Funcionário do mês

CRÔNICAS, CONTOS E TEXTOS POÉTICOS, NÃO POESIA.
"As pessoas são falsas no natal"
As pessoas também são falsas no São João e você nem liga!
Natal é que nem Los Hermanos, tem pessoas que até gostam, mas como gostar é muito 'mainstream', ai elas odeiam.
Porque odiar é mais rebelde, é mais 'O sistema não me pega, cara!'




Juan Barto
A gente até pode ter nossa opinião, desde que embasada na razão do outro!
Desde que nossa opinião passe pela alfandega do outro e que ele carimbe nossa opinião com o selo do 'eu também acho!'.
Do contrário... Se contrai.



Juan Barto
Estrangulou os lábios dela pressionando sobre eles seu indicador direito, indicando que a fala ali, naquele momento, trincaria taças, geraria tosses, enfim, azedaria o feijão.
Ninguém aprecia o som delicioso de um portão que não range até que ele começa a ranger.

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Era um cego visionário, não se importava tanto assim em estar perto do fim, imaginava que morrer é parto pra porto perto, onde o celular não pega, mas o ar puro compensa.
Achava a vida massante, mas com bordas crocantes, e o ''orégano'' dava sabor a pizza.



Juan Barto
Cinema é arte rupestre que se mexe e que me mexe.
Vida é teatro de sombras feito de mãos projetadas no muro das lamentações, onde umas sombras se acham mais escuras do que outras.
Algumas sabem atuar, sabem até chorar! Seja  pelo método russo de Constantin Stanislavski, seja pelo método americano de Vick Vaporub.
Outras não sabem fazer nada, estão ali apenas por ter uma bela silhueta, anelares bem definidos que desaguam em costas largas, costas quentes e testas de ferro.

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O amor é o seu vizinho, é o maior de todos, é o fura-bolo e o cata-piolho.
Um bocadinho de caldinho nesses nossos corações áridos e com textura de miojo cru.
E haja frio na barriga pra dissipar esse calor todo que anda fazendo.



Juan Barto


Foto: Juan Barreto

O passo a passo do seu dia a dia preso nas entranhas dos seus dentes, como mato crescido entre as rochas da montanha.
O fio dental limpando a consciência da sua boca pra que você possa ter uma
noite de sono tranquila, sem aquele gosto de setenta anos de idade que o café deixa nas papilas gustativas.
Língua é ponte para outras cabeças. Literalmente. Literariamente.
Gengivas são trópicos.

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-Vamos jogar xadrez apostado? Se eu ganhar faço um pedido, se eu perder aceito um fato.
-Não vou, porque você não sabe perder.
-Não vai porque você não sabe ganhar!




Juan Barto


Foto: Juan Barto

ACOMETIDO COMETO!

'Ira' é uma palavra muito pequena pra comportar tudo o que está dentro dela.
Como uma criança de dez anos, magra e grávida de quadrigêmeos.
Meu ódio eu prefiro assim, a céu aberto, como uma fratura exposta pegando sereno e infeccionando.
Chorar não faz ninguém menor, mas chorar baixinho faz!
Por isso te grito em negrito até você ter uma hemorragia nasal, uma menstruação no cérebro decorrente de uma fissura.
 Arranho a sua imagem  e seu corpo pra dai sim, te ofender com silêncio grosso e pastoso como um pote de banha. Como um pátio de piche.
Te cuspo porque pessoas com raiva babam e meu ego tem amigdalite e não consegue engolir mais nada.
Diferente de você, eu não alugo meus sentimentos.
Acho uma pena que garrafas pet tenham mil e uma utilidades e você ai sem nenhuma, só sendo um desperdício de aborto que anda e fala.




