Funcionário do mês

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MATUTO MATUTINO

Se arrancou do acostamento mansamente como agulha de vitrola, mas pouco tempo depois já estava a 120 Km/h deslisando ligeiro pela vida que nem faca quente na manteiga, rasgando a madrugada sem encontrar atrito ou resistência, apenas reticências...
Se sentia a caneta de Deus escrevendo freneticamente certo por faixas amarelas tortas e esburacadas.
Espalhou espelhos por todos os lugares para que logo mais ao amanhecer, refletisse o sol se não estaria ele sendo quente demais conosco.
Naquela madrugada o antônimo de Antônio era atônito.
Quando chegou finalmente em casa escreveu com sua visão raio laser na lataria lateral:
'Instabilidade serena'
e na outra
'Mesmice caótica'.
Tatuou o próprio carro com o yin-yang dos tempos modernos.
O ar cheirava a ferro derretido e orvalho.
E foi dormir pensando nisso, nesses novos significados que a modernidade trouxe para as coisas, por exemplo o fato do coletivo de gente hoje em dia ser: 'Prédio', 'Trânsito', ' Fila', 'Confusão'...



Juan Barto