Funcionário do mês

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Passamos boa parte da nossa vida fazendo as mesmas coisas, só que com pessoas diferentes em lugares diferentes, com roupas diferentes em  dias diferentes, em momentos diferentes . . . 
Em boa parte dessa ‘boa parte’, estamos tentando atrair pessoas novas que se encaixem e se acomodem nas nossas coisas antigas.
Quando achamos, os inserimos em nosso HD particular e lhes damos acesso a nossas pastas de músicas antigas, de fotos antigas com nossos amigos antigos, documentos de textos antigos contando nossas histórias antigas e por ai vai... Até que o outro se sinta antigo também, no sentido de se sentir em casa, de casa.
Até que em algum momento, um dos dois diz assim, na cara: 'Eu quero é novidade!, com uma convicção  reta que a gente não consegue saber se foi de verdade ou se foi
só pra provocar. O que nem por isso dói menos.
E ai, o antigo se sente velho. Um velho caquético!
Se sente quebradiço e desnecessário.
A resposta ríspida que a pessoa que nós gostamos nos dá, é uma  raspada de lixa na cara.
Bochechas vermelhas. Em carne viva.
É uma pedra pomes atravessada na garganta que nem uma espinha de peixe.
De qualquer forma, nos faz pensar a respeito e nos faz pensar em respeito.
Silêncio não é o mesmo que paz.
Fazer as pazes não é o mesmo que paz.
Transformamos uma ofensa em crítica construtiva há cada vinte minutos, pedindo desculpas pra nós mesmos por coisas que os outros nos fizeram, e fazemos isso em nome do equilíbrio. Da harmonia. Da ‘paz’.
Futuremos... Vamos ver se as minhas previsões de futuro, as pretensões de presente e os pretéritos mais-que-passados se realizam.
Viver as vezes é muito genérico, tudo está até bom, mas bom não é ótimo. Se estivesse ótimo, ai sim, seria maravilhoso!



Juan Barreto

Foto: Juan Barreto












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