Funcionário do mês

[ CRÔNICAS, CONTOS, POESIA CONCRETA ] [ ILUSTRAÇÕES ] [ FOTOGRAFIAS ] [ VÍDEOS ]
Passou pelo mendigo e não deu dinheiro, deu atenção condensada num 'bom dia' e aquele ser pode se sentir humano de novo o suficiente pra se lembrar que esse calor que estava sentindo por dentro, parecido com uma luzinha de geladeira, não era esperança, era fome.


Juan Barto

AXIOMA

Fritava papéis recheados porque Prozac o deixava muito prosaico e ele preferia a periferia do óbvio repleta de atalhos, só que não daqueles que te fazem chegar antes, mas do tipo que te fazem chegar inteiro, e acredite meu amigo, isso vale mais do que prece ou do que parece.
Defendia ativamente a liberdade de impressão, que é o direito inalienável que cada ser humano tem de tecer e manter aquela opinião babaca, retrógrada, preconceituosa, tacanha e uó a respeito de toda e qualquer coisa existente nesse mundo, desde que.. Dentro da sua própria cabeça.
Tem gente que adora um problema, tem gente que adora resolver um problema e tem gente que adora ficar resolvendo um problema pelo máximo de tempo que puder, sempre esticando o chiclete, sempre colocando um 'continua...' no final do episódio, sempre colocando um marcador de página enfiado no livro das tretas com a palavra 'merda' grifada de marca-texto verde limão azedo, pois encontrou nisso o passatempo terapêutico que estava faltando na sua vida sem graxa nas engrenagens e sem graça nas entrelinhas.
Quem (an)teviu, quem (an)tevê . . .
Ele era o primeiro a pedir as cabeças dos inimigos numa bandeja, mas também era o primeiro a costurá-las de volta, não se sabe ao certo se por ter uma bondade mal-assombrada ou uma maldade anêmica.



Juan Barto
Quando a vida se resume a subir e descer escadas e esperar em vão por aparências aparadas, isso faz você querer ser uma criança prodígio quando crescer.
Até lá, enfrentas afrontas tomando cuidado pra nenhuma faca te morder.
....
É foda 'brotha'!


Juan Barto




Ela foi dormir com os cabelos molhados e acordou com a cabeça cheia de bom senso.
Decantando poemas, declamando reações químicas.
Achou soluços e soluções.



Juan Barto
A caligrafia infantil, desenhada devagar com o 'a' arredondado sem esquecer o rabinho, denota a despreocupação da criança em relação ao tempo e destoa do 'A' do adulto, que tem duas pernas grandes e firmes pra que a letra possa se sustentar em pé sozinha e correr quando for preciso...
Assim como os próprios adultos tem que ser.
O mundo é muito pequeno, mas há pessoas que conseguem ser menores ainda.
Pense nisso, já que a terra não pode.
Porque se ela parar pra pensar, todo mundo morre.


Juan Barto


Garotas como Shaquilenne não se chamavam 'Shaquilenne' a toa.
Nomes esquisitos vem montados como jóqueis em cavalos instigados e persistentes, cavalos dourados e duradouros.
Shaquilenne tinha a personalidade forte o suficiente pra amassar a sua, embora por dentro se sentisse as vezes semi árida, noutras quase mofando.



Juan Barto
Esquinas são os cotovelos das ruas cutucando a sociedade nas costelas, expondo realidades urticantes em vitrines sem vidros.
Diariamente, vemos pistolas de diamantes vomitando balas com pontas de caneta Bic cristal explodindo cabeças de sangue azul.
Estamos mais preocupados em usar cortinas transparentes, pro sol não se sentir rejeitado.
Tá tudo errado!
Então, o jeito é usar as cordas vocais pra amarrar uma rede o mais alto e distante possível disso tudo, e tentar dormir.
Os presos tem pressa. A pressa tem presas.

-----------------------------------------------------------------------------

Não tenho mais paciência pra amores do tipo criança, hiperativos, onde se passa metade do tempo tenso, dizendo:

''Não sobe ai!'', ''Não mexe nisso!'', ''Eu disse pra não mexer!'', ''Não corre!''

E a outra metade, limpando nariz escorrendo e dando beijo em 'dodóis'.

