-Mãe, aquelas cores não sabem brincar!
-Que cores, meu bem?
-Aquelas da caixinha! As luzinhas! Ó, a verde vem, passa um tempão ai a amarela mal entra e a vermelha já entra e toma a frente dela!
-Hahahaha, ei, ficou vermelho querida, venha, vamos atravessar a rua, me dê a mão!
Juan Barreto
Adorava acordar e ficar deitado ouvindo do quarto os adultos conversando na cozinha. Não por bisbilhotagem, era mais porque dava um certo conforto saber que não estava só. Criança tem pavor de acordar só.
A casa logo cedo ficava perfumada com o cheiro de pré - almoço.
Bom era quando levantava meio sonolento, ia na cozinha ainda esfregando os olhos e era recebido (anuncidado as vezes) pela mãe que dizia: "Olha ele ai! Quer seu leite agora?". Majestade, rapaz! Meus dias de Paris Hilton.
Minha mãe nunca me ensinou a fazer café, mas me ensinou desde cedo a tirar a mesa, afinal, Tem que se começar de baixo!
Meus amiguinhos de prédio eram todos mais novos do que eu e quando eles caiam ou se machucavam a culpa era sempre minha e eu tinha que ouvir desaforo das outras, depois desaforo da minha porque tinha ouvido desaforo das outras.
Então deixe me ver se entendi: Se apanhar na rua apanha em casa pra aprender que brigar é errado (a menos que voce ganhe a briga)(que é errado)
Passei a brincar só. Por preferência e por simplicidade.
Eu lembro das minhas avós.
Outro dia achei uma cassete de um tempo que eu nem fazia volume e que tinha gravado as nossas vozes.
Uma mini caixinha preta, como a dos aviões, guardando nossas vozes do tempo.
Minhas 'avózes' eu guardei em outro tipo de caixa, a craniana e também pra protegê-las do tempo.
Saudades..
Não seria uma completa estupidez interpretar o "talvez" como um possível sim, afinal, não é o que é!?
Juan Barreto
A casa logo cedo ficava perfumada com o cheiro de pré - almoço.
Bom era quando levantava meio sonolento, ia na cozinha ainda esfregando os olhos e era recebido (anuncidado as vezes) pela mãe que dizia: "Olha ele ai! Quer seu leite agora?". Majestade, rapaz! Meus dias de Paris Hilton.
Minha mãe nunca me ensinou a fazer café, mas me ensinou desde cedo a tirar a mesa, afinal, Tem que se começar de baixo!
Meus amiguinhos de prédio eram todos mais novos do que eu e quando eles caiam ou se machucavam a culpa era sempre minha e eu tinha que ouvir desaforo das outras, depois desaforo da minha porque tinha ouvido desaforo das outras.
Então deixe me ver se entendi: Se apanhar na rua apanha em casa pra aprender que brigar é errado (a menos que voce ganhe a briga)(que é errado)
Passei a brincar só. Por preferência e por simplicidade.
Eu lembro das minhas avós.
Outro dia achei uma cassete de um tempo que eu nem fazia volume e que tinha gravado as nossas vozes.
Uma mini caixinha preta, como a dos aviões, guardando nossas vozes do tempo.
Minhas 'avózes' eu guardei em outro tipo de caixa, a craniana e também pra protegê-las do tempo.
Saudades..
Não seria uma completa estupidez interpretar o "talvez" como um possível sim, afinal, não é o que é!?
Juan Barreto
O tempo tem disso de fazer que nem oculista.
A medida que ele passa, vai nos mostrando várias lentes diferentes, uma após a outra e perguntando "Essa é melhor? E essa? Ou essa? Essa?...
Juan
A medida que ele passa, vai nos mostrando várias lentes diferentes, uma após a outra e perguntando "Essa é melhor? E essa? Ou essa? Essa?...
Juan
Ser como uma música tecno às seis da manhã, te catapultando pro mundo dos acordados bem cedo e te fazendo trocar o quente pelo frio, o escuro pelo claro, o silêncio pelo barulho, o lúdico pelo lúcido. Essas escolhas não fazem sentido, Por isso te pagam para fazê-las.
Enquanto amarra o cadarço do tênis, enquanto a luzinha verde da sanduicheira elétrica não acende, enquanto entra e sai cento e cinquenta vezes no banheiro buscando e deixando coisas, enquanto a tevê passa um jornal quentinho pra gente engolir sem cuspe.