Juan Barto


Foto: Juan Barto


ENXOFRE

A burrice é como o ratinho Ratatouille, controlando as ações das pessoas de forma camuflada, só que o ratinho da burrice te controla pelo cu, não pela cabeça.
Ele fica ali fazendo cócegas, massageando lentamente as paredes sociais e suas terminações nervosas como um oxiúros manipulador te incentivando a fazer bem muita merda, te fazendo sentir a coceira da cobiça, inclusive do que há de mais péssimo nos outros.
Uma pessoa canalha, por exemplo, fica ofendidíssma com a canalhice alheia, mesmo que não seja com ela.
Gera nela um sentimento de 'Como não pensei nisso antes!?', ou seja, inveja, que é a lêndea da vaidade e que quanto mais madura, mais imatura.
Essa gente tem como único mandamento o amor ao 'pró sí (mes)mo'.
As pessoas trazem alguns hábitos dos tempos de colégio para a vida adulta.
Geralmente só os mais execráveis! Os que na época já eram odiosos, mas ao menos estavam em conserva, protegidos no plástico bolha da adolescência que te dá 50% de desconto na compra do ingresso de qualquer roubada.
A vida ávida se matando pra dar aula lá na frente e você torcendo o pescoço pra trás pra conversar besteiras e fazer fofoquinhas, ficando sem entender porra nenhuma do que interessa, reprovando em disciplinas por indisciplina, se dando mal em matérias bestas as vezes por causa de meio décimo, as vezes por causa de meio termo.
Entendo que a angústia esfarela o bom senso como um biscoito de polvilho, mas o povo tem a mania de atribuir a responsabilidade de seus defeitos à fatores externos como possessão demoníaca, influência da globo, capitalismo selvagem, vênus em escorpião e marte em áries, bipolaridade crônica, efeito estufa etc, não importa, a culpa nunca é da própria pessoa, coitada!
Por isso tanta gente encaminha suas dúvidas e suas queixas para o SAC dos departamentos errados.
Minha caneta vem fazendo ultimamente um barulhinho de broca de dentista ensurdecedor, e é com ela que tatuo sem dó em out-doors:

'E você que não gosta de mim, mas me chama pra sair?'

Tem criaturas que te pagam cervejas, mas querem mesmo é beber do teu copo quando tu vai ao banheiro. Quando não conseguem, brindam com exessiva força pra ver se quebra.
Pessoas 'prego' segrego sem segredo e não agrego.
Reclamam  por ai que eu sou muito 'lixa', mas será que não são vocês que são muito 'unhas'?
Sou dente incisivo, sou ralador de queijo no traquejo mesmo e nem nego nem me orgulho, mas também não me arrependo.
Sendo eu assim tão porco-espinho ainda tem gente querendo me extinguir, imagina só se eu fosse porquinho-da-índia?
Nunca subestime o perigo das cobras! Mesmo sem braços nem patas elas são capazes de fazer o que fazem.



Juan Barto




Foto: Juan Barto
Como a energia sonora, redonda e vibrante da palavra 'porra', que vai reta e cortante como uma estrela da morte ninja, explode aberta no peito alheio como um chute. Como uma torta na cara.
Ríspido, raspa.
O cheiro quente da esperança desperta o apetite do diabo, que pra quem não sabe almoça dezoito vezes por dia antes mesmo sequer de sentir fome.
Quem vive de 'amanhã' morre de véspera, porque o desejo por frio dura alguns minutos, já o frio dura alguns dias.
Toda prece tem pressa e tem pressão.
O decepcionado é um extremista em potencial que sempre acha os 180º do vizinho mais verdes.
Demasia - Use pra caralho!
Acho que você tem o direito constitucional de botar cara feia pra quem interrompe um raciocínio, uma epifania, uma frase genial em desenvolvimento pra fazer algum comentário besta.
Não me venha com 'mas como eu poderia saber?'!
Se prestassem um pouquinho só de atenção mesmo uns nos outros perceberiam a cara de tarado que alguém que está no meio de um pensamento de 500 quilates, de 500 gigas, de 500 gramas de alcatra faz.
Não é que parou...
Não equiparou.


Juan Barto
Foto: Juan Barreto

SUCO DE DIAMANTES

Querem transformar o teu tempo em tampa vedando a pressão, vendendo a impressão de que tudo está tranquilo.
''Você que é impaciente!''
O homem convive a vida inteira com todo tipo de falta e, no entanto, sem nunca compreender realmente nenhuma delas.
Nem quando desmama, nem quando desama, nem quando desanda, nem quando desarma e nem quando desaba.
É preciso se livrar desse imediatismo agora mesmo. Já! Segure-o com as duas mãos e torça seu pescoço.
Amor é um suco feito da polpa do diamante com leite tirado de pedra.




Juan Barto

Foto: Juan Barto







Tarde lado A

Te gosto com a mesma intensidade que o frio bucólico fritava as árvores do meu bairro no inverno, fazendo com que elas escorressem lentamente, curvando-se através dos anos dramaticamente até quase tocar o chão, parecendo velas derretidas definhando com seu silêncio de condão entre os barulhos urbanos.