Também não tenho mais paciência pra amores tipo adolescente, explosivos, que sobem na mesa o tempo todo com um megafone em uma mão e uma garrafa de bebida na outra, e você nunca sabe se é pra propor um brinde ou pra fazer um escândalo. Se bem que no fim das contas não importa, pois você acaba constrangido de qualquer jeito.
Esse tipo de amor que não pode ser contrariado, já que tem sempre razão, e ai de você se disser que não!
Que querem demonstrar bem querer, batendo sua cabeça na nossa, batendo a porta do quarto com força até rachar a parede, até despregar os posters, até trincar a madeira, até entortar a maçaneta de uma vez por todas... Até terminarem sozinhos, trancados por dentro.

'Hormônio' realmente não é o masculino de 'harmonia', aliás, são de uma diferença de grosso calibre.






Juan Barto




DISTIMIA

'Raiva' é a seiva leitosa escorrendo oleosa pela casca enrugada da testa do 'seringueira man'.
'Rancor' é o tablete de borracha já endurecida.
'Você é o culpado pela minha culpa!'

-----------------------------------------------

Minha cama por fazer, minha barba por lazer.
Observando as pessoas usando filigranas como se fossem fliperamas, esfaqueando minha sombra com lanternas.
Só se assa as batatas das pernas dançando a cada baque do atabaque.

-----------------------------------------------

Parecia que era fumaça de cigarro, mas era a alma escapando pela boca em pequenos jatos.
Caiu morto no chão, mas ainda houve quem dissesse que era a cara dele fazer essas coisas. Esse era só mais um pretexto pra não sair de casa.



J.B






[COM/A/FÉ DA MANHÃ]

-Por que você insiste em escrever sobre coisas que estavam quietas?
-Eu escrevo sobre coisas que estavam inquietas.
-Não me venha com essa! Não me venha com essa! - Vociferou o outro -Será que não percebe que suas palavras são como um data show projetando imagens dentro das cabeças das pessoas? - Ele deu um soco violento na mesa que fez as xícaras e os talheres baterem os dentes de medo.
-Você vê arco-íris onde não tem! Me passe a geleia por favor... - Retrucou o dono da casa na maior serenidade possível, tentando ignorar o destempero emocional do 'convidado' inusitado.
-Quer saber? O problema é que você escreve demais pra alguém que até calado está errado!
-Justamente por isso que eu escrevo muito! Prefiro 'estar errado' mandando tudo pra puta que pariu do que 'estar errado' morrendo entalado, sufocado de ódio.
-Você está me mandando pra puta que pariu?
-E não aceito um 'não' como resposta!

--------------------------------------------------------------------------
[ALMA/OSSO]

-Você trancou bem a porta?
-Meu Deus, eu já disse quinze vezes que sim!
-Você foi seguido?
-Que eu saiba não, mas quem iria me seguir?
-É exatamente essa pergunta que eu quero que o meu marido se faça. E ai? Fale tudo... você seguiu ele?
-Sim, desde o almoço da quinta-feira, quando ele lhe telefonou dizendo que ia comer no ...
-...'Churrasco Olímpico' com os sobrinhos!
-Pois é, mas ele comeu mesmo foi no 'El Marcondez', restaurante de comida mexicana, maravilhoso inclusive, com uma loira coxuda misteriosa. Olha aqui a foto.
-Ah, que escroto!
-E foi ela quem pagou a conta. Aqui... a fatura do cartão dela.
-Ah, que escroto!

---------------------------------------------------------------------
[JANTA GANGSTA]

Observo o obscuro com olhos de holofote, com paciência de elefante.
'Atolo o tolo até o talo!'
Coloco minha fome no modo silencioso e tiro o meu cérebro da função 'soneca'.


Juan Barto

Foto: Juan Barto








CLIFFORD & ZADA (EPISÓDIO 1)





                   MEU NOVO PROJETO, PESSOAL!
Por que será que mesmo o homem atual estando envolto em ferramentas tecnológicas cada vez mais modernas e imediatas no que diz respeito ao compartilhamento de informações em tempo real, já que seus pensamentos estão online em tempo integral, e ainda por cima sem sair de casa, mesmo assim não consegue resistir a tentação de ir ao meio da rua interagir, interferir à paisana com a paisagem urbana?
É como se, de forma consciente/ inconsciente / inconsequente, ele quisesse matar dez milhões de coelhos com uma grafitada só, transformando a cidade inteira no seu mural de recados, sua ata de reunião (‘fulano passou por aqui!’), sua cápsula do tempo, sua tela em branco, seu muro das lamentações estampado com criatividade.
Suas indignações, seu lirismo, seu humor sarcástico a céu aberto, expondo seu auto deboche a opinião pública.

