua bolsa que estava no banco do lado de lá.
Charles franziu a testa debochadamente como quem diz "Assunto estranho e sério de repente, mas vamos ver no que ele vai dar.”
-Pode dizer!
Ela pegou em seus ombros com firmeza e disse olhando em seu rosto:
-Sim, sempre vale a pena. Não, nunca é tarde demais e talvez, talvez dê tudo certo, mas pra isso, você precisa acreditar com força nos dois primeiros. Não apenas saber, acreditar Charles! Você entendeu?Por favor, não se deixe esquecer isso nunca.
Ele ficou olhando pra aquele rosto negro/bonito/Sorriso de listerin/Olhos de amêndoas, estáva sério. Sentiu uma paz atônita que honestamente não combinava com um bar lotado de pessoas suadas e barulhentas, nem com a semana miseravelmente exaustiva e injusta que vinha tendo. Coisas deram errado nos últimos dias e ele já tinha tentado todas as soluções a ele comuns. Banho quente, cama quente, café quente, mas palavras quentes era medicina alternativa que ele nem lembrava que existia.
-Quem é você?
Uma gritaria chama a atenção de todos por alguns segundos. Dois bêbados brigam se ameaçando com tacos de sinuca por conta de algum comentário sobre o futebol na tv, até a galera do "deixa disso" intervir acalmando os ânimos. Quando Charles torna a virar seu rosto pra esquerda, a mulher tinha sumido engolida talvez pelo turbilhão de gente que agora preenchia o bar.
Palavras quentes. Era isso que faltava.
"Deve se ler pouco, mas reler muito, reler sempre"
(Nelson Rodrigues)
Concordo.
Esses dias de retiro aqui nas colinas verdejantes do crato, resolvi rever.
Revi "Juno"(que fotografia linda), revi "Encontros e desencontros" (que filme todo lindo) e revi Across the Universe (inteligente).
Claro que o novo as vezes merece uma chance.
"Um beijo roubado (My Blueberry Nights)" como ficou claro dois posts atras, me facinou. Foi uma surpresa boa.
Falando ainda em coisas novas, essa semana que vem está repleta de coisas novas, morar em uma cidade nova, conhecer pessoas novas, me fuder de novas maneiras, me maravilhar de novas maneiras, tudo que está no cardápio e na lista de acessórios.
(Nelson Rodrigues)
Concordo.
Esses dias de retiro aqui nas colinas verdejantes do crato, resolvi rever.
Revi "Juno"(que fotografia linda), revi "Encontros e desencontros" (que filme todo lindo) e revi Across the Universe (inteligente).
Claro que o novo as vezes merece uma chance.
"Um beijo roubado (My Blueberry Nights)" como ficou claro dois posts atras, me facinou. Foi uma surpresa boa.
Falando ainda em coisas novas, essa semana que vem está repleta de coisas novas, morar em uma cidade nova, conhecer pessoas novas, me fuder de novas maneiras, me maravilhar de novas maneiras, tudo que está no cardápio e na lista de acessórios.
Não adianta chorar o leite dear amado.
Asa-deltas e asa-betas cortam com tesourinhas sem ponta o céu azul bebê que chora, porque seus dentinhos nuvens estão nascendo.
Hoje eu acordei sentindo falta de jhon Lennon e o mundo disse "Bem vindo ao meu mundo!"
Humanos são plantinhas, são plaquinhas, são pracinhas onde os sentimentos se reunem pra tocar violão, alimentar os anjos e tomarem banho de roupa na fonte.
O lilás não sai de moda nunca. Eu não deixo.
Fujam para as planícies, porque o planalto está muito sujo de gente baixa.
Vem vê a nova neve, a nova nave!
O homem é apenas um instante,uma estante que nunca deve ficar arrumada muito tempo. Os livros tem que mudar de posição o tempo todo, que nem as estrelas, que nem o kama sutra.
Driblemos o mofo.
Obrigado faxineiras da minha vida por permitirem que eu me acomode apenas no sentido de comportar, e nunca desistirem de mim.
A paz preenche. Moçada, baldes em mãos!
Um exército armado de batom garoto e pirulitos da língua azul sairá de dentro da gente hoje às vinte e sete horas, dará a volta ao quateirão, dará a volta por cima, dará a volta ao dia em oitenta mundos.
Aliste se já!
O nosso nó(s) é cego pra que nunca, nunca desate.
O nosso nó(s) é cego porque o amor também é, e moramos todos no mesmo prédio.
