Funcionário do mês

[ CRÔNICAS, CONTOS, POESIA CONCRETA ] [ ILUSTRAÇÕES ] [ FOTOGRAFIAS ] [ VÍDEOS ]
Adão fumou maconha, mas foi eva quem apertou.
De quem era a plantação? Bom... De quem era o Éden? Quem era o dono da chácara?
Quanto a maçã, foi apenas larica, nada pessoal.

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Vou tatuar o mapa múndi nas palmas das minhas mãos pra envolver o planeta por inteiro em conchinha, que nem se faz pra acalmar passarinho nervoso que caiu do ninho.
Esperança é lenda urbana, e assim como a loira do banheiro, há quem acredita que exista.

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Sorte não se compra na farmácia ou na padaria, e nem se pede junto com a pizza.
Não se atrai sorte andando com quem tem, nem usando iscas.
Não se pega bebendo do mesmo copo, usando a mesma toalha ou através da tossida.
Não se faz download de milagres na missa.
O futuro fica acordado até de madrugada preocupado, esperando a gente chegar das farras.

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"Azar" O novo babalú sabor: Piche.


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Juan Barto
Evite dormir com o cabelo molhado/ O forno ligado/ Com homem casado.
Evite sair do compasso/ Com o tempo fechado/Em ônibus lotado.
Evite comprar, evite o fiado, evite tornar-se um indivíduo endividado.
Evite os fiapos e os velhos tarados.
Evite esquecer o celular ligado no cinema/ Na biblioteca/ No teatro.
É um saco!
Evite o marasmo, modere o sarcasmo.
Evite os vizinhos incomodados e os parentes acomodados.
Evite os mal-olhados, os mal-amados e os ultrapassados.
Evite ser atropelado, tapeado ou estapeado.
Evite fazer pactos, evite a otite e atente aos ditados.
Evite ser evitado.
Evite ficar em casa aos sábados a não ser que esteja muito cansado
ou muito bem acompanhado.
Nesse caso... Evite o evitável.
Evite o alvo. Evite ativar o 'auto'.
Evite o tráfego.
Evite o término, evite ao máximo.





Juan Barto
Ontem vinhamos eu e a lua andando lado a lado em silêncio pela rua.
Eu com a cabeça no mundo dela, ela careca de saber como é o meu.
Já reparei que sinto mais saudades de você às sextas, assim como sentia mais ciúmes aos sábados.
Eu acho que passei perfume demais e preciso de alguém pra me esfregar e diluir.
Eu sei que sonhar massageia o cérebro, mas meus olhos já estão roucos de tanto te chamar e você não escuta.
Enquanto você dorme, eu escrevo em letra de forma seu nome, pra ver se te acordo.
Meu medo é que tanto sono assim seja seu jeito de me dizer "acorde".
Meu castelo de cartas de tarô falô que parô, você já mofô e é hora do coração, qualquer um dos dois, o vermelho ou o preto, tomar a iniciativa, mas eu já falei que chamei a dama de ouros pra sair e ela disse "Q?"
Sou rei, oK? Não desistirei nem a paus.



//Juan Barto //
Antes que as expectativas pelas luzes se formem, informem:
Um vaga-lume só não faz boate!
Sou índio "olhos vermelhos" porque quando fumo, o amor me invade as vistas.



Juan Barto
[SUPERMERCADO]

Vontade de jogar boliche naqueles corredores de supermercados desertos, tão corríveis nas madrugadas longas dos que ficam abertos 24 horas.
Samambaia se apaixonou pela alface. Lesbianismo vegetal.
Os legumes fálicos custam a entender.
Uma cebola-bebê quando cai e se corta, chora o dobro do que choraria uma criança comum.
Porque eles põe morangos na ilustração da caixa de cereal, se dentro não vem morango nenhum? Poderia vir ao menos um, desidratado, que inchasse no contato com o leite, estilo camarão de cups noodle.
Indagações... Indignações...
O sol é uma gema mole, salgada e auto suficiente pois se cozinha sozinha.
Camisinha seria um band-aids?
Eu tomo tanto amaciante antes de te encontrar, só pra tudo sair fofinho e perfumado pra você.
Te cuspo um sabão em barra e te esfrego as costas e os trópicos se quiser, mas caí no esquecimento e acho que torci o tornozelo.

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Ruivos são resquícios da fase lisérgica de Deus. Ruivos são o mais próximo que conseguimos chegar dos cosplays sem ter que trapacear.

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Rave no elevador, no balão de ar quente, na beliche da gente é festa com com dois ambientes, afinal, um par é constituído de dois ímpares.
Fumar é verbo, eu sou sujeito. O que tem de errado nessa frase?
Só será prejudicado no predicado, assim como viver, assim como todo o resto.
Eu ainda desconfio que as cidades são maquetes gigantes, com prédios feitos de caixas vazias de remédio.

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O amanhecer consegue me fazer sorrir ao mesmo tempo em que queima minhas retinas com cores de sorvetes neon em alta definição.
Enquanto minha cara dói de sono, enquanto um sino de igrejinha toca ao longe, o inventor dos óculos escuros merece sim, um brinde de agradecimento.
Para-brisas acenam pra mim nas ruas, não me sinto mais tão sozinho.
Deus fecha um parêntese, mas abre um colchete.




Juan Barto
Ele deu uma puxada intensa no cachimbo, alguns segundos depois, foi o cachimbo que o puxou sutilmente de volta de sua nuvem de devaneios.
-Mestre! Mestre! – Falou o cachimbo acanhado.
O mestre lhe deu atenção.
-Sei que não é a melhor hora, mas é que estou passando por... Mudanças! Não sei o que está havendo comigo.
-Que mudanças? – Perguntou o mestre interessado.
O cachimbo começou a suar por dentro e por fora.
-Bom, ultimamente passei a falar coisas que antes eu nem sequer pensaria e a pensar coisas que eu nunca teria coragem de falar. Tudo misturado... As vezes ao contrário... E quando me questiono qual seria o por quê, a única resposta que me ocorre é a vontade de continuar.
O mestre não falou nada, girou-o de cabeça pra baixo com uma mão, deu algumas batidinhas no cachimbo, como quem botasse uma criança pra arrotar, caíram algumas cinzas. Enquanto arrastava uma vela pra perto, o paciente aguardava a neuro-inspeção em silêncio.
O mestre tirou os óculos e usou uma de suas pernas para cutucar o interior da cachola do cachimbo.
Cavucou um pouco e ao trazê-la de volta a superfície, percebeu uma pasta lustrosa na ponta, parecia cera de ouvido, só que preta e de um cheiro adocicado. Soltou um 'huuum' de conclusão e deu o diagnóstico.
-Você haxixou!
-Isso é ruim?
-Na verdade, é ótimo.




Juan Barto