Tatuando seu territorialismo nas superfícies lisas das paredes como um cachorro que mija tinta nos quatro cantos do bairro e nos postes do quarteirão delimitando suas áreas.

Exercitando seu lado publicitário em out-doors informais, escrachando em galerias improvisadas seus posicionamentos religiosos /políticos/ polêmicos de gramática errada, mas por linhas certas ou simplesmente escrevendo no asfalto com giz ou com gesso um ‘Eu te amo’ bem grande pra quem quiser ouvir.



Juan Barto
Sair mais cedo do trabalho não significa chegar mais cedo em casa. Era essa a lógica de quem dependia de ônibus.
"Maldito ano com gosto de comida de hospital!"
Pensava nisso constantemente no decorrer dos meses, no escorrer dos dias.
Ao abrir a porta da frente naquela noite, varreu lentamente um montinho de correspondências pra direita.
Junto com as contas de internet, de água e de luz um panfleto, aparentemente de algum curso de idiomas, dizia em letras vermelhas e chamativas:
'Sorte' em francês é 'chance!'
Balançou a cabeça e pensou em voz alta depositando a mochila pesada sobre o sofá:
"Aqui onde se fala português, 'chance' sem dúvida nenhuma também é sorte!"

--------------------------------------------------------------------

Medo não é respeito/ Respeito não é amor / 'Amor' não se responsabiliza pelo fato do sanduíche ser diferente da foto do cardápio.
Ao contrário de nós, que somos todos 'inguais'.

--------------------------------------------------------------------
Os cabelos e a barba formam a juba de pétalas da 'Planta - mamífera', uma nova espécie de espécie onde o pescoço é a raiz da cabeça e a cabeça só pensa em recapitular e recapturar gargalhadas ameaçadas de extinção.



Juan Barto
Sonhos desmaquilantes, sonhos de acetona, sonhos de solução de bateria fazem o cérebro acordar pela manhã com sua capacidade de aderência comprometida por algumas horas.
Assim como um durex vagabundo, a tendência é de que nada que se jogue ali em cima grude, a princípio pode até parecer  que colou, mas lentamente vai despregando, se soltando e se saindo até cair de súbito no chão.
Por essa razão, qualquer aula antes das nove da manhã é um exercício de disfunção da forma e de deformidade da função.

----------------------------------------------------------------------

Quanto as estrelas de pontas afiadas, elas sempre foram fixas ou foram afixadas no céu depois de recortadas?
Parecem percevejos dourados, espetados num isopor coberto com papel veludo azul escuro, quase preto.



Juan Barto







SYMPATHOS

Amanheceu chovendo bolas de sinuca.
Muitos mosquitos no ar. Insetos são fagulhas das labaredas do inferno.
Na parada de ônibus, ele percebeu o policial de longe olhando pra sua camiseta que trazia escrito 'Hey police, suck my dick!'.
Quase podia visualizar as pupilas do Tenente se movendo atrás das lentes escuras do rayban fazendo a leitura e tentando entender. A coincidência fez o PM pegar o celular do bolso nesse exato momento pra olhar as horas, mas foi a paranoia que fez Zed achar que ele estava fazendo isso pra usar o 'google translator'. Ficou nervoso e subiu sem olhar no primeiro ônibus que parou, já pensando em descer umas duas paradas depois. Também por coincidência era essa mesma linha que Zed pretendia pegar.

-------------------------------------------------------------------------------

Vida,  é só você voltando a fazer algumas coisas que há tempos não fazia, fazendo outras que nunca tinha feito antes e deixando de fazer aquelas que, sinceramente,  já encheram o saco. . . . . . . mesmo sabendo que depois de um tempo voltará a fazê-las de novo.

-------------------------------------------------------------------------------

Em matéria de problema, tamanho é documento.
Em matéria de matéria, o corpo é o que há!
Dizem que se você ouvir os seus pensamentos de trás pra frente, dá pra ouvir a palavra 'satanás' repetida em vários momentos.




Juan Barto
Desenho: Juan Barto
De uma concussão tirou uma conclusão: Com curso superior, poderia ser doutor no interior do exterior. Talvez desse errado, mas ao menos dar errado já era dar em alguma coisa.



Juan B.


