Funcionário do mês

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Por que será que mesmo o homem atual estando envolto em ferramentas tecnológicas cada vez mais modernas e imediatas no que diz respeito ao compartilhamento de informações em tempo real, já que seus pensamentos estão online em tempo integral, e ainda por cima sem sair de casa, mesmo assim não consegue resistir a tentação de ir ao meio da rua interagir, interferir à paisana com a paisagem urbana?
É como se, de forma consciente/ inconsciente / inconsequente, ele quisesse matar dez milhões de coelhos com uma grafitada só, transformando a cidade inteira no seu mural de recados, sua ata de reunião (‘fulano passou por aqui!’), sua cápsula do tempo, sua tela em branco, seu muro das lamentações estampado com criatividade.
Suas indignações, seu lirismo, seu humor sarcástico a céu aberto, expondo seu auto deboche a opinião pública.

Tatuando seu territorialismo nas superfícies lisas das paredes como um cachorro que mija tinta nos quatro cantos do bairro e nos postes do quarteirão delimitando suas áreas.

Exercitando seu lado publicitário em out-doors informais, escrachando em galerias improvisadas seus posicionamentos religiosos /políticos/ polêmicos de gramática errada, mas por linhas certas ou simplesmente escrevendo no asfalto com giz ou com gesso um ‘Eu te amo’ bem grande pra quem quiser ouvir.



Juan Barto