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Tarde lado B

Percebi que o cílios são os dentes dos olhos e as pessoas são os dentes de alhos nessa picanha acebolada chamada 'vida'.
O isqueiro sabor morango deu um beijo de língua de fogo no papel.
Cada brasa de cigarro passando entre dedos de uma mão para outra é como se fosse uma estrela cadente para uma formiga.
E elas pedem sempre a mesma coisa:
Que você morra!



Juan Barto



Foto: Juan Barto / Florianópolis SC - julho/2012

Me bate, 'bite me' e roça até ficar rosa!
[Mãos são estrelas-do-mar, unhas são conchas]

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Cave 'avec' 'care' e carinho, que debaixo dos lençóis freáticos existem os lençóis frenéticos.
Coração é fruta tropical que ama(en)durece ao menos uma vez ao ano.
Não é a toa que o coração tem o formato de manga.
Tudo que é muito doce dá dor de barriga, inclusive pessoas.

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Réplica é direito de quem é atacado, já a tréplica é infantilidade de quem esqueceu que quem fala o que quer ouve o que não quer.
Cabelo pega fogo fácil, cabeça 'pega ar' mais fácil ainda.

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Faltou energia de madrugada, e o silêncio produzia apitos tão imaginários quanto audíveis nos meus ouvidos.
Alucinação consciente.
Eletro-grilos psicológicos massageando o clítoris da minha esquizofrenia.




Juan Barto


Foto: Juan Barto

ESTADOS, ZUNIDOS DA AMÉRICA

Durante as sextas feiras eles eram felizes como se fossem crianças com cem reais pra gastar todinho de chicletes.
Faziam origamis de horizontes 'arrasantes' horas antes.
Goles amarronzados e golas amarrotadas.
Ser jovem é fazer listas, várias listas, e ter amigos que fazem suas próprias listas e que te incluam nessas listas.
Quanto a falta do que fazer não há nada que se possa fazer.
O 'couple' copula . . .
Hoje o dia nasceu de parto natural.
Ela é uma do(ll)rminhoca



Juan Barto

Foto: Juan Barreto 
Você sabe por que é que paz é algo impossível de se desejar?
Porque é infantil e infantil só é uma gracinha nas crianças, passou dos onze anos vira babaquice.
E é babaca porque não depende nenhum centímetro, nenhuma mísera grama do desejo, da ação, da intenção ou da atenção de quem quer ter paz....
Sabe aquela historinha de que 'No trânsito você tem que dirigir por você e pelos outros!'?
É a mesma coisa!
Você pode ser um sujeito tranquilo, educado, solidário, 'humano', gente fina, bom filho, bom marido, sensato, fiel, leal...  Nada disso é garantia de paz.
Você deixa o cara te ofender aos berros e perdigotos pra evitar uma discussão...pra ter 'paz', mas ainda assim isso não é o suficiente pra ele que não satisfeito, vai lá e fala mal de você fora do ringue.
Arrasta essa situação por mais alguns dias e mais alguns quarteirões da cidade.
Ele quer ganhar e mostrar pra todo mundo que ganhou
Porque hoje em dia humilhar é ganhar.
Você entrega o celular , a carteira, a bunda pro assaltante simplesmente ir embora do jeito que ele chegou, assim 'do nada!', sem te agredir, mas ele acha pouco e te dá uma facada.
Porque você, classe média maldita é o responsável por ele ser pobre fodido e fedido...
Você 'classe mídia é o responsável por ele saber o que é um play station, mas não saber o que 'play station' significa!
Você classe 'mérdia' é o responsável pelo alcoolismo dos pais dele, enquanto o responsável pelo alcoolismo dos seus é a televisão, tentações demoníacas, predisposição genética esses inimigos abstratos.
'Frescura de gente rica!'
Ele tá puto e o responsável disso é você
Se ele está na merda é porque alguém está numa boa e esse alguém é você.
Você tomou a vaga dele.

Ele não quer mais só o seu dinheiro, ele quer arranhar a sua 'paz' com um prego.