Foto: Juan Barto

Agarrou a garrafa de cerveja em cima da mesa num movimento brusco e se demorou alguns segundos naquele gesto, sentindo a mão quente lentamente ficando fria e o vidro gelado lentamente ficando morno.
Um filete d'água escorrendo pelos seus dedos, molhando a madeira escura.
Tomou quatro goles robustos em sequência e sentiu uma agulhada na testa, repousou a bebida de lado, limpou a mão num pano de prato e catou a caneta seringa cheia de tinta heroína.
Pretendia picar o papel até que ele ficasse viciado, escravo das suas ideias, mas perdeu a inspiração.
Prendeu a respiração...
['Escritor', do latim: 'O idiota que risca'.]
Pensou em pedir um drink mais forte, algo como uma vodca pura.
Vodca é uma bebida tão traiçoeira que é meticulosamente dissimulada pra parecer apenas uma inocente água.
Ele sempre teve uma queda por aquilo que podia derrubá-lo.
'Não!'  - Pensou melhor, decidiu conjugar esse tipo de verbo apenas no pretérito-mais-que-enterrado, deu mais outros dois longos goles na cerveja, olhou pra folha lisa, aquele mangue profundo e branco, e rabiscou:
''Pela descriminalização de escrever 'Mais melhor' em documentos e sentimentos oficiais!'
e acrescentou:
''Essa caneta dura, machucando meu pulso. Nem parece que me conhece!'
Sua caligrafia parecia um cardiograma.
Se irritou, fechou o caderno e foi até o balcão para quitar o débito.
Enquanto revistava sua mochila à procura de dinheiro, lhe veio a mente:
'No fim (d)as contas são só papéis...'
Pensou em voltar até a mesa, reabrir o caderno e anotar aquele pensamento pra não esquecer, mas a fome apertou o cinto e ele apertou o passo. Deixou pra lá. Pagou, e saiu do boteco atravessando a rua onde os carros parados no sinal vermelho rosnavam pra ele parecendo cachorros bravos na coleira.

.

Era uma vez um peixinho dourado chamado Gomide. Parecia um pingo de fogo vivo, uma cápsula de lava ziguezagueando pelo aquário.
Cor de mertiolate, olhos de mercúrio, sozinho e com cara de poucos amigos.
Acontece que esse ser um dia encheu o saco daquele mundinho 'modelo reduzido' de Cloreto de Sódio artificializado com cor, luz e tédio.
De um salto pra cima se viu fora!
Serpenteou na corrente de ar que entrava pelo buraco do ar-condicionado que não estava lá e escapuliu. Foi-se embora.

-----------------------------------------------------------------------

Que dê ferrugem na cara de pau do destino.
Gangrena na viga mestre do carma.
Artrite na artéria da arte.
Piolho no olho clínico do oráculo, que gasta o tempo vendo tv na borra do café, sentado na porra do sofá.
Filosofando sobre conselhos de biscoito da sorte e anotando nas folhas de chá.

------------------------------------------------------------------------

Os vizinhos da frente só me veem.
Os vizinhos do lado só me ouvem.
Os vizinhos de baixo só me sentem.

------------------------------------------------------------------------

Um ex fumante é um candidato em potencial ao suicídio
Se existisse ex suicida seria um candidato em potencial a ser fumante.

------------------------------------------------------------------------

Manhãs frias por aqui são tão raras que ganha significado tudo e qualquer coisa que aconteça nelas, como por exemplo perceber que as nuvens são feitas de mousse de limão e que alguns pescoços de iogurte de coco.
Se a sorte lhe sorriu, o que importa se ela não tiver alguns dentes?




Juan Barto








Foto: Juan Barto


BOICOTE PULMONAR

Com quantos 'foi a ultima vez' se faz um 'não acredito mais'?
Depende da convicção empregada no tom de voz? Na urgência boiando no olhar?
Algo é obrigatório ser levado em conta?
Olhe . . . Precisar é o que o homem sabe fazer com mais precisão.



Juan Barto


LIVRO DE CONTOS


Acompanhe vinte e quatro personagens mundanos em vinte e quatro histórias urbanas durante vinte e quatro horas terrestres.
Desde o início da noite de uma sexta feira até os últimos momentos do entardecer de um sábado a intenção de todas essas pessoas aqui é a mesma: Achar o mapa do tesouro que está enterrado no quintal do dia.
"Cotidiário" é o primeiro livro do escritor Juan Barto.




