Funcionário do mês

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[LÁ FORA]

A pequeneza de espírito do 'homem-pouquinho', que joga baixo, que gosta de diminuir os outros com seu coração anão batendo sempre com o vigor da vigarice.

[CÁ DENTRO]

Isso de ter que ir quando chamam e ter que ficar quando mandam ou quando esquecem de chamar, só dura até a gente aprender a ter autonomia e fazer as calçadas deslizarem pelos nossos pés na hora que der vontade de dar vontade.



Juan Barto


Rolha de cortiça boiando vagarosa no riacho improvisado de vinho derramado, como se fosse uma espécie de Vitória-Régia sintética. 
Cortinas de estopa estampadas, minha ordem judicial mantendo o sol a certa distância de mim.
Essa fome me comendo em todas as posições do livro de receitas.
Me engravidando ao contrário.




Juan Barto




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As vezes, anjos da guarda precisam fazer conosco que nem os adultos fazem com as crianças: pendurar na prateleira mais alta da estante aqueles objetos que tanto nos despertam o interesse dos olhos e a cobiça das mãos, mas que iriam terminar nos machucando de alguma forma, por serem pontiagudos, cortantes, venenosos ou apenas pequenos demais, fáceis de engolir e se engasgar.
E a gente chora por não entender.
As coisas importantes a gente quase nunca entende ao vivo. Por isso, para o nosso próprio bem, tem horas que perder é acumular ao cúmulo pontos na sorte.
Eventualmente, conseguimos arrastar uma cadeira para perto da estante quando não tem ninguém olhando, mas quer saber? De repente, aquela porta que não quer abrir de jeito nenhum (nem puxando nem empurrando) deve ser porque o monstro que vive atrás da maçaneta não quer receber visitas.
Pense nisso e deixe pra lá aquilo que insiste em ficar do lado de lá.


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As horas é que deixam tudo para o último 'eu', que só podia ter nascido aquariano mesmo, pra explicar essa necessidade de ter espaço pra poder reclamar da solidão.
"Aquário" é tão individualista, que acabou colocando os peixes pra fora, empurrando-os pra frente, forçando-os a serem outro signo.





juan barto