Funcionário do mês

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CLIFFORD & ZADA (EPISÓDIO 1)





                   MEU NOVO PROJETO, PESSOAL!
Por que será que mesmo o homem atual estando envolto em ferramentas tecnológicas cada vez mais modernas e imediatas no que diz respeito a comunicação, mesmo assim não consegue resistir a tentação de ir para o meio da rua interagir à paisana interferindo na paisagem urbana?
É como se de forma inconsciente / inconsequente ele quisesse matar dez milhões de coelhos com uma borrifada de spray só, transformando a cidade inteira no seu mural de recados, na sua ata de reunião, literalmente no seu muro das lamentações chapiscado com opiniões destampadas e estampadas à céu aberto.
Será que a necessidade primal e latente que cada um de nós têm por se expressar é a responsável por fazer com que esse "hommo onlines" prefira expor suas intimidades nos out-doors informais do mundo extra-virtual do que em uma tela (de led) em branco?
O que se sabe, é que toda semana amanhece impresso na porta de alguma loja do centro, no asfalto com toco de giz ou na calçada com caco de gesso pelo menos um "eu ti amu" bem grande (para quem quiser ouvir) escrito certo por gramáticas tortas.



Juan Barto
Sair mais cedo do trabalho não significa chegar mais cedo em casa. Era essa a lógica de quem dependia de ônibus.
"Maldito ano com gosto de comida de hospital!"
Pensava nisso constantemente no decorrer dos meses, no escorrer dos dias.
Ao abrir a porta da frente naquela noite, varreu lentamente um montinho de correspondências pra direita.
Junto com as contas de internet, de água e de luz um panfleto, aparentemente de algum curso de idiomas, dizia em letras vermelhas e chamativas:
'Sorte' em francês é 'chance!'
Balançou a cabeça e pensou em voz alta depositando a mochila pesada sobre o sofá:
"Aqui onde se fala português, 'chance' sem dúvida nenhuma também é sorte!"

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Medo não é respeito/ Respeito não é amor / 'Amor' não se responsabiliza pelo fato do sanduíche ser diferente da foto do cardápio.
Ao contrário de nós, que somos todos 'inguais'.

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Os cabelos e a barba formam a juba de pétalas da 'Planta - mamífera', uma nova espécie de espécie onde o pescoço é a raiz da cabeça e a cabeça só pensa em recapitular e recapturar gargalhadas ameaçadas de extinção.



Juan Barto