Eu vivo no último andar de mim mesmo. Cobertura com vista para o ar.
Pratos com cores
Cores ‘com pletas’
Gosto disso mais do que parece e olhe que ‘parecer’ já é por si só uma hipérbole.
Pelo menos na língua de quem fofoca.
A mente humana sempre dando megazords para os nossos medos.
O coador não coa a dor.
Pessoas perdidas precisam de luz, assim como as plantas.
Minhas bordas não são de catupiry e a minha escrita é escrota, mas eu dediquei mais tempo pensando em você do que jamais dediquei a matemática, por exemplo.
Juan Barreto
Alice tinha oito anos e no momento em que pôs o primeiro centímetro de sandália da “hello kittie’ pra dentro do supermercado, soltou mão de mãe, soltou os cabelos da tiara, soltou a franga, saiu correndo feito louca. A mãe ainda disse o clássico “Alice, não corre!”completamente em vão, a essa altura ela já estava há quatro seções dali.
A pequena vinha embalada na corrida, desviando do mar de joelhos adultos que sombreavam seu caminho e raspavam sua testa. Parecia uma floresta de pernas. Vinha eufórica, vinha que vinha e só parou quando avistou o seu objetivo: ‘A boneca Mell Sulivan - Com cabelos de massinha que crescem de verdade’. Alice paquerava, no começo timidamente, mas de umas duas semanas pra cá, descaradamente com essa boneca. Ela era do tamanho de Alice, com olhos castanhos como os de Alice e com cabelos que agora estavam pretos e compridos, mas que com uma rápida tesourada(sem ponta) ficariam laranjas, curtinhos e cacheados como os de Alice. Era perfeita e teria que ser dela, embora soubesse que só no natal. E sabia também que ainda faltavam vinte e três dias para isso. Sabia, pois estava contando os dias com risquinhos na parede, igual os prisioneiros na cadeia.
Lá estava ela no seu ritual semanal de babar em frente a caixa da boneca enquanto sua mãe fazia a feira, quando sentiu uma presença ao lado. Era um... Menino de uns dez anos mais ou menos, parado ao lado dela olhando a (sua) Mell Sulivan.
Não gostou. Pela primeira vez na vida sentiu ciúmes de algo que não era seu, como todos nós fazemos o tempo todo, só que com pessoas de verdade.
O menino percebeu o olhar secante de Alice e perguntou enjoativo:
_Quié?
-Nada.
-Hum.
-Você gosta dela? – Perguntou Alice timidamente.
-Gosto de olhar pra ela, ela é tão linda!
Alice percebeu o brilho nos olhos do menino ao falar isso, meio que se viu ali. Foi uma sensação engraçada, mas um engraçado confuso.
-Você não devia estar na parte dos soldados e carros com dentes e facas e outras coisas tontas que se batem e se matam?
O menino olhou Alice por algum tempo. Até ela quase entrar em ebolição de vergonha, e respondeu/perguntou:
-Por que?
-Bom... porque é onde os meninos vão!
-É. Tô sabendo. – Respondeu o garoto com uma mescla de enfado e desdém.
Passados mais alguns segundo de silêncio, Alice faz a social de novo.
-Eu vou ganhá-la. No natal!
-Eu também!
Agora foi a vez de Alice encará-lo por algum tempo até cuspir um:
-Por que?
-Por que não?
Não soube o que dizer.
A mãe localizara o alvo “filha” e chegou já pegando pelo braço.
-Já pedi pra você não soltar minha mão e sair assim desembestada entrando nos lugares! E se você se perde? E se alguém te leva?
Mesmo sendo conduzida pelo braço, nem estava escutando direito as reclamações e os sermões da mãe. Alice e o garoto ainda se olhavam, ela por cima do ombro, até que percebeu uma coisa tão sutil e tão gritante que a fez fazer uma cara engraçada de espanto e sussurrar admirada movendo os lábios em slow motion:
-Você esta usando brilho na boca!
O menino faz a leitura labial, gargalha, depois sorri fazendo aquela cara de "dããã" e balança a cabeça que sim.
Alice sorri de volta enquanto adentra na seção de laticínios rebocada pela mãe.
Juan Barreto
A pequena vinha embalada na corrida, desviando do mar de joelhos adultos que sombreavam seu caminho e raspavam sua testa. Parecia uma floresta de pernas. Vinha eufórica, vinha que vinha e só parou quando avistou o seu objetivo: ‘A boneca Mell Sulivan - Com cabelos de massinha que crescem de verdade’. Alice paquerava, no começo timidamente, mas de umas duas semanas pra cá, descaradamente com essa boneca. Ela era do tamanho de Alice, com olhos castanhos como os de Alice e com cabelos que agora estavam pretos e compridos, mas que com uma rápida tesourada(sem ponta) ficariam laranjas, curtinhos e cacheados como os de Alice. Era perfeita e teria que ser dela, embora soubesse que só no natal. E sabia também que ainda faltavam vinte e três dias para isso. Sabia, pois estava contando os dias com risquinhos na parede, igual os prisioneiros na cadeia.
