Funcionário do mês

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Pouca gente gosta de jogar xadrez, dizem que é muito difícil.
Eu sempre acreditei que elas se referiam as regras, a ter que decorar os movimentos sonsos das peças, o nível cavalar de atenção necessária visando não cair nas estratégias ardilosas, enfim, a parte mecânica da dança... mas não!
A resposta é um pouco mais existencialista do que mundana. Alegam ser difícil, porque é um jogo sem a menor margem para bodes expiatórios. No xadrez é tudo à céu aberto, não cabe argumentos como:
"Ah, mas o adversário recebeu "uma mão" melhor que a minha!"
No xadrez, cem porcento das suas derrotas são oriundas de movimentos equivocados que você, e unicamente você, ESCOLHEU fazer acreditando assim ser uma boa ideia.
E convenhamos, assumir sozinho a culpa total de suas próprias decisões erradas realmente é brutal, uma das coisas mais difíceis que se pode exigir de um ser humano.
Agora faz sentido a preferência universal por baralho. Baralho é cheio de vírgulas; dá brecha para ases escondidos na manga, para cartas sutilmente marcadas, na pior das hipóteses dá até para terceirizar o fracasso responsabilizando o parceiro que não entendeu seus sinais ou o oponente que espiou deslealmente seu leque de naipes no reflexo dos óculos...




Juan Barto