CLIQUE NO LINK PARA DOWNLOAD  

OXIGÊNIO OLEOSO

O homem é uma espécie de avestruz, que enfia a cabeça no buraco do próprio umbigo achando que isso é auto conhecimento. Mas ele não suporta por mais de quinze minutos o sotaque caipira do seu 'eu' interior.



Juan Barto
Jogar xadrez, ou melhor, perder constantemente no xadrez me ensinou a perceber a intenção nociva por trás da falsa displicência de um movimento ingênuo.
Aprendi que as vezes você tem que ceder um cavalo, uma torre pra  poder salvar a rainha, que o bispo de santo não tem nada e que o rei é tão merda e tem poderes tão limitados que deveria ser apenas príncipe!
Para o casaco que vive na vitrine, o conceito de 'prateleira' é uma realidade muito distante.
As pessoas se preocupam mais em decorar a parede do que olhar o que há por cima do muro.


Juan Barto






Se debater desesperadamente até turvar a água, na tentativa de exacerbar a refração a seu favor.
Truque velho e bobo.
O anzol já te deu um beijo na boca, um abraço de polvo, desiste, peixe!


---------------------------------------------------------------------------

Ela conjura suas conjecturas e tem a plena convicção de que sim, é melhor do que eu, mas só grita isso por baixo dos panos, pra dentro da camisa.
Só é valente depois de ter certeza de que eu já dobrei a esquina.



Juan Barto
Diferença se faz, indiferença se conquista.
'A chapa é quente, mas o couro é grosso!'
É o que dizem . . .
E se não é o que dizem, é o que mandam dizer essa gente que merece não merecer.
Essa gente de arrogância arrojada, surgida do nada e arranjada pra tudo.
Essa gente que você dá a carona e eles querem o carro.
São de uma superficialidade profunda.
Pra 'Adulto-criança', não tem 'super nanny', só supercílio... aberto...cinco pontos.
Pra cara de pau não tenho paciência, nem se for madeira de reflorestamento.
Essa gente que acha que remédio pra vida amarga é cu doce, paga um preço salgado porque não percebe que altruísmo existe, mas não insiste.


Juan Barto



Foto: Juan Barto

CAFÉ CUSPIDO - 1ª TEMPORADA (Videolog paraibano)



[CAFÉ CUSPIDO #1]




[CAFÉ CUSPIDO #2]




[CAFÉ CUSPIDO #3]




[CAFÉ CUSPIDO #4]




[CAFÉ CUSPIDO #5]



[CAFÉ CUSPIDO #6]



[CAFÉ CUSPIDO #7]




[CAFÉ CUSPIDO #8]




[CAFÉ CUSPIDO #9]
O ser humano é um vinho caríssimo que a medida que a bebida matura, a garrafa vai amassando.
O tempo poda o que é foda e fode o que pode.
O homem sempre com a sorte entre a vida e a morte.
O tempo avança pra cima da minha casa dia após dia, silencioso que nem mato crescendo, obscuro e nem sobrancelhas de monstro, traiçoeiro que nem uma onda cinza morta que só vem, só vem, só vem... E não volta.
O tempo me faz ir dormir toda noite com medo e acordar todo dia assustado.
Dai penso que coveiro não deixa de ser um jardineiro.
'Não entendi' pode não ser a frase que eu mais digo, mas com certeza é a que eu mais penso.






Juan Barto

Foto: Juan Barto



-Uma coca lata, por favor!
-Uma coca light aqui pro rapaz!
-Não... lata, coca lata
-Então, só tem light em lata mesmo!
-Não é light. Eu quero uma coca normal em lata
-Ah, coca normal só tem de um litro.
-...


Juan Barto
Administrando a dor como um gerente, como um maestro, como um economista...
Essa dor que sai pra passear por algumas horas, mas deixa o casaco pendurado nas costas da cadeira guardando o lugar, indicando que ainda volta.
'Ardor' e 'dor' são gêmeos bivitelinos não idênticos, rimas geradas em óvulos diferentes.