Lá estava ela no seu ritual semanal de babar em frente a caixa da boneca enquanto sua mãe fazia a feira, quando sentiu uma presença ao lado. Era um... Menino de uns dez anos mais ou menos, parado ao lado dela olhando a (sua) Mell Sulivan.
Não gostou. Pela primeira vez na vida sentiu ciúmes de algo que não era seu, como todos nós fazemos o tempo todo, só que com pessoas de verdade.
O menino percebeu o olhar secante de Alice e perguntou enjoativo:
_Quié?
-Nada.
-Hum.
-Você gosta dela? – Perguntou Alice timidamente.
-Gosto de olhar pra ela, ela é tão linda!
Alice percebeu o brilho nos olhos do menino ao falar isso, meio que se viu ali. Foi uma sensação engraçada, mas um engraçado confuso.
-Você não devia estar na parte dos soldados e carros com dentes e facas e outras coisas tontas que se batem e se matam?
O menino olhou Alice por algum tempo. Até ela quase entrar em ebolição de vergonha, e respondeu/perguntou:
-Por que?
-Bom... porque é onde os meninos vão!
-É. Tô sabendo. – Respondeu o garoto com uma mescla de enfado e desdém.
Passados mais alguns segundo de silêncio, Alice faz a social de novo.
-Eu vou ganhá-la. No natal!
-Eu também!
Agora foi a vez de Alice encará-lo por algum tempo até cuspir um:
-Por que?
-Por que não?
Não soube o que dizer.
A mãe localizara o alvo “filha” e chegou já pegando pelo braço.
-Já pedi pra você não soltar minha mão e sair assim desembestada entrando nos lugares! E se você se perde? E se alguém te leva?
Mesmo sendo conduzida pelo braço, nem estava escutando direito as reclamações e os sermões da mãe. Alice e o garoto ainda se olhavam, ela por cima do ombro, até que percebeu uma coisa tão sutil e tão gritante que a fez fazer uma cara engraçada de espanto e sussurrar admirada movendo os lábios em slow motion:
-Você esta usando brilho na boca!
O menino faz a leitura labial, gargalha, depois sorri fazendo aquela cara de "dããã" e balança a cabeça que sim.
Alice sorri de volta enquanto adentra na seção de laticínios rebocada pela mãe.
Juan Barreto
Melhor que as flores é o sol
Que gira e roda e brilha que só.
E também pode ser flor se ele quiser, que não deixa de ser macho.
Um monte de gente do mundo do "antes de ontem" falou um monte.
Um monte de ontem do mundo do antes de "a gente" falou na mente, não minto.
E se não falo nada direito é porque minha língua é canhota e inevitavelmente procura a esquerda. O coração.
Os tontos tentam tanto.
Juan Barreto
Que gira e roda e brilha que só.
E também pode ser flor se ele quiser, que não deixa de ser macho.
Um monte de gente do mundo do "antes de ontem" falou um monte.
Um monte de ontem do mundo do antes de "a gente" falou na mente, não minto.
E se não falo nada direito é porque minha língua é canhota e inevitavelmente procura a esquerda. O coração.
Os tontos tentam tanto.
Juan Barreto
Não quero mais saber dessas paixões de soja, que não são mesmo de carne, apenas tentam imitar o gosto e a textura dela.
Juan Barreto
Juan Barreto
Nada mais minha cara do que comemorar a 100ª postagem desse ano com uma reclamação.
Possibilidades para o significado dos 3G's da internet da vivo:
1-Gente, que coisa lenta! Oito minutos pra carregar o paint!
2-Ganharam meu dinheiro no mole,tsc!
3-GOT YA!!! HAHAHAHAHAHA...(Tele atendente, quando você liga pra reclamar)
ou
1-Grandesíssima bosta, essa net da vivo!
2-'Guento' mais não! Caiu de novo! E não faz nem três minutos desde a última vez!
3-GERENTE! EU QUERO FALAR COM O GERENTE, PORRA! (Tentando falar com alguém da manuteção, mas até agora só gravações e musiquinhas)
PS- Essa postagem não durou mais que dez minutos pra ser concebida, mas demorou um pouco mais pra ir ao ar, já que a net bosta (da vivo) caiu algumas centenas de vezes durante o processo.
'Acredite ao menos um pouco nos que estão voltando'
Possibilidades para o significado dos 3G's da internet da vivo:
1-Gente, que coisa lenta! Oito minutos pra carregar o paint!
2-Ganharam meu dinheiro no mole,tsc!
3-GOT YA!!! HAHAHAHAHAHA...(Tele atendente, quando você liga pra reclamar)
ou
1-Grandesíssima bosta, essa net da vivo!
2-'Guento' mais não! Caiu de novo! E não faz nem três minutos desde a última vez!