A casa pulsando. Tum-tuom-tum-pam-pam-pam-tum...
Me sinto a Lola descendo as escadas à toda, correndo por berlim com aquela música! Ah, aquela música...
Fora, ai vou eu!
Acreditar que essa segunda-feira é uma fase de video-game. Uma grande rave que a gente passa doçado e adoçado com o que tem a mão, com o que tem em mente.
Agitados, prontos para beber ou sermos bebidos.
Meu coração que não tá cariado nem nada só pensa em reformas e formas.
Ser em alguém a sensação de um bom banho num dia quente.
Amigos de verdade são peões defendendo o rei.
A rainha é a sorte. Embora ela possa andar em todas as casas e em todas as direções, uma distraçãozinha de nada e zás! Comeram-na!
Juan Barreto
Enquanto amarra o cadarço do tênis, enquanto a luzinha verde da sanduicheira elétrica não acende, enquanto entra e sai cento e cinquenta vezes no banheiro buscando e deixando coisas, enquanto a tevê passa um jornal quentinho pra gente engolir sem cuspe.
A casa pulsando. Tum-tuom-tum-pam-pam-pam-tum...
Me sinto a Lola descendo as escadas à toda, correndo por berlim com aquela música! Ah, aquela música...
Fora, ai vou eu!
Acreditar que essa segunda-feira é uma fase de video-game. Uma grande rave que a gente passa doçado e adoçado com o que tem a mão, com o que tem em mente.
Agitados, prontos para beber ou sermos bebidos.
Meu coração que não tá cariado nem nada só pensa em reformas e formas.
Ser em alguém a sensação de um bom banho num dia quente.
Amigos de verdade são peões defendendo o rei.
A rainha é a sorte. Embora ela possa andar em todas as casas e em todas as direções, uma distraçãozinha de nada e zás! Comeram-na!
Juan Barreto
Ele subiu as escadas abotoando o punho da camisa e tentando se lembrar onde poderia estar sua gravata verde-escuro. Ao passar pela porta entreaberta do quarto da neta, a viu de relance, sentada na ponta da cama de cabeça baixa, mãos cruzadas sobre o colo. Entrou de mansinho no quarto para não assustá-la. Escutou uns fungados de choro.
-Nina?
Ela se assustou de qualquer forma. Passou rapidamente as mãos pelo rosto para secá-lo.
-O que aconteceu meu bem? Por que você está tão desolada aqui sozinha? Você está chorando?
-Eu não estou chorando vô. - E fez aquele barulho com o nariz que sempre denuncia que a gente estava chorando.
O avô sentou-se ao seu lado. Ficou ali, de mãos postas sobre o colo olhando pra parede da frente igual a ela.
Passado um silêncio, ela sussurra.
-Vô, estão esperando o senhor lá embaixo.
-Mas estão precisando de mim aqui em cima. - Deu uma piscadinha e sorriu.
Ela não reagiu de nenhuma forma.
-Sabe, quando você era pequena eu te dizia que você era meu raiozinho de sol e que se chorasse muito, poderia se apagar sem nem perceber, porque água apaga o fogo. Você ficava com uns zoião arregalados pra mim, mas parava rapidinho. - Nina continuava fungando, agora sob controle, ainda olhando pra parede da frente, mas seus lábios flexionaram num sorriu muito de leve.
-As vezes sinto falta de quando você acreditava nas bobagens que eu contava.
-As vezes também sinto falta de quando você me contava coisas, vô. - E lhe deu uma olhada bastante significativa, dessas de secar pneu de avião.
Dessa vez, foi ele que não disse nada.
O silêncio tomou conta do quarto como o gelo faz com as paredes de um congelador que não é descongelado há cinco meses.
-Quando você ia me contar vô?
-Bom... Quando eu estivesse próximo de não acreditar mais em nada. Porque eu ainda acredito! - Ambos olhavam para o vidro fosco da tela da tv desligada. O choro agora lambia as bochechas de Nina de cima pra baixo. As lágrimas iam pingando e formando manchinhas escuras no tapete cor-de-creme.
O avô começou a falar bem devagar. Parecia mais estar pensando em voz alta, só que de propósito. Não conseguia ainda olhar pra ela.