Yes, we can(dy)
Juan Barreto
Hoje eu acordei sentindo falta de jhon Lennon e o mundo disse "Bem vindo ao meu mundo!"
Humanos são plantinhas, são plaquinhas, são pracinhas onde os sentimentos se reunem pra tocar violão, alimentar os anjos e tomarem banho de roupa na fonte.
O lilás não sai de moda nunca. Eu não deixo.
Fujam para as planícies, porque o planalto está muito sujo de gente baixa.
Vem vê a nova neve, a nova nave!
O homem é apenas um instante,uma estante que nunca deve ficar arrumada muito tempo. Os livros tem que mudar de posição o tempo todo, que nem as estrelas, que nem o kama sutra.
Driblemos o mofo.
Obrigado faxineiras da minha vida por permitirem que eu me acomode apenas no sentido de comportar, e nunca desistirem de mim.
A paz preenche. Moçada, baldes em mãos!
Um exército armado de batom garoto e pirulitos da língua azul sairá de dentro da gente hoje às vinte e sete horas, dará a volta ao quateirão, dará a volta por cima, dará a volta ao dia em oitenta mundos.
Aliste se já!
O nosso nó(s) é cego pra que nunca, nunca desate.
O nosso nó(s) é cego porque o amor também é, e moramos todos no mesmo prédio.
Yes, we can(dy)
Juan Barreto
Dois anos de blog!!!
Edição de aniversário!
Ia preparar um texto todo-cheio-de-não-sei-o-que
mas nao tenho tempo, estou arrumando coisas, malas, sentimentos.
O aniversário é do blog, mas quem ganhou o presente fui eu!
Estou deixando essa cidade ridícula. Desejo que acalento há quase um ano.
Feliz/medo/ancioso
Sentirei falta sim de pouquiiiiiiissimas pessoas. O número, honestamente, não chega a dez.
Não consigo pensar em nada melhor pra descrever esse momento do que uma frase do filme "Carlota Joaquina"
"Desta terra não quero levar nem o pó! (atira os sapatos ao mar)
E pra voces eu deixo o benfica e seus ladrões de celulares, estudantes de francês da ufc e seus óculos grossos, lenços amarrados no pescoço e suas calças xadrez de emo no calor do meio dia. Os bares com suas cervejas de 3,50 $, a praça dos viados que tem arrastão toda sexta, a maconha da marechal (pouca e cara, esse é o lema!), o shopping com sua decoraçao brega, pessoas anazaladas dizendo "arre égua máh"....
Deus, como é bom sair daqui!!
Juan
Ia preparar um texto todo-cheio-de-não-sei-o-que
mas nao tenho tempo, estou arrumando coisas, malas, sentimentos.
O aniversário é do blog, mas quem ganhou o presente fui eu!
Estou deixando essa cidade ridícula. Desejo que acalento há quase um ano.
Feliz/medo/ancioso
Sentirei falta sim de pouquiiiiiiissimas pessoas. O número, honestamente, não chega a dez.
Não consigo pensar em nada melhor pra descrever esse momento do que uma frase do filme "Carlota Joaquina"
"Desta terra não quero levar nem o pó! (atira os sapatos ao mar)
E pra voces eu deixo o benfica e seus ladrões de celulares, estudantes de francês da ufc e seus óculos grossos, lenços amarrados no pescoço e suas calças xadrez de emo no calor do meio dia. Os bares com suas cervejas de 3,50 $, a praça dos viados que tem arrastão toda sexta, a maconha da marechal (pouca e cara, esse é o lema!), o shopping com sua decoraçao brega, pessoas anazaladas dizendo "arre égua máh"....
Deus, como é bom sair daqui!!
Juan
Eu hoje fui correr com meus tênis cômodos
pelos cômodos e voltei todo sujo de alegria.
Sim meus caros, há a alegria suja e a alegria sujada.
A alegria suja é aquela que a gente traz na pele suada após uma dança improvisada.
Enlameada da rua após o futebol debaixo de chuva na calçada.
Com a boca melada de manga, de beijo de baga.
A sujada é aquela que os homens frustrados por não poderem comer açúcar quando crianças, assoaram seus narizes.
Pregaram etiquetas de "não pode" porque acharam que corrompendo uma coisa que já existe
seriam eles, menos tristes.
juan barretu
pelos cômodos e voltei todo sujo de alegria.
Sim meus caros, há a alegria suja e a alegria sujada.
A alegria suja é aquela que a gente traz na pele suada após uma dança improvisada.
