Funcionário do mês

CRÔNICAS, CONTOS E TEXTOS POÉTICOS, NÃO POESIAS.
Nunca entendi como as pessoas antigamente tinham máquina de datilografar e moravam em apartamento ao mesmo tempo. E os vizinhos? Digamos que o chiado desse vinil era consideravelmente alto demais para se achar charmoso às duas e meia da manhã, por exemplo.
Enxergo poesia naquele mini caractere se erguendo solitário dentre uma multidão de outros mini caracteres, impávido como um jogador de vôlei no momento do saque, e descendo rascante em testadas violentíssimas na lona em formato A4.
Um após o outro numa certa ordem, como ingredientes de uma sopa.
Uma coreografia que ara o solo e o faz estalar com o tranco.
O ambiente cheira a tinta fresca. Sangue negro carimbando o papel, que foi chicoteado letra por letra até que a cicatriz formasse uma palavra.
Computadores são pistolas  automáticas com silenciador e mira avançada.


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Estava esperando o seu vagão quando ouviu um cara falando ao celular perto dele

''- Querido, a verdadeira estrada de tijolos amarelos que conduz ao mundo fantástico de Oz são os táxis engarrafados por quarteirões aqui no trânsito de Nova York. Como eu não tenho o menor interesse em ir pra Oz, eu estou indo de metrô pra um festa na casa de doces da bruxa!"

Não lembrava  de jeito nenhum como, mas Franklin acabou indo parar nessa festa com esse desconhecido do metrô.
Aceitou uns temperos opacos 'alucilógicos' oferecido por uma ruiva com cara de boneca de porcelana.
Sabia que deveria ter dito não, mas ruivas são como os gatos, eles podem arrancar nossos olhos facilmente com as unhas a hora que quiserem, mas preferem nos seduzir, nos persuadindo sutilmente com sua fofura enigmática até que sintamos vontade de arrancá-los por vontade própria e implorarmos de joelhos fazendo vozinha de bebê para que eles os aceitem como presentes.
Achava irônico que a palavra que melhor definisse a humanidade fosse 'cachorrada'!



Juan Barto