Juan Barto



Ziemkieczy tinha treze anos quando ficou órfão de pais mórmons.
Soube do acidente pela diretora do colégio durante o recreio, enquanto comia seu lanche.
Nota dez dona Joana, tato zero!
Fez involuntariamente uma rápida associação entre a comida mastigada presa no seu aparelho dental e os corpos dos pais moídos nas ferragens do carro, e por um certo tempo, toda vez que ouvia alguma notícia ruim passava horas sentindo um cheiro esquizofrênico de pastel de frango.
Dizem que o automóvel ficou acabado, já Ziemkieczy nem tanto.
Ficou com a casa em que vivia , a vida que não vivia e nada mais.
Aproveitou para deixar pra lá esse lance de igreja e deu adeus a Deus.
Aproveitou também pra assumir como nome o apelido 'Fulaninho', que ganhou dos amigos devido a enorme dificuldade das pessoas pronunciarem corretamente o seu nome idiota.
"-'Fulaninho' parece codinome de marginal!" - Disse 'Bonitinha Johnson', uma amiga que morava na mesma rua. Era uma menina de cabelos muito amarelos, olhos muitos azuis e boca muito vermelha.
Seu rosto lembrava a bandeira da Colômbia. Sua pele muito branca lembrava outra coisa que também remetia à Colômbia.
'Bonitinha Johnson' era mais velha, tinha quinze anos, e na realidade se chamava Carlúcida.
Como 'Carlúcida' era um nome muito feio e a pequena moça era muito bonita, lembrando desde sempre um bebê Johnson, o apelido ficou.
"-'É? E Bonitinha Johnson' parece codinome de mulher de marginal!" - Rebateu 'Fulaninho' enquanto apertava um beck em cima da lista telefônica.
'-Seria isso uma indireta?'
'- Algo entre a sugestão e o convite.'
Começaram a namorar quatro horas depois dessa conversa. Duas horas e vinte e sete minutos depois de terem transado pela primeira vez.




Juan Barto



Foto: Juan Barto





'

подавленный

Ganhei poucas coisas que realmente importassem, mas também quase não perdi algo que nunca mais existisse.
O homem é um animal acumulativo, acumulamos desde sentimentos pulsantes, que vão nos dar cólera, a água parada, que vai nos dar dengue.
Não jogamos nada fora pra evitar arrependimentos, quando finalmente decidimos jogar, é no chão da rua pela janela do carro, pra entupir os bueiros.
Até quando jogamos a toalha e desistimos, miramos na cara da sociedade, que é pra que ela não nos vejam fugindo.
O problema não é a dificuldade, o problema é a dificuldade oca, é a dificuldade estúpida só de pirraça, é a dificuldade que é difícil 'porque sim!'
As vezes me sinto a comida que vê a sua própria feição de pavor refletida nos dentes brancos um segundo antes de ter a cabeça decepada pela boca guilhotina.
A exigência do 'profissio' gera falta de ofício, acarreta em desperdício e isso é resquício padrão dessa e de qualquer outra gestão.
Complicado e delicado.


Juan Barto


O homem que chorava tinta guache pintou várias telas impressionistas em lenços de papel, durante o velório da avó.



Juan Barto
Flagrei a arte trocando de roupa, essa noite.
Abri a porta sem bater antes e fui entrando. Foi quando eu vi seus seios fartos aparentemente mordidos, lambidos e bicados. Seios de cabeça erguida, diga-se de passagem.
Tinha marcas de batom, tinta e vinho barato ressecado nas coxas de pão sovado.
Sua barriga branca e lisa, parecia uma travessa de leite morno.
O pescoço fino de couro curtido, lábios vermelhos como duas cortinas cerradas. Que mulher!
A arte ainda tem um bundão, mas anda meio bundona.
Parece que quer calar os calos mal falados dessa mão de falanges tão falantes.
Desbunde e debandada.
A arte não se assustou nem se zangou quando me viu, mas também não se cobriu.
Ficou parada me olhando, seus olhos de blue-tooth me enviando mensagens invisíveis.
Disse que mofar também é florescer, só que em outro idioma, falado em outro reino.
Disse também que a vida é muito 'curta' e os festivais só aceitam longas.
Eu disse que sabia que a vida era um filme onde a gente se enganava achando que era o diretor, quando somos apenas cinegrafistas.



Juan Barto

Foto: Juan Barreto






(por telefone)

-...@rocketmail
-Hotmail?
-Não, Rocketmail!
-(Repetindo lentamente enquanto anota) Ró...txi...meiou
-Não é hotmail..é rocketmail..r-o-c-k-e-t-m-a-i-l !
-Huuum!
-....
-....
-Eu vou te mandar uma sms com o e-mail!
-Melhor!
-Tchau!
-Tchau!