E tem gente que acha que ele está coberto de razão.
De sujeira e de razão
E discutir sobre isso já seria uma forma de 'não paz'.
Você faz o favor de fazer favores, mas ai o que era uma gentileza vira uma obrigação e se você tentar cortar esse cordão umbilical você é um escroto nojento que só pensa em si mesmo.
'Se é pra fazer só 99% é melhor não fazer nada!'
Pa(z)ciência...
Você viaja pra deixar os problemas adormecidos na criogenia, suspensos no suspense do afastamento de alguns dias, até você voltar com a cura, mas eis que as chateações tem os seus contatos e o seu 'foursquare' tava ligado sem que você nem soubesse.
Dai é preocupação te ligando dizendo que tá numa pior, carente querendo atenção, querendo um 'ombro amigo' que é o paliativo homeopático do 'vou dar um jeito'
E acabo dando mesmo . . .
Já que eu não consigo ter paz eu tenho ódio!




Juan Barreto


O problema das pessoas é que se elas gostam de Beatles elas acham que tudo é Beatles.
O problema das pessoas é que elas achavam que os Beatles seriam pra sempre.
E ainda acham.
Hoje em dia, ninguém vai a um show do Paul MacCartney, as pessoas vão ao show daquele cara que era dos Beatles.
O problema das pessoas é que elas são vaidosamente competitivas, até quando é sobre algo de natureza depressiva e melancólica. Cada um acha que ELE é o mais depressivo e a mais melancólico do mundo inteiro.
"Muito mais do que você! Iiiih, Muito mais"
O problema das pessoas é que elas acham que sabem tudo o que as outras pessoas deveriam saber sobre tudo.
O problema das pessoas é o acumulo dessas algas marinhas, desses ‘algos’ celestes, desses egos terrenos.
Terrores terráqueos.
O problema das pessoas é que elas não conseguem desprezar o que é desprezível, e depois ficam resmungando.
O problema das pessoas é que elas querem que você dê nome as suas ereções anônimas e peça desculpas.
O problema das pessoas é que elas me ama(rra)m!


Juan Barto

ÁLCOOL E FLÚOR

Diga me com quem andas que eu te direi quem ass.

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Riste para o dedo em riste....
'Se fo(r) Deu(s)! (?)'

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O dia estava sépia e a noite não tinha CEP, ia caindo primeiro onde fosse mais morno.
A via-láctea estava doente.
Virose. Estava virando iogurte!

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Adiando, odiando...
Macho alfa(ce), o rei dos vikings vegans.
O mundo urra!

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Nós somos letrinhas numa sopa quente.
Servidas em tigelinhas onde os deuses nos bebem lentamente.

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(AB+sinto)
[O+i!!!!
 O-i . . .]
AB-straio

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Sangue do meu sangue, sundae do meu sundae, sunday do meu sunday
Sonhos editados e sonorizados.
(A)'Gravando!'




Juan Barto



Sua cidadezinha estava estrangulando-o. Claustrofobia a céu aberto.
Cansou de respirar aquela poeira barrenta vinda de nuvenzinhas cor de tijolo que se levantavam toda vez que passava uma carroça ou bicicleta pelas ruas de terra vermelha e depois abaixavam assentando lentamente como se fosse um cão velho erguendo a cabeça pra ver quem passa e depois voltando a repousá-la no chão mansamente retornando a sua aposentadoria fisiológica.
Washington sonhava mesmo era em inalar fumaça grossa dos carros de gente fina que ele via na novela.
Sair da jungle e ir pra jugular desse país tórrido e torrado.
A grande 'Cidade grande', de carros verdes fazendo fumaça preta.
Sinal de fumaça urbano dessa tribo é a fuligem que sobe aos céus, aos célsius, pra esfregar na cara de Deus os resultados das pesquisas de IBOPE, mostrando que as coisas  não vão bem para os bons.
Cidade de pocinhas de gasolina derramadas nos asfalto. Mini arco-íris derretidos.
Pneus trocando de couro mais do que cobra.
Pneus fazendo limpeza de pele a cento e vinte quilômetros por hora pela estrada à fora.
Seu pai ex-coronel, sua mãe eterna coronária não concordavam, mas acordavam que aquário pequeno deixa o peixe instintivamente pequeno, pois se ele tentar ser grande não vai conseguir se mexer muito.
O medo é um monstro feio e fedorento feito de pus e cera de ouvido que infecciona, influencia e inferioriza as superfícies em que toca e o meio ambiente em que vive.
Washington foi vivendo tapando o sol com a peneira, filtrando seus raios solares, seu reles salário até o dia que não aguentou mais 'não aguentar'. Contrariando o contexto, queria contestar o contrato e resolveu seguir os rastros dos astros.
Todos os seus sonhos tinham colesterol, o que resultava em engordar os seus desejos e dar estrias nas suas vontades.
Tinha medo de quebrar a cara, mas por outro lado não dançar seria um desperdício incrível de pernas.
Pensou nisso e isso pesou nele.
Washington queria muito ser 'Ashton'. . .
E num belo dia se foi
Pra poder ser . . .
                                   

