Funcionário do mês

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De quatro como uma mesa, os cabelos marrons derramados pelas costas, como uma poça de leite com chocolate, escorriam por entre os braços dela até roçar nos mamilos, duas seriguelas vermelhas, doces e maduras.
Aquela mulher era silvestre, era banquete, era boquete...
Aquela buceta aberta e lisa, parecendo uma carambola, o fazia reencarnar em si mesmo a cada erro e a gozar pra cima a cada acerto, como uma torre esguichando petróleo albino, bombeando feliz de dentro pra fora, extraindo o extrato e cuspindo a fatura que confirma a fartura.
Se sentia rico, pois tinha dentes e tinha o que morder.
O homem completo molhou o rosto mais um pouco naqueles olhos cor de coco,
que tinham o verde da casca e o branco do oco.




Juan Barto

QUEIJO AZUL

Colocou o disco de carne de hambúrguer pra tocar na frigideira.
Aumentou o volume do fogo e o cheiro de cebola frita rapidamente ardeu-lhe os tímpanos.
Enquanto esperava, dichavou uma belota tamanho G sobre a contra capa do 'ventura' entre as pernas.
Usava as unhas como pinças, como se desfiasse um frango, até deixar o galho grosso exposto
como se fosse um osso.
Osso marrom, quase sem caroço.
Entre cânticos e cutículas, recheou aquela coxinha de colomy,
que por sua vez, nem parecia seda, tava mais pra veludo.
Usava catchup pra beijar sua comida e  batom pra beijar sua 'cumadi'.



Juan Barto