Funcionário do mês

CRÔNICAS, CONTOS E TEXTOS POÉTICOS, NÃO POESIA.
Era como se o céu fosse uma frase enorme e as nuvens fossem os acentos e as vírgulas.
Refletia sobre isso totalmente imerso numa infusão de ervas, enquanto fechava a janela do quarto pro silêncio não escapar.
O crucifixo fixado na parede da sala irradiava proteção pela casa inteira, como um roteador.
Wi-fé.
Colocava até Bombril na ponta da cruz para as orações pegarem sem chiado.
Fome é quando nosso estômago entra no modo 'centrifugação e enxague'.
Desceu até a cozinha pra pegar uns frios na geladeira e no caminho um carinho, fez um afago na gata.
''Ah, fogo da gota!''
O barulho de mini unhas riscando o lado de fora da porta de madeira, que dava para o quintal, já durava três dias e já estava enchendo o saco!
''Felino no cio & cia.'' - Pensou.
Com exceção da gata, morava sozinho.
"Sozinho" era um 'só' bem pequenininho, em um nível agradável e pouco ofensivo, como o sol antes das oito da manhã.
Primeiro veio a maioridade, depois a maior cidade, depois a mocidade, depois é mó saudade...
Que é o lado 'lodo' do lago.



Juan Barto