Funcionário do mês

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Cheirava pó e rapé.
Cheirava à maconha e café.
Seus jeans folgados, como o dono.
Camiseta surrada, como a mãe pelo pai.
A mesma alimentação de segunda.
A mesma cueca desde terça.
O mesmo tênis desde sempre.
Brinco meio torto na orelha meio suja do ouvido meio surdo.
As unhas da mão totalmente mastigadas. O homem é o único animal que rói as próprias garras, ficando assim, desarmado. Auto sabotagem no gene.
Olhar de 'bandeira da frança' (Azul da íris/ Branco dos olhos/ Vermelho do choro)
E o sorriso como um soco-inglês.
Cabelos negros como molho inglês.
Até agora só câimbra, nada de Coimbra na sua vida.
Quem sabe a gente não é que nem planta, que só depois que tá debaixo da terra é que nasce?
Pensar assim ameniza, mas não harmoniza o bolo de bolor que tinha na garganta.
As larvas do coração mergulharam no suco gástrico sem açúcar do estômago.
Dói como todo o resto.
Resta, como toda dor, se fingir de necessária.



Juan Barto