Funcionário do mês

[ CRÔNICAS, CONTOS, POESIA CONCRETA ] [ ILUSTRAÇÕES ] [ FOTOGRAFIAS ] [ VÍDEOS ]
[SUPERMERCADO]

Vontade de jogar boliche naqueles corredores de supermercados desertos, tão corríveis nas madrugadas longas dos que ficam abertos 24 horas.
Samambaia se apaixonou pela alface. Lesbianismo vegetal.
Os legumes fálicos custam a entender.
Uma cebola-bebê quando cai e se corta, chora o dobro do que choraria uma criança comum.
Porque eles põe morangos na ilustração da caixa de cereal, se dentro não vem morango nenhum? Poderia vir ao menos um, desidratado, que inchasse no contato com o leite, estilo camarão de cups noodle.
Indagações... Indignações...
O sol é uma gema mole, salgada e auto suficiente pois se cozinha sozinha.
Camisinha seria um band-aids?
Eu tomo tanto amaciante antes de te encontrar, só pra tudo sair fofinho e perfumado pra você.
Te cuspo um sabão em barra e te esfrego as costas e os trópicos se quiser, mas caí no esquecimento e acho que torci o tornozelo.

-----------------------------------------------------------------

Ruivos são resquícios da fase lisérgica de Deus. Ruivos são o mais próximo que conseguimos chegar dos cosplays sem ter que trapacear.

----------------------------------------------------------------

Rave no elevador, no balão de ar quente, na beliche da gente é festa com com dois ambientes, afinal, um par é constituído de dois ímpares.
Fumar é verbo, eu sou sujeito. O que tem de errado nessa frase?
Só será prejudicado no predicado, assim como viver, assim como todo o resto.
Eu ainda desconfio que as cidades são maquetes gigantes, com prédios feitos de caixas vazias de remédio.

---------------------------------------------------------------------


O amanhecer consegue me fazer sorrir ao mesmo tempo em que queima minhas retinas com cores de sorvetes neon em alta definição.
Enquanto minha cara dói de sono, enquanto um sino de igrejinha toca ao longe, o inventor dos óculos escuros merece sim, um brinde de agradecimento.
Para-brisas acenam pra mim nas ruas, não me sinto mais tão sozinho.
Deus fecha um parêntese, mas abre um colchete.




Juan Barto