Funcionário do mês

CRÔNICAS, CONTOS E TEXTOS POÉTICOS, NÃO POESIA.
O que ele mais queria era destravar as legendas dos trechos da sua vida que inexplicavelmente estavam narrados em francês. Como não conseguia entende-los perfeitamente, limitava-se a tentar sobreviver a eles captando o contexto dos acontecimentos pelos tons de voz e expressões faciais das pessoas ao redor.
Ficava nesse estado de serenidade fingida, de asfixia cognitiva, até sentir sua língua materna lhe dando novamente de mamar.
Sua pele se ouriçava de eletricidade silenciosa, como um plástico bolha bege, cada vez que sentia um coloquialismo chupar seu pescoço e morder seu antebraço. Seu coração pensava "Diga me com quem "ainda", que eu te direi quem és!"
Era quando se percebia feito do mesmo material que os sorrisos; de carne e osso.



Juan Barto