Funcionário do mês

[ CRÔNICAS, CONTOS, POESIA CONCRETA ] [ ILUSTRAÇÕES ] [ FOTOGRAFIAS ] [ VÍDEOS ]

SOLO FEDERAL

-Você não pode fazer isso aqui!
-Isso o que?
-Isso ai que você está fazendo.
-Fechar um baseado?
-Exatamente. Não pode! Você sabe que não pode!
-O que eu sei é que não pode fumar. Não sei nada sobre não poder fechar.
-Em tese você não poderia nem ter isso, meu amigo!
-Se em tese eu não pudesse fechar becks por ai, na prática eu não deveria ter acesso, de forma comercialmente legal, a sedas de todos os tamanhos, texturas e cheiros, com tantos sabores quanto uma sorveteria, tratadores e mais tratadores de tudo quanto é estilo e de todas as cores . . .

Ele ia falando e enumerando nos dedos. O guarda ia falar alguma coisa quando o garoto interrompeu.

-'Fechador'! Não, cara! Sério, dá pra acreditar nisso? 'Fechador', olha isso!
Até 'fechador' esses putos vendem que é pra deixar tudo o mais 'suquinho de caixinha' possível que é pra você não ter desculpa pra não fumar esta merda!
É um aparelho de inclusão social sofisticado que executa a mesma função das rodinhas da bicicleta e agora querem me dizer que ciclista é a mesma coisa que marginal? Vão tomar no cu!

O guarda ouviu aquele discurso todo calado, braços cruzados, olhando pro chão enquanto catucava uma pedrinha com a ponta do sapato.

-Tu faz que curso boy? - Perguntou ainda olhando pro chão.
-Odontologia!

Silêncio.

-Aposto que você pensou que eu fazia letras, ou história  . . . ou filosofia né? Chupa sistema! Odontologia! Quero ver mais pra frente, um dia na hora do aperto, um ciso encravado precisando de uma manicure se vai ficar com dor ou com preconceito, malandro!

-Tu é muito nervoso pra quem fuma maconha, sabia?



Juan Barto