Funcionário do mês

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AXIOMA

Fritava papéis recheados porque Prozac o deixava muito prosaico e ele preferia a periferia do óbvio repleta de atalhos, só que não daqueles que te fazem chegar antes, mas do tipo que te fazem chegar inteiro, e acredite meu amigo, isso vale mais do que prece ou do que parece.
Defendia ativamente a liberdade de impressão, que é o direito inalienável que cada ser humano tem de tecer e manter aquela opinião babaca, retrógrada, preconceituosa, tacanha e uó a respeito de toda e qualquer coisa existente nesse mundo, desde que.. Dentro da sua própria cabeça.
Tem gente que adora um problema, tem gente que adora resolver um problema e tem gente que adora ficar resolvendo um problema pelo máximo de tempo que puder, sempre esticando o chiclete, sempre colocando um 'continua...' no final do episódio, sempre colocando um marcador de página enfiado no livro das tretas com a palavra 'merda' grifada de marca-texto verde limão azedo, pois encontrou nisso o passatempo terapêutico que estava faltando na sua vida sem graxa nas engrenagens e sem graça nas entrelinhas.
Quem (an)teviu, quem (an)tevê . . .
Ele era o primeiro a pedir as cabeças dos inimigos numa bandeja, mas também era o primeiro a costurá-las de volta, não se sabe ao certo se por ter uma bondade mal-assombrada ou uma maldade anêmica.



Juan Barto