Juan Barreto
Anoiteceu, o sol finalmente atrás das grades.
Encarcerado como uma fera piromaníaca.
Como uma pimenta rainha, prima de 1º grau das queimaduras de 3º grau.
O moço e a moça agora riem de 'rien'.
Os gostos bons quando morrem vão para o céu da boca.

-----------------------------------------------------------------------

Os problemas são como o vento, você não consegue vê-los diretamente, mas consegue senti-los bagunçando cabelos, batendo portas, espalhando lixo, destelhando casas, chacoalhando as janelas da sala, parecendo um bicho querendo entrar.
Acalme-se! Respire-se!
Sublinhe o que for sublime.

-----------------------------------------------------------------------

A caneta porosa molesta por horas com sua ponta de ferro o papel macio de coxas lisas e brancas.
Dobrando-a de(A)4 até fazer vincos, até formar vínculos.
Metendo pau(tas) com força nessa folha virgem, que é pra ela ter histórias pra contar.




Juan Barto


Cheirava pó e rapé.
Cheirava à maconha e café.
Seus jeans folgados, como o dono.
Camiseta surrada, como a mãe pelo pai.
A mesma alimentação de segunda.
A mesma cueca desde terça.
O mesmo tênis desde sempre.
Brinco meio torto na orelha meio suja do ouvido meio surdo.
As unhas da mão totalmente mastigadas. O homem é o único animal que rói as próprias garras, ficando assim, desarmado. Auto sabotagem no gene.
Olhar de 'bandeira da frança' (Azul da íris/ Branco dos olhos/ Vermelho do choro)
E o sorriso como um soco-inglês.
Cabelos negros como molho inglês.
Até agora só câimbra, nada de Coimbra na sua vida.
Quem sabe a gente não é que nem planta, que só depois que tá debaixo da terra é que nasce?
Pensar assim ameniza, mas não harmoniza o bolo de bolor que tinha na garganta.
As larvas do coração mergulharam no suco gástrico sem açúcar do estômago.
Dói como todo o resto.
Resta, como toda dor, se fingir de necessária.



Juan Barto



9x3

Desconfie do que for aparentemente muito fácil e recuse o que for obviamente muito difícil.
Antes só do que mal abandonado!

------------------------------------------------

(manhã) Jogamos ping-pong
(tarde) Bancamos 'Cheech e Chong'
(noite) Vimos 'King Kong', jantamos num 'Hong Kong'
(madrugada) Tongue n' thong.

------------------------------------------------

Se as pessoas substituíssem de vez em quando o 'graças a deus!' por um "ainda bem!' sem dúvida isso não faria delas menos religiosas, mas certamente as deixariam menos irritantes.
Se a vida é uma escola, a morte é a apresentação do TCC, e tem gente que não está estudando!

------------------------------------------------

(c)áries
touro(mecânico)
¹gêmeos(²gêmeos)
câncer(de pulmão)
(chá-mate) leão
(azeite extra)virgem
(equi)libra(do)
escorpião(rei - o filme)
sagit(aqu)ário
capri(uni)córnio
aqu(sagit)ário
p(d)eixes . . .



Juan Barto


Foto: Juan Barto

'DÁDIVA DE ÍSIS'

Não gosto de missa, nem de míssil, nem de missão.
Não agrade a grade porque elas são as costelas da prisão.
Eu peço um ''she's - tudo'' com uma coca bem gelada.
Ela come brócolis na metrópole....
Mal-humorado chovo pra dentro, mas trovejo pra fora from the bottom of my heart...
Pra você ver como é forte...
Dedico-me a me dedicar em desapontar os lápis que só furam e nada escrevem nem desenham.
E tô suando, mas é de felicidade.



Juan Barto

Foto: Juan Barto

AI, QUENTE 'BELIEVE'

Sabe-se que o problema é sério, quando mesmo após descarregar uma constelação inteira de xingamentos como dardos na parede, ele continua do mesmo tamanho.
Quando você passa a pentear os cabelos com um pente de balas...
Quando você passa a aturar um monte de 'um pouco'...
Quando você concorda com o que não ouviu, discorda do que não é vil  e 'dá corda' pra o que não viu...
Quando uma ameaça se transforma numa promessa...
Quando os silêncios vem com 'close caption' em caps look:
'TE ACHO CHATO!'
'TE ACHATO!'
A paz está sempre por um fio
e tudo que tem fio corta.



Juan Barto


Foto: Juan Barto