Funcionário do mês

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Estava assistindo tv quando escuta uma música incomum vinda da cozinha. Era meio que uma ópera. Começou baixinho e ai foi aumentando.
Ela para tentando indentificar a música. Não consegue e grita apaticamente a esmo, sem tirar os olhos da tv, ou melhor, da mtv.
"TEM UM CELULAR TOCANDO AQUII!!!"
Silêncio.
Celular continua rasgando em ópera.
"MÃÃÃÃÃÃEEEE!!! LUÍÍÍÍÍSAAAA!!! TELEFONE AQUI!!!"
Silêncio outra vez, só que com mais força.
Ela dá "mute" no controle remoto e tenta num último esforço de não precisar ter que se levantar.
"TELEFOOOOOONEEEE QUE NÃÃÃO ÉÉÉÉ MEEEU E ESTÁ TOCANDO!!"
Silêncio sentado na cadeira de balanço em silêncio fazendo crochê.
"PUTA QUE PARIU, CARA!!" resmunga pra si e pra casa.
Se levanta entre indignada e curiosa pra saber onde estariam essas surdas do caralho.
A música continuava tocando. Ao chegar na cozinha, acendeu a luz e foi a primeira coisa que ela viu:O celular preto luzente vibrando, rodando, piscando, zumbindo e cantando.
Já com o telefone a meio caminho da orelha, ela ainda se pergunta de quem diabos seria esse celular mesmo, porque esse ela não estava reconhecendo.
-Alô, quem é?!
-Ah , não era pra atender!!! - Resmunga uma voz masculina claramente frustrada do outro lado.
-Ãh? Ah não amigo! Trote? É o novo!
-Não era pra ter atendido! Eu só queria continuar ouvindo a música!
-Que música meu amigo? Quem é que ta falando?
-Eu vou ligar de novo e você não atenda!Não ouse interromper "Habenera from Carmem"
-Quem?
-Bizet! George Bizet!
-Vai pertubar outro seu viado escroto! Não ligue mais! Vou desligar!
-Não atenda!!
Tuuuuuu...
Ela mal havia dado alguns passos de volta pra sala quando O celular ganha vida outra vez no balcão de mármore da cozinha.
‘Habanera’ ecoa outra vez pela casa em silêncio.
Ela já ia se virando no intuito de atender e xingar, ou de quebrar o telefone.
No momento que ela aperta o símbolo verdinho, a musiquinha cessa e simultâneamente a porta da dispensa que ficava ao lado da geladeira atrás dela se abre abruptamente e um homem sai de dentro com um olhar demente e irritado.
-Eu disse pra você não atender! - e se atira contra ela. Sua mãos procuram a garganta da adolescente que se debate .


Juan B.