-Acredito que a gente vai crescendo e vai selecionando as coisas em que acreditar, mas deixar de acreditar completamente, assim, zero total, acho que só quando a gente morre. Até um velho de oitenta anos como eu, quando tem um “negócio”, no fundo no fundo ele murmura um pouco pra si mesmo, um pouco pra Deus: "Agora não! Ainda não".
-Descalça!
-Como?
-Quando a mamãe e o papai... se foram, foi como se levassem um dos meus sapatos e eu fiquei mancando por um tempão. Quando você se for e levar o outro eu ficarei descalça!
Ele sentiu um rasgão no peito. Uma furada de arpão. Uma picada de maribondo nos olhos. Seu corpo por dentro era um colar de pérolas que acabara de ser quebrado e as bolinhas estavam todas doidas, quicando e se espalhando a esmo. Respirou fundo, engoliu o novelo de lã que estava na sua boca e disse:
-E sua vó eim? Sua irmã? Não servem como meias?
-Vô...
-Nina, pés descalços, mas que sabem os passos da dança, meu amor. É isso que importa!
-Não é!
Ela estava ficando vermelha. Ele branco. Começava a querer escorrer também, mas o que fazer? “Ok querida, prometo que não vou morrer!”? Quando você passa dos oitenta, meio que começa a se formar uma expectativa de todos ao seu redor de que você deveria chegar aos cem.
Não é um “deveria” de “Ah, seria bom se..”, é um “deveria” de “Tem que..”.
E paralelo a isso há o bolão dos mais próximos pra saber quando você vai cair duro, ou simplesmente não amanhecer junto com o resto da manada, porque, claro, isso pode acontecer com qualquer um a qualquer hora, mas depois dos oitenta, isso vira quase uma frase de camiseta que você não consegue tirar:"velho e doente". Mas como explicar isso a uma menina de quinze anos que já perdeu o pai e a mãe e já é perfeitamente vacinada contra o “vai passar”?
E ele percebeu em forma de epifania de que o "vai passar" não é pro sentimento, é pro tempo.
Juan Barreto
-Nina?
Ela se assustou de qualquer forma. Passou rapidamente as mãos pelo rosto para secá-lo.
-O que aconteceu meu bem? Por que você está tão desolada aqui sozinha? Você está chorando?
-Eu não estou chorando vô. - E fez aquele barulho com o nariz que sempre denuncia que a gente estava chorando.
O avô sentou-se ao seu lado. Ficou ali, de mãos postas sobre o colo olhando pra parede da frente igual a ela.
Passado um silêncio, ela sussurra.
-Vô, estão esperando o senhor lá embaixo.
-Mas estão precisando de mim aqui em cima. - Deu uma piscadinha e sorriu.
Ela não reagiu de nenhuma forma.
-Sabe, quando você era pequena eu te dizia que você era meu raiozinho de sol e que se chorasse muito, poderia se apagar sem nem perceber, porque água apaga o fogo. Você ficava com uns zoião arregalados pra mim, mas parava rapidinho. - Nina continuava fungando, agora sob controle, ainda olhando pra parede da frente, mas seus lábios flexionaram num sorriu muito de leve.
-As vezes sinto falta de quando você acreditava nas bobagens que eu contava.
-As vezes também sinto falta de quando você me contava coisas, vô. - E lhe deu uma olhada bastante significativa, dessas de secar pneu de avião.
Dessa vez, foi ele que não disse nada.
O silêncio tomou conta do quarto como o gelo faz com as paredes de um congelador que não é descongelado há cinco meses.
-Quando você ia me contar vô?
-Bom... Quando eu estivesse próximo de não acreditar mais em nada. Porque eu ainda acredito! - Ambos olhavam para o vidro fosco da tela da tv desligada. O choro agora lambia as bochechas de Nina de cima pra baixo. As lágrimas iam pingando e formando manchinhas escuras no tapete cor-de-creme.
O avô começou a falar bem devagar. Parecia mais estar pensando em voz alta, só que de propósito. Não conseguia ainda olhar pra ela.
-Acredito que a gente vai crescendo e vai selecionando as coisas em que acreditar, mas deixar de acreditar completamente, assim, zero total, acho que só quando a gente morre. Até um velho de oitenta anos como eu, quando tem um “negócio”, no fundo no fundo ele murmura um pouco pra si mesmo, um pouco pra Deus: "Agora não! Ainda não".
-Descalça!
-Como?
-Quando a mamãe e o papai... se foram, foi como se levassem um dos meus sapatos e eu fiquei mancando por um tempão. Quando você se for e levar o outro eu ficarei descalça!
