Funcionário do mês

CRÔNICAS, CONTOS E TEXTOS POÉTICOS, NÃO POESIAS.
Sua cidadezinha estava estrangulando-o. Claustrofobia a céu aberto.
Cansou de respirar aquela poeira barrenta vinda de nuvenzinhas cor de tijolo que se levantavam toda vez que passava uma carroça ou bicicleta pelas ruas de terra vermelha. Depois abaixavam, assentando lentamente como um cão velho erguendo a cabeça pra ver quem passa e depois voltando a repousá-la no chão mansamente, retornando à sua aposentadoria fisiológica.
Washington sonhava mesmo era em inalar a fumaça grossa dos cigarros de gente fina, que ele via na novela. Sair da jungle e ir pra jugular desse país tórrido e torrado: a grande 'cidade grande'!
Sinal de fumaça urbano dessa tribo é a fuligem que sobe aos céus, aos célsius, pra esfregar na cara de Deus os resultados das pesquisas: as coisas não vão bem para os bons.
Pocinhas de gasolina derramadas nos asfalto. Mini arco-íris derretidos.
Pneus trocando de couro que nem cobra. Pneus fazendo limpeza de pele a cento e vinte quilômetros por hora pela estrada à fora.
Seu pai: ex-coronel, sua mãe: eterna coronária.
Não concordavam com o filho, mas acordavam entre si que aquário pequeno deixa o peixe instintivamente pequeno, pois se ele tentar ser grande não vai conseguir se mexer muito.
O medo é uma doença que corrompe as superfícies em que toca e o meio ambiente em que vive, por isso que Washington foi vivendo tapando o sol com a peneira, filtrando seus raios solares, seu reles salário até o dia que não aguentou mais 'não aguentar'. Contrariando o contexto, queria contestar o contrato e resolveu seguir os rastros dos astros.
Todos os seus sonhos tinham colesterol, o que resultava em engordar os seus desejos e dar estrias nas suas vontades.
Medo é um corte que se não tratar infecciona. Pensou nisso e isso pesou nele.
Não dançar seria um desperdício incrível de pernas.
Washington um belo dia juntou uns pertences e partiu.
Se foi... pra poder ser.




Juan Barto