Enlameada da rua após o futebol debaixo de chuva na calçada.
Com a boca melada de manga, de beijo de baga.
A sujada é aquela que os homens frustrados por não poderem comer açúcar quando crianças, assoaram seus narizes.
Pregaram etiquetas de "não pode" porque acharam que corrompendo uma coisa que já existe
seriam eles, menos tristes.
juan barretu
Eu vejo a vida como uma grande bolsa de mulher.
Cabe tudo, mas pra arruma-la, tem que tirar o que tem dentro e ir pondo objeto por objeto, um a um, até que fique de uma maneira que voce ache que está bom.
Um dia alguém chega e se oferece pra ajudar a carregar essa bolsa. Pouco tempo depois, essa pessoa resolve arrumar sua bolsa de outra maneira. "Vamos! Mudar é legal! Mudar é preciso!"
E voce deixa
Até que chega um ponto que nao se consegue achar mais nada seu na sua bolsa!
Nada está onde costumava estar e voce se pega horas remexendo e remexendo sem encontrar coisas simples como o celular ou uma caneta. E quando voce levanta a cabeça pra perguntar "escuta, voce nao viu o.." é ai que voce percebe que esta parado no ponto de onibus sozinho segurando uma bolsa estranha.
O fato de ser latino americano, de ser aquariano, de vir de uma família de mulheres, me torna impossível de ser alheio. O 'não sentir', o 'não se envolver', o 'nao se entregar' é algo que não existe em mim.
O amor é uma porta de vidro.
A gente nunca tem certeza absoluta se ela esta mesmo lá, até que voce bate bem com a testa de um jeito foda. E dói. E voce passa a evitar portas de vidro.
Eu me deixo levar por palavras.
Ai depois nao sei voltar
Seria de se esperar que depois de se perder tantas vezes, a gente decorasse o caminho, nem que fosse como Joao e Maria, marcando o trajeto com farelos de pão.
mas quando se vai voando nao se presta atençao no chao
Amar é isso!
A ida é sempre de avião e a volta é sempre a pé.
Juan Barreto
Cabe tudo, mas pra arruma-la, tem que tirar o que tem dentro e ir pondo objeto por objeto, um a um, até que fique de uma maneira que voce ache que está bom.
Um dia alguém chega e se oferece pra ajudar a carregar essa bolsa. Pouco tempo depois, essa pessoa resolve arrumar sua bolsa de outra maneira. "Vamos! Mudar é legal! Mudar é preciso!"
E voce deixa
Até que chega um ponto que nao se consegue achar mais nada seu na sua bolsa!
Nada está onde costumava estar e voce se pega horas remexendo e remexendo sem encontrar coisas simples como o celular ou uma caneta. E quando voce levanta a cabeça pra perguntar "escuta, voce nao viu o.." é ai que voce percebe que esta parado no ponto de onibus sozinho segurando uma bolsa estranha.
O fato de ser latino americano, de ser aquariano, de vir de uma família de mulheres, me torna impossível de ser alheio. O 'não sentir', o 'não se envolver', o 'nao se entregar' é algo que não existe em mim.
O amor é uma porta de vidro.
A gente nunca tem certeza absoluta se ela esta mesmo lá, até que voce bate bem com a testa de um jeito foda. E dói. E voce passa a evitar portas de vidro.
Eu me deixo levar por palavras.
Ai depois nao sei voltar
Seria de se esperar que depois de se perder tantas vezes, a gente decorasse o caminho, nem que fosse como Joao e Maria, marcando o trajeto com farelos de pão.
mas quando se vai voando nao se presta atençao no chao
Amar é isso!
A ida é sempre de avião e a volta é sempre a pé.
Juan Barreto
Suas mãos cheiram forte a mato queimado, sua boca um gosto médio de café com leite e nos ombros um resquício fraco, mas ainda ativo de um perfume novo.
Ele pensa o que escreve enquanto escreve.
Ele escreve o que ele pensa enquanto pensa.
São tantas “Alanis, Amarantes, Lennons”, dizendo o que ele deve ou não fazer.
Agora Beethoven - Vem.
A vida é uma pilha. O gosto depende de que lado você chupa.
Teve um sonho. Estava parado nos trilhos. O trem vinha em alta velocidade.
Cena de faroeste. Frente a frente. O trem se espatifava em seu corpo em cheio no meio. No momento da colisão, saíam fogos de artifício de todas as cores.Vermelhos e verdes berrantes, gritantes, serpenteando e explodindo pelo céu frio em espirais, com cascatas prateadas de faíscas e assovios. Aquele barulho de estouro de pipoca, de chuva em teto de zinco. Os fogos saíram de dentro do peito dele.