Ele sentiu um rasgão no peito. Uma furada de arpão. Uma picada de maribondo nos olhos. Seu corpo por dentro era um colar de pérolas que acabara de ser quebrado e as bolinhas estavam todas doidas, quicando e se espalhando a esmo. Respirou fundo, engoliu o novelo de lã que estava na sua boca e disse:
-E sua vó eim? Sua irmã? Não servem como meias?
-Vô...
-Nina, pés descalços, mas que sabem os passos da dança, meu amor. É isso que importa!
-Não é!
Ela estava ficando vermelha. Ele branco. Começava a querer escorrer também, mas o que fazer? “Ok querida, prometo que não vou morrer!”? Quando você passa dos oitenta, meio que começa a se formar uma expectativa de todos ao seu redor de que você deveria chegar aos cem.
Não é um “deveria” de “Ah, seria bom se..”, é um “deveria” de “Tem que..”.
E paralelo a isso há o bolão dos mais próximos pra saber quando você vai cair duro, ou simplesmente não amanhecer junto com o resto da manada, porque, claro, isso pode acontecer com qualquer um a qualquer hora, mas depois dos oitenta, isso vira quase uma frase de camiseta que você não consegue tirar:"velho e doente". Mas como explicar isso a uma menina de quinze anos que já perdeu o pai e a mãe e já é perfeitamente vacinada contra o “vai passar”?
E ele percebeu em forma de epifania de que o "vai passar" não é pro sentimento, é pro tempo.
Juan Barreto
Seja em minhas pinturas em calda ou em meus textos em conserva, minhas músicas geradas ou adotadas ou em minhas fotos paradas, paridas diretamente da boceta do meu cérebro, eu digo: No meu mundo a tristeza não poderá nunca com a ponta de uma borracha, porque tudo está escrito ou desenhado de grafite e a sorte não enlinha nem solta fiapo.
Juan Barr..
Juan Barr..
Sua lembrança, como todo dia um pouquinho com geléia de morango.
Sem sua pessoa meu coração fica assim, meio nissin. Uma massa branca e um pouco de caldo escorrendo.
Um gosto branco de nada, mas um 'branco-nada' diferente do 'branco-nada' do arroz.
Diferente do branco nada de nós dois.
Juan Barreto.
Sem sua pessoa meu coração fica assim, meio nissin. Uma massa branca e um pouco de caldo escorrendo.
Um gosto branco de nada, mas um 'branco-nada' diferente do 'branco-nada' do arroz.
Diferente do branco nada de nós dois.
Juan Barreto.
Só os vendedores e os apaixonados sabem como é ruim chegar ao fim do dia e ter que guardar aquilo que estava ali pra ser consumido por alguém
Juan B.
Juan B.
Por último plantou um pé de laranja. Não a fruta, e sim a cor.
Fez um pomar só de cores quentes
Agora que é dono das cores fortes, quem quiser verão tem que pedir e pagar com beijo, brilho ou contraste antes.
Juan Barreto
Fez um pomar só de cores quentes
Agora que é dono das cores fortes, quem quiser verão tem que pedir e pagar com beijo, brilho ou contraste antes.
Juan Barreto
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Querida Alisson
Pelo visto, você continua alimentando aqueles pinguins do parque.
Você não é tão importante a ponto de que seja possível acompanhar sua vida pelas revistas e jornais, e nem tão desimportante que me faça simplesmente não me importar com o que você anda fazendo, portanto, fiquei muito feliz em receber notícias suas.
Bom você ter falado sobre sonhos. Por esses dias, sonhei que eu era uma dessas pessoas que ficam na ponta da pista dos aviões com aquelas lanternas em forma de picolés para ajudá-los a pousar, e veja só, você era o avião! Vinha de braços abertos pelo céu, fazendo 'wuuuuuuum' com a boca e com o olhar blasé e impassivel que os aviões costumam ter.
E eu feito uma louca pulava, agitava meus bracinhos e aquelas lanterninhas laranjas como se fossem duas chuvinhas de são joão e dizia "AQUI! AQUI SUA IDIOTA! É POR AQUI! Mas o barulho era enorme e você passou direto. Foi um sonho péssimo.
Tenho certeza que acordaria completamente suada se não fosse essa minha mania triste de quase nunca beber água.
Uma vez vi um homem num bar que parecia muito com o Mark Ruffalo.