Juan Barreto

Astronauta que come estrelas sabe o cu que tem.
Descem pela nossa garganta arranhando tudo, desmatando nossa flora intestinal.
E não confunda sentimentos analgésicos com sentimentos anestésicos.
'Cores frias' tem esse nome porque te matam sem sentir remorso.
Descaso pesado de caso pensado.
E eu só quero o que todo mundo quer: Ventosas numa ventania.

Juan Barto
Foto: Juan Barto



Mas eu admiro em certa instância e a certa distância as pessoas falsas.
De verdade!
A coragem que o falso economiza na hora de falar na cara da pessoa aquilo que ele fala depois por trás, é canalizada e compensada em triplo na hora que ele vai cumprimentar cheio de sorrisos e abraços essa mesma pessoa quando a vê nos lugares, arriscado de peito aberto a, entre outras coisas, tomar um belo murro na boca!
Mas o falso tem nervos de aço,  já que dedica boa parte de sua vida a perambular pelo campo da corda bamba e da incerteza sem nunca saber ao certo se sua vítima conhece ou não a sua obra.
O falso prostitui diariamente o conceito de 'audácia'.

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Outro tipo a ser analisado é a tal da 'personalidade forte'.
Isso é apenas um personagem birrento, bisonho e bizarro que as criaturas criam pra obter licença poética, receita médica pra serem estúpidas com quem quiserem quando der vontade.
Não passam de crianças mimadas carregando um alvará que as autoriza a serem insuportáveis, mas o que essas pessoas fingem não perceber é que esse documento não é válido em todo o território nacional.
Só é aceito no continente das realidades paralelas onde elas, por acaso, são presidentes da república do próprio umbigo.



Juan Barto
Vida sabor ‘churros’.
Granulada no açúcar, grelhada no óleo quente, no olho quente de olhar ruivo.
Sentimentos onívoros desconhecem cadeia alimentar e prisão de ventre.

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Fogo controlado é tão bonito que a guarda baixa, a pressão baixa e o santo baixa.
Quando a ampulheta seca de um lado significa que a paciência encheu do outro, mas ai o mundo dá voltas, gira a realidade e a corrida dos grãos continua.
Esvaziando a cabeça tappaware, tirando areia do juízo.
Pintando nossos cabelos de outro tom. Estão usando bastante o #G ultimamente.
De férias com fé, rias!
A volta ao mundo em oitenta graus.
Centígrados.
Senti! Grato!



Juan Barto


Foto: Juan Barreto
Eu sou o mamífero 'man'. Meu coração 'orange' ora range, ora rege 'rouge' e reage.
Como um 'rojo' rojão.
A oferta do ‘se manda!’ não para de crescer porque a demanda também não.
As rosas gordas vão para o abate e saem do matadouro em forma de buquê, sangrando por todos os polens.
Sonhar está no contrato e imaginar é se fazer presente, só que do jeito invisível.
Quando te vejo, abre um paraquedas dentro de mim. Contentamento com tentação.
Passeio pelo mundo sentado no topo da cabeça de um elefante.
(em) presto atenção e não me devolvem.