O trem seguiu. Tudo que sobrou foram algumas bolhas de sabão flutuando lacônicas pelas moitas, pelos trilhos.
“Serei como o trem, que nunca para. Só pára quando chega. E quando chega, volta.
Eu sempre chego.Eu sempre volto."
Ser simples é sofisticado demais pra algumas pessoas.
Para alguns, sentar e se deixar ficar é mais complicado do que parece, porque as pessoas já gravaram em suas secretárias eletrônicas que não estão.
Todas eufóricas como filhotes
“O que nós faremos agora? E agora? E agora? E agora?...”.
E eu me pergunto é o que o agora fará com nós.
Quando voce vai sair do meu porta-retratos
e vir pro meu porta-jóias?
Aperto a turbina do “Top Gear”. Ultrapasso os carros cinza e o verde numa manobra só.
Curtindo a paisagem ouvindo radiohead.
Olho pro banco ao lado vazio.
Aumento o radio in my head.
Juan Barreto
Ele pensa o que escreve enquanto escreve.
Ele escreve o que ele pensa enquanto pensa.
São tantas “Alanis, Amarantes, Lennons”, dizendo o que ele deve ou não fazer.
Agora Beethoven - Vem.
A vida é uma pilha. O gosto depende de que lado você chupa.
Teve um sonho. Estava parado nos trilhos. O trem vinha em alta velocidade.
Cena de faroeste. Frente a frente. O trem se espatifava em seu corpo em cheio no meio. No momento da colisão, saíam fogos de artifício de todas as cores.Vermelhos e verdes berrantes, gritantes, serpenteando e explodindo pelo céu frio em espirais, com cascatas prateadas de faíscas e assovios. Aquele barulho de estouro de pipoca, de chuva em teto de zinco. Os fogos saíram de dentro do peito dele.
O trem seguiu. Tudo que sobrou foram algumas bolhas de sabão flutuando lacônicas pelas moitas, pelos trilhos.
“Serei como o trem, que nunca para. Só pára quando chega. E quando chega, volta.
Eu sempre chego.Eu sempre volto."
Ser simples é sofisticado demais pra algumas pessoas.
Para alguns, sentar e se deixar ficar é mais complicado do que parece, porque as pessoas já gravaram em suas secretárias eletrônicas que não estão.
Todas eufóricas como filhotes
“O que nós faremos agora? E agora? E agora? E agora?...”.
E eu me pergunto é o que o agora fará com nós.
Quando voce vai sair do meu porta-retratos
e vir pro meu porta-jóias?
Aperto a turbina do “Top Gear”. Ultrapasso os carros cinza e o verde numa manobra só.
Curtindo a paisagem ouvindo radiohead.
Olho pro banco ao lado vazio.
Aumento o radio in my head.
Juan Barreto
Solomon estava sentado no telhado de sua casa num cantinho que tinha uma espécie de batente de cimento, onde a caixa d’água servia ora como cama, ora como mesa.
Eram quatro e meia da manhã e o céu passava discretamente do preto pra um azul escuro. Grandes mudanças nem sempre fazem alarde.
Solomon tinha pena de quem morava em apartamento e não tinha telhado. Tinha laje. Laje! Até o nome é frio.
Solomon sentado fumando um beck se sente quente por dentro. Preenchido.
Como aquelas sopas de pacote, que a princípio é apenas um pó, ai põe-se água quente e tarám! Temos uma refeição.
Solomon sem dúvida é uma pessoa singular. Uma vez cruzou a sala com sua vara de pescar onde no anzol estava amarrada uma rosa já meio amarrotada.
A irmã que via tv no sofá:
“-Onde você vai com isso ai?”
“-Pescar o amor da minha vida.”
A irmã que queria implicar:
“-Essa rosa está murcha e escura! Você não vai conseguir nada com ela.”
Ele a olhou e disse no mesmo tom do olhar:
“Isso aqui é pra pescar pessoas diferentes. Essa pessoa virá, não pelo frescor da rosa, como a maioria, e sim por saber que se trata de uma rosa.”.
A irmã que não sabia o que dizer:
“Pois é!”
Solomon virou e não conteve um risinho zombeteiro ao pensar:
“Peixão paixão!”
Cinco da manhã. O dia ia ficando azul amarelo. Em pouco tempo ficaria cinza leitoso.
A vantajem de se esperar pelo sol é a certeza de não levar bolo.