Outro dia, voltando pra casa no ônibus, subiu uma moça parecidíssima com a Adriana Calcanhoto. Essa semana eu estava na sala de espera do dentista quando entrou uma moça que lembrava um pouco você. Desses três,foi a que mais me deu vontade de ir falar. Não fui, claro, mas entrei na sala do dentista sem medo, sem anestesia, sem nada. Só com a cara e você. E minha boca escancarada era mais que um "a", era um "e" dos que a gente faz quando sorri.
O que nunca ficou explicado entre nós é que não sou do tipo de pessoa que pendura lençóis no varal ou nas janelas, mas não quer dizer que eu não os tenha.
Já você é diferente. Você faz cabaninha com os seus, se enrola toda dos pés a cabeça como uma panqueca humana e acaba que a gente só vê o lençól, e nada de você.
E quem olhar mais atentamente, percebe que ainda assim, você passa frio.
Também não sou do tipo de pessoa que simpatiza com metáforas. O lençól é o amor.
Não se auto-afirme tanto com tantos corações espalhados por agendas, porta-retratos, ímãs de geladeiras e almofadas. Pra quê cartaz se não tem espetáculo? Mas enfim, o teatro é seu.
Hum..mudei de idéia, adoro metáforas!
Não esperava mesmo que um dia você, de alguma maneira, ainda fosse querer se comunicar comigo. De verdade. Assim como aposto que você não esperava nunca que eu fosse lhe responder. Surpresas 1x1.
Beijos Alisson girl, e me mantenha informada dos seus sonhos...ou não.
Dereza
Juan Barreto
Querida Alisson
Pelo visto, você continua alimentando aqueles pinguins do parque.
Você não é tão importante a ponto de que seja possível acompanhar sua vida pelas revistas e jornais, e nem tão desimportante que me faça simplesmente não me importar com o que você anda fazendo, portanto, fiquei muito feliz em receber notícias suas.
Bom você ter falado sobre sonhos. Por esses dias, sonhei que eu era uma dessas pessoas que ficam na ponta da pista dos aviões com aquelas lanternas em forma de picolés para ajudá-los a pousar, e veja só, você era o avião! Vinha de braços abertos pelo céu, fazendo 'wuuuuuuum' com a boca e com o olhar blasé e impassivel que os aviões costumam ter.
E eu feito uma louca pulava, agitava meus bracinhos e aquelas lanterninhas laranjas como se fossem duas chuvinhas de são joão e dizia "AQUI! AQUI SUA IDIOTA! É POR AQUI! Mas o barulho era enorme e você passou direto. Foi um sonho péssimo.
Tenho certeza que acordaria completamente suada se não fosse essa minha mania triste de quase nunca beber água.
Uma vez vi um homem num bar que parecia muito com o Mark Ruffalo.
Outro dia, voltando pra casa no ônibus, subiu uma moça parecidíssima com a Adriana Calcanhoto. Essa semana eu estava na sala de espera do dentista quando entrou uma moça que lembrava um pouco você. Desses três,foi a que mais me deu vontade de ir falar. Não fui, claro, mas entrei na sala do dentista sem medo, sem anestesia, sem nada. Só com a cara e você. E minha boca escancarada era mais que um "a", era um "e" dos que a gente faz quando sorri.
O que nunca ficou explicado entre nós é que não sou do tipo de pessoa que pendura lençóis no varal ou nas janelas, mas não quer dizer que eu não os tenha.
Já você é diferente. Você faz cabaninha com os seus, se enrola toda dos pés a cabeça como uma panqueca humana e acaba que a gente só vê o lençól, e nada de você.
E quem olhar mais atentamente, percebe que ainda assim, você passa frio.
Também não sou do tipo de pessoa que simpatiza com metáforas. O lençól é o amor.
Não se auto-afirme tanto com tantos corações espalhados por agendas, porta-retratos, ímãs de geladeiras e almofadas. Pra quê cartaz se não tem espetáculo? Mas enfim, o teatro é seu.
Hum..mudei de idéia, adoro metáforas!
Não esperava mesmo que um dia você, de alguma maneira, ainda fosse querer se comunicar comigo. De verdade. Assim como aposto que você não esperava nunca que eu fosse lhe responder. Surpresas 1x1.
Beijos Alisson girl, e me mantenha informada dos seus sonhos...ou não.
Dereza
Juan Barreto
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