3-GERENTE! EU QUERO FALAR COM O GERENTE, PORRA! (Tentando falar com alguém da manuteção, mas até agora só gravações e musiquinhas)
PS- Essa postagem não durou mais que dez minutos pra ser concebida, mas demorou um pouco mais pra ir ao ar, já que a net bosta (da vivo) caiu algumas centenas de vezes durante o processo.
'Acredite ao menos um pouco nos que estão voltando'
-É com um sorriso nos olhos que eu te digo: Eu sem você passo. Você sem mim não passa... De um troço. E só não te meto um tiro aqui, ou melhor, ai, bem no meio dessa tua testa de zinco, não por ti, não por ter dó, porque quem tem dó é violão. Mas por mim. Porque acredito piamente na lei do três vezes, mais até do que em Deus, e não quero que numa bela noite, saindo de um bar feliz por ser sexta feira, um marginalzinho imundo e sequelado querendo meu celular pra trocar por uma pedra de crack, me dê três tiros. Porque a lei dos três vezes faz isso rapaz! É, também sei ser egoísta. E cale a boca que ninguém aqui está falando com você! Estou falando só. Aliás, hábito esse, que adquiri numa das centenas e milhares de noites que você saia pra comer bucetas cruas por ai e eu ficava em casa olhando ora pra televisão, ora pras paredes. Passei a conversar comigo mesma. Sim, eu sabia que você saia pra comer bucetas. Como? Porque eu também tenho uma, idiota! Eu sei sentir o cheiro de homem fedendo a buceta. Ainda mais quando não é a minha! Quer saber? você é uma barata muito feinha e asquerosa. Mudei de idéia. Vou atirar no seu saco e espalhar o seus mini-bostinhas todos pelo chão e depois esfregar sua cara que nem a gente faz com cachorro que mija no tapete da sala. "Aqui não Rex. Aqui não!" (Batendo no peito) TÁ OUVINDO REX? AQUI NÃO! (Atira).
Juan Barreto
Juan Barreto
trocou o coração por um terceiro pulmão e passou a viver bem mais e melhor. A fumar bem mais e sem culpa. Negócio da china.
Ju..Ba..
Ju..Ba..
Tudo é passageiro. Até essa frase clichê. Um dia, de caso pensado ou não, simplesmente vão deixar de dizê-la e pronto.
Juan Barreto
Juan Barreto
tsc
Domingo de manhã, deitado no tapete caramelo da sala. Se apalpou procurando fósforos e sentiu no bolso direito do calção, algo com textura de papel amassado.
"Dinheiro! Achei dinheiro no bolso de um short velho, que legal!" - Quando ele puxou, era um papel fino e retorcido, quase branco de tantas lavagens.
Desembrulhou com cuidado e reconheceu de pronto um símbolo. Era um recibo de devolução de uma locadora de dvds que costumava frequentar. As letras impressas estavam firmes ainda, mas a parte preenchida de caneta estava bastante desbotada. Ficara no papel apenas fantasmas de vogais e consoantes. Impressões. Ele apertou a vista até formar dois risquinhos no lugar dos olhos e constatou aquilo que seu coração já havia se precipitado em dizer com um coice no momento em que reconheceu o símbolo da locadora. Sim, lá estava a letra desbotada da menina morta. Seu nome, a data, o valor do aluguel essas coisas, numa caligrafia quase translúcida. E o nome do filme que ele havia alugado nessa ocasião?: 'My blueberry nights'.
A vida deve está enchendo um balão gigante com todo o ar quente que anda roubando dos pulmões das pessoas em momentos como esse.
Coincidências são como aquele amigo do amigo do seu amigo que aparece sem ser convidado no seu aniversário e termina derrubando o bolo no chão, tropeçando na caixa de som e vomitando no vestido da sua avó, ou seja, só servem pra estragar seu dia.
Não... Apenas não.
Juan
"Dinheiro! Achei dinheiro no bolso de um short velho, que legal!" - Quando ele puxou, era um papel fino e retorcido, quase branco de tantas lavagens.
Desembrulhou com cuidado e reconheceu de pronto um símbolo. Era um recibo de devolução de uma locadora de dvds que costumava frequentar. As letras impressas estavam firmes ainda, mas a parte preenchida de caneta estava bastante desbotada. Ficara no papel apenas fantasmas de vogais e consoantes. Impressões. Ele apertou a vista até formar dois risquinhos no lugar dos olhos e constatou aquilo que seu coração já havia se precipitado em dizer com um coice no momento em que reconheceu o símbolo da locadora. Sim, lá estava a letra desbotada da menina morta. Seu nome, a data, o valor do aluguel essas coisas, numa caligrafia quase translúcida. E o nome do filme que ele havia alugado nessa ocasião?: 'My blueberry nights'.
A vida deve está enchendo um balão gigante com todo o ar quente que anda roubando dos pulmões das pessoas em momentos como esse.
Coincidências são como aquele amigo do amigo do seu amigo que aparece sem ser convidado no seu aniversário e termina derrubando o bolo no chão, tropeçando na caixa de som e vomitando no vestido da sua avó, ou seja, só servem pra estragar seu dia.
Não... Apenas não.
Juan
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