Solomon ia lembrando de pessoas e de passeios, de momentos seus em lugares de outros.
O vento frio da manhã apagou seu cigarro, como se o dia dissesse "Chega, por enquanto!"
Vontade é um bicho que dá mais cria que rato.
Vontade dá dor de barriga e dor de cabeça.
Vontade dá queda de cabelo, arritmia, anemia e câncer nos sonhos.
Conversa entre Solomon e Rachel (vizinha)
“-Você deu uma saidinha, certo?”
“-Hã?”
“-Você, está sentado nessa caixa d’água calado tem uns 10 minutos. Olhar desfocado. Pensei que tivesse saido pra fazer um lanchinho em outra dimensão.”
Ele desce da caixa d’água, se senta nas telhas perto dela.
“-Você é esperta.”
“-Você é quieto!”
“Eu me mexo bastante por dentro”
“-O que o preocupa, menino Solomon?”
“(Pausa)-Sinto que me acabarei numa sexta feira qualquer. Que nem uma novela. E na segunda feira, terá outra novela nova e ninguém lembrará mais da velha.”
“-Isso é ridículo! Você não é uma novela...”
“-Eu sei, é que...”.
“- Você é um livro!"
(Silêncio)
"Capa dura, coração mole!”
Eles riem.
“-Agente podia fazer um piquenique nesse telhado!”
“-A gente podia fazer uma sessão de cinema aqui! Projetar os filmes na caixa d’água!”
“Você é esperto!”
“Você é bonita!”
Juan Barreto
Eram quatro e meia da manhã e o céu passava discretamente do preto pra um azul escuro. Grandes mudanças nem sempre fazem alarde.
Solomon tinha pena de quem morava em apartamento e não tinha telhado. Tinha laje. Laje! Até o nome é frio.
Solomon sentado fumando um beck se sente quente por dentro. Preenchido.
Como aquelas sopas de pacote, que a princípio é apenas um pó, ai põe-se água quente e tarám! Temos uma refeição.
Solomon sem dúvida é uma pessoa singular. Uma vez cruzou a sala com sua vara de pescar onde no anzol estava amarrada uma rosa já meio amarrotada.
A irmã que via tv no sofá:
“-Onde você vai com isso ai?”
“-Pescar o amor da minha vida.”
A irmã que queria implicar:
“-Essa rosa está murcha e escura! Você não vai conseguir nada com ela.”
Ele a olhou e disse no mesmo tom do olhar:
“Isso aqui é pra pescar pessoas diferentes. Essa pessoa virá, não pelo frescor da rosa, como a maioria, e sim por saber que se trata de uma rosa.”.
A irmã que não sabia o que dizer:
“Pois é!”
Solomon virou e não conteve um risinho zombeteiro ao pensar:
“Peixão paixão!”
Cinco da manhã. O dia ia ficando azul amarelo. Em pouco tempo ficaria cinza leitoso.
A vantajem de se esperar pelo sol é a certeza de não levar bolo.
Solomon ia lembrando de pessoas e de passeios, de momentos seus em lugares de outros.
O vento frio da manhã apagou seu cigarro, como se o dia dissesse "Chega, por enquanto!"
Vontade é um bicho que dá mais cria que rato.
Vontade dá dor de barriga e dor de cabeça.
Vontade dá queda de cabelo, arritmia, anemia e câncer nos sonhos.
Conversa entre Solomon e Rachel (vizinha)
“-Você deu uma saidinha, certo?”
“-Hã?”
“-Você, está sentado nessa caixa d’água calado tem uns 10 minutos. Olhar desfocado. Pensei que tivesse saido pra fazer um lanchinho em outra dimensão.”
Ele desce da caixa d’água, se senta nas telhas perto dela.
“-Você é esperta.”
“-Você é quieto!”
“Eu me mexo bastante por dentro”
“-O que o preocupa, menino Solomon?”
“(Pausa)-Sinto que me acabarei numa sexta feira qualquer. Que nem uma novela. E na segunda feira, terá outra novela nova e ninguém lembrará mais da velha.”
“-Isso é ridículo! Você não é uma novela...”
“-Eu sei, é que...”.
“- Você é um livro!"
(Silêncio)
"Capa dura, coração mole!”
Eles riem.
“-Agente podia fazer um piquenique nesse telhado!”
“-A gente podia fazer uma sessão de cinema aqui! Projetar os filmes na caixa d’água!”
“Você é esperto!”
“Você é bonita!”
Juan Barreto
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