Juan Barto



Ele saiu na rua recém-molhada de chuva trajando bermuda e chinela.
Andava rápido, pois ainda neblinava. O seu movimento natural de caminhar arremessava perdigotos de lama e aguinha empoçada nojenta nas suas canelas desprotegidas fazendo os pelos grudarem.
'Grande ideia!', pensou irritado.
Mas não se pode dizer que foi propriamente uma ideia, porque não houve programação. Foi impulso.
Vinte minutos antes estava deitado e muito bem deitado se preparando pra dormir no seu ninho de poliéster e algodão. 
O quarto estava frio, mas o ventilador ligado virado pra parede era indispensável. O barulhinho do seu mini motor somado ao tamborilar metálico ritmado das gotas grossas de chuva no teto de zinco da garagem do vizinho era anestésico. Hipnótico! Até que o celular do nada começou a cuspir uma melodia.
Levou alguns segundos ponderando se valia a pena se levantar já que tinha encontrado a posição perfeita na cama. Quando finalmente decidiu se desvencilhar do seu casulo de panos, quem quer que estivesse tentando contatá-lo desistiu. Ficou puto, socou o travesseiro, mas quando passou as vistas no visor do celular e viu aquele nome digitado em caixa alta, seu coração ficou em caixa alta também.
Não tinha crédito pra retornar e só lhe restou esperar que lhe ligassem de novo.
Passados vinte minutos e nada. Resolveu agir! A curiosidade matou o gato, mas foi a ansiedade quem salgou o feijão e quando menos percebeu já estava de casaco esperando o elevador chacoalhando as chaves de casa no ritmo da abertura de 'Os simpsons'. Ia até a loja de conveniências do posto de gasolina da esquina colocar crédito no celular. Precisava ouvir a voz daquele nome.
A chuva voltava a chicotear insistentemente com força os prédios da zona nobre de uma cidade vil naquele prepúcio de madrugada. Num apartamento do sexto andar todos hibernavam menos uma moça que jazia deitada no escuro olhando pra cima sem conseguir dormir.
Um “Let it be” começa baixinho, tímido, abafado e rapidamente vai crescendo, encorpando até ecoar pelo quarto assustando-a. Ela estica o braço e apanha o aparelho, tenta ver quem está ligando, mas a luz azul fortíssima do visor agride e cega seus olhos desacostumados.  Não acha que pode ser ele, tem quase quarenta minutos que ela ligou e ele nem sinal. Resolve atender assim mesmo antes que Paul McCartney acorde a casa toda.


-Oi, alô? Quem é?


Do outro lado ele com o coração aos coices, infantilmente ajeita os cabelos com os dedos como se ela pudesse vê-lo. Respira fundo e fala:


‘-Camille?’


Aquela voz sabia dizer o seu nome como ninguém. Chega a fez sorrir no escuro e ela num esforço enorme pra não parecer ‘felizinha’ demais, que era como ela estava se sentindo respondeu:


‘-Oi! Desculpa te ligar, ainda mais uma hora dessas. É que acabei de sonhar com você. Um sonho ruim e queria saber se está tudo bem. ’


‘-Você? Dormindo antes das três da manhã? Nem vem que eu sei da sua insônia!’


Ele andando em círculos pelo quarto tentando disfarçar a euforia. Fazia alguns dias que não se falavam e começo de namoro é assim mesmo, cada dia é um ano bissexto.


‘-Veja você! Essa chuvinha, esse frio é um gás sonífero!’ Disse ela.


 ‘-Sei bem como é! Pois diz ai como é que foi esse sonho. ’


Ele falou isso e na sequencia bateu a paranoia se não teria falado com um tom de desdém não intencional. Começo de namoro também é cheio dessas dúvidas e curvas dramáticas.


‘-Estávamos no seu quarto e você estava sentado na janela. Eu ia colocar uma rosa no seu cabelo, mas o 
vento a arrancou da minha mão, quando você se inclinou para tentar pegá-la, se desequilibrou e caiu. ’


‘-Hum.’


(Silêncio)


Ele agora tinha certeza que tinha soado com descaso, mas não foi proposital. Escapou!


‘-Pois é! Mas tá tudo bem mesmo né?’ – Ela perguntou já com outro tom de voz, confirmando o seu receio.


‘-Tá sim. Relaxe!’


‘-Certo. Então vou indo. Boa noite pra ti. Beijo!’


‘-Boa. Beijo’


Desligam.


Ele está se sentindo mais imbecil do que nunca em toda a sua existência. Eufórico e imbecil.
Queria mexer nas suas configurações e desabilitar o item “Hum”. Quantas brigas ele já não presenciara, tivera, escutara, soubera todas começadas por causa de um ‘Hum!'?  Ficou remoendo e não conseguiu pensar em nada melhor que pudesse ter dito! Poderia ter sido pior, poderia ter mandado um 'Pode crer!'
Foi para o computador ver se se distraia pelo menos o suficiente para o seu sangue voltar a circular pelo resto do corpo, porque parece que ele estava todo concentrado na sua cara durante os últimos cinco minutos. 
A cabeça estava até meio pesada! Maldito nervosismo! A voz dela ainda estava grudada nas paredes do quarto, nas paredes dos seus tímpanos. Tão doce tão querida ligando preocupada com ele por causa de um sonho. O carinho está nos detalhes, está em quem lembra dos detalhes. E ele com seu ‘HUM!’,
Quem com ‘hum’ fere, com ‘hum-hum’ será ferido!
Ah, o remorso das pequenas coisas... São como cortes de papel. Não são feitos pra te matar, e sim pra te torturar ao longo do dia.
A chuva engrossou o pescoço esmurrando as vidraças do seu quarto enfurecida. Começaram os trovões escandalosos que ele tanto odeia. Ironicamente após um particularmente alto e ameaçador ele teve um estalo que o fez pegar o celular e apertar a tecla redial. No terceiro toque atenderam e antes que ela pudesse terminar de dizer ‘alô’ ele falou empolgado:


‘-Desvendei o significado do seu sonho! Não era um mau presságio, queria dizer apenas que eu estou... 
Caidinho por você!’


Ela gargalha do outro lado da linha. Ele respira aliviado. Açúcar para adoçar! O resto é ‘Belle & Sebastian’ tocando alto nas caixinhas de som. Tão bom não ter vizinhos nessas horas de felicidade inesperada.


Juan Barreto



Palavras 'boneca-russa' (vários mini significados, um dentro do outro)
Palavras 'boneco voo-do', a gente diz, só para causar dor.
Palavra cuspida e escupida; és 'cupida' e culpada!
A palavra é o meu moleque-de-recados, minhas luvas de amianto, meu time do coração.
Meu tímido coração...
Tristeza quando atinge o solo do sentimento, cresce
e termina não dando nada que preste.
'Queria' é um 'ia' que não foi.
Um 'ia' que ficou para outro dia.


Juan Barto

Desde sempre, a gente peca pelo excesso.
Num belo dia resolvemos enfiar o H depois do P pra dar som de F. O que é uma idiotice, uma vez que já tínhamos o 'F'.
Por que? Porque sim!
'Porque sim', pra quem não sabe, é a verdadeira identidade secreta do 'jeitinho Brasileiro'.
Como é o caso de 'PODER' que na verdade escreve-se 'PHODER' com 'H' mudo, envolto num tecido mágico que só os inteligentes conseguem ver, mas que preservou o espírito da coisa.

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Parece que tudo que é à laser é definitivo.
Quero lazer à laser.
E principalmente, que as pessoas parem de confundir gratidão com 'puxa saquismo' e respeito com 'rabo preso'.
E a defesa de quem não entende é sempre dizer que quem não está entendendo é o outro.
Quem está nervoso sempre pede calma.
Se dê valor e ai sim, podemos discutir sobre valores.
Se dar valor não é se dá um preço.
Enxergo os términos com o olho do cu, por isso que ando cagando tanto pra tanta coisa.

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Se suicidou pulando do sexto andar do próprio ego e só não subiu mais porque o elevador estava quebrado.  

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Difícil se adaptar.
Quando tá tudo bem, ser 'Maria vai com as outras' significa união, sintonia, núcleo.
Quando tá mais ou menos mal, ser 'Maria vai com as outras' é falta de personalidade, puxa saquismo... até te chamam de viado por você se considerar 'Maria'.
Quem quer o que todo mundo quer, sofre!
Quem não quer o que todo mundo quer, sofre!
a.c = Antes do começo
d.c = Depois da crise
           
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Pistola d´água se passando por arma de fogo.
Bala de ar comprimido.
Sete palmos de terra
Os elementos nas mãos dos maus elementos.
Elementar...
           
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Adultos continuam sendo apenas crianças que se soltaram das mãos dos pais no shopping e saíram correndo desembestados lá na frente.


Juan Barto

MIOSÓTIS

[Cada vez que alguém diz que dessa vez vai ser diferente, cai um dentinho de leite de um diabinho no inferno. E a cada vez que outro alguém acredita nessa conversa fiada, nasce um permanente.]
                           
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OUT/ruísmo IN/voluntário vale menos?
É que a ordem dos favores altera o produto.
Tudo vai bem... perene até que perece.

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-Sinto sua falta! 
-Sei de saudades tão bem, também.
["Amor" é o coletivo de simpatias]

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Eu sou uma criança adulterada, com estoques de ex- t.o.c's.




[